COVID-19: sobre transmissão, prevenção e uso de máscaras

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Sobre a via de transmissão

O Sars-CoV2 é um vírus que se dispersa preferencialmente por gotículas de saliva. Essas gotículas podem normalmente atingir pessoas até 1-2 metros de distância, contaminando pessoas e superfícies.

A transmissão por aerossol (partículas menores eliminadas pela boca, como nuvens de vapor contendo vírus) pode também acontecer. O aerossol é capaz de ficar suspenso no ar por até em torno de 3 horas (ou mais segundo alguns autores) contaminando o ambiente. Embora isso ainda seja foco de discussão, segundo a maioria dos estudos, essa via não é muito importante no caso do Sars-CoV2. Ela deve ser preocupação principalmente dos ambientes hospitalares, onde o uso de nebulização, cateter de oxigênio, máscaras e respiradores fazem geração de grande quantidade de aerossol no ambiente.

Sobre quem transmite

A transmissão pode ser feita através de pessoas sintomáticas (com sintomas da doença), assintomáticas (aquelas que se contaminaram mas nunca apresentaram sintomas), oligossintomáticas (aquelas com sintomas brandos que às vezes sequer suspeitam estar doentes), ou pré-sintomáticas (aquelas cujos sintomas ainda vão surgir, mas já transmitem a doença). Atualmente acredita-se que assintomáticos e oligossintomáticos (como as crianças) tenham baixa capacidade de transmissão, diferente do que se pensava no início da pandemia. A maior taxa de transmissão parece se dar pelos sintomáticos e pré-sintomáticos.

Foi a preocupação com a transmissão pelos pré-sintomáticos que levou os órgãos governamentais a incentivar as medidas de prevenção, sobretudo distanciamento social e uso de máscaras.

Sobre a prevenção

Distanciamento social: previne a transmissão das gotículas que possam passar pela máscara ou daqueles sem máscara. Como foi dito, embora haja relato de gotículas que atinjam distâncias maiores, a grande maioria delas alcança distâncias de até 1-2 metros, sendo esse o distanciamento mínimo recomendado para prevenir a transmissão.

Lavagem de mãos: método preferencial para higiene das mãos. Lavar sempre ao chegar em casa da rua, antes e após uso do banheiro, antes de se alimentar ou levar mãos ao rosto, após manusear material que possa estar contaminado, após tocar a máscara, após coçar ou assoar o nariz. Ensaboar e friccionar as mãos corretamente por pelo menos 15 segundos.

7 passos da lavagem das mãos

Álcool 70%: substitui a lavagem das mãos quando ela não está disponível. Deve ser usado na forma de gel. A forma líquida pode ser usada em superfícies, devendo ser evitada para uso nas mãos por provocar ressecamento e fissuras na pele (que poderiam servir de porta de entrada para microorganismos).

Atenção: jamais fabricar álcool gel caseiro devido ao risco de acidentes, incêndios, queimaduras e irritação da pele e mucosas.

Uso de máscaras: não é mais importante que o distanciamento e a lavagem das mãos (ou uso de álcool) – ela de forma alguma substitui as outras medidas. A máscara bloqueia a passagem de gotículas de maior tamanho, servindo como um auxiliar na prevenção da transmissão por gotículas.

Atenção: máscaras de proteção devem ser usadas por aqueles que sabem manuseá-la. Pessoas com algum distúrbio motor e menores de 2 anos NÃO devem utilizar máscaras sob risco de obstrução da via aérea e sufocamento.

Sobre as máscaras

As máscaras N95 e PFF2 são de uso exclusivo por profissionais de saúde. Elas possuem um elemento filtrante que bloqueia a passagem do aerossol gerado pelos procedimentos médicos/hospitalares. Para a população geral com fins de prevenção a máscara indicada é a cirúrgica ou a de tecido. Elas devem ser trocadas sempre que ficarem sujas, úmidas, ou a cada 2-3 horas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), somente a partir dos 12 anos de idade a criança tem capacidade plena de compreender todas as instruções para uso da máscara. Desta forma, abaixo dessa faixa etária, todas as crianças necessitarão de orientação e monitorização constante.

Recomendações gerais (fonte – SBP):

  • Adquirir máscaras de acordo com o tamanho do rosto da criança e certificar que está confortável
  • Após cada uso, lavar com água e sabão abundantes e/ou deixar de molho em solução de água sanitária (1 colher de sopa para 500ml de água) por 30 minutos
  • Após a secagem, passar ferro quente, de ambos os lados, armazenando em saco plástico limpo
  • Lembrar que as crianças vão aprender mais facilmente com a repetição e com ensinamentos e exemplos fornecidos de forma alegre e natural
  • Incentivar o uso em ambientes em que encontrem outras pessoas a menos de 2 metros de distância (supermercados, farmácias, serviços médicos, ou qualquer ambiente fora de casa ou onde possa haver aglomeração de pessoas)
  • Caso a máscara caia no chão durante o uso, ela deverá ser substituída por outra limpa, imediatamente

Pesquisadores da Universidade de Cambridge testaram uma ampla gama de materiais domésticos para máscaras caseiras. Eles mediram qual porcentagem os materiais poderiam capturar e os compararam com a máscara cirúrgica mais comum. Não surpreendentemente, a máscara cirúrgica apresentou melhor desempenho, no entanto todos os materiais caseiros conseguiram capturar 50% das partículas virais ou mais (com exceção do lenço em 49%).

Eficácia dos materiais das máscaras caseiras

Os cientistas também testaram partículas do tamanho de vírus em versões de duas camadas do pano de prato, fronha e tecidos 100% algodão. No geral, as camadas duplas não ajudaram muito. A fronha de dupla camada capturou 1% a mais de partículas e a camisa de dupla camada capturou apenas 2% a mais de partículas. No entanto, a camada extra de pano de prato aumentou o desempenho em 14%. Esse impulso tornou o pano de prato tão eficaz quanto a máscara cirúrgica.

Eficácia das camadas duplas das máscaras caseiras

Foi avaliado pelo estudo a respirabilidade da máscara. Porque o conforto não é apenas um luxo, ele influenciará em quanto tempo a pessoa consegue usar a máscara. Eles compararam os tecidos com a respirabilidade da máscara cirúrgica e o resultado está abaixo.

Respirabilidade das máscaras

Conclusão: com base na captura de partículas e respirabilidade, os pesquisadores concluíram que camisetas de algodão e fronhas são as melhores opções para máscaras caseiras. Dobrar as camadas de material da sua máscara aumenta a eficácia da filtragem, mas torna a máscara muito mais difícil de respirar.

Sobre a forma correta de espirrar

As gotículas que normalmente atingem distâncias de 1-2 metros são capazes de atingir distâncias muito maiores com a tosse e os espirros. Já surgiram estudos mostrando contaminação superfícies até 8 metros de distância com um espirro. Com algumas simples orientações, no entanto, pode-se minimizar essa via de contaminação.

Essas orientações devem ser repassadas às crianças, que devem ser orientadas a tossir e espirrar em um lenço de papel ou no braço e cotovelo, nunca nas mãos.

Como tossir ou espirrar corretamente
Como tossir ou espirrar corretamente

COVID-19: tratamento dos casos leves

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Conforme dito no post anterior, a grande maioria dos jovens e crianças evoluem com quadros assintomáticos e leves da COVID-19. O que é possível fazer nesses casos?

Os sintomas mais frequentes são: febre, tosse, fadiga. Outros menos frequentes são: dor de garganta, dor de cabeça, respiração encurtada, calafrios, dor muscular ou articular, diarreia, enjoo e conjuntivite. Perda de olfato também já foi descrita como uma queixa muito frequente, bem como diminuição ou perda do paladar. 

Medidas gerais

Repouso, hidratação oral, alimentação adequada, isolamento domiciliar por 14 dias.

Presença de fatores de risco para gripe (influenza): procurar atendimento médico para avaliar início de oseltamivir (Tamiflu). São fatores de risco: gestantes, idosos, obesos, crianças menores de 5 anos (sobretudo menores de 2 anos), asmáticos, portadores de doenças crônicas e que diminuem imunidade (por ex. diabetes, doença renal, hepática, pulmonar, cardíaca, hematológica, neurológica).

Febre

Permitido usar antitérmicos, como dipirona e paracetamol. Ibuprofeno já teve seu uso também liberado.

Tosse

Mais ou menos metade dos casos de tosse na COVID-19 é seca, enquanto a outra metade é produtiva, ou seja, com secreção. Principalmente nos asmáticos ela costuma vir acompanhada da descompensação da doença, sendo indicado o uso do broncodilatador para alívio. Ele deve ser prescrito por um médico, normalmente na forma de nebulização ou spray (‘bombinha’).

A tosse é um mecanismo de defesa para eliminar secreções e corpos estranhos das vias aéreas. Xaropes não são indicados para seu tratamento, além de não demonstrarem eficácia, possuem efeitos colaterais, como arritimias e alucinações. São indicados para seu alívio: hidratação oral, umidificação e lavagem nasal. Adultos podem usar codeína, sobretudo à noite, para alívio do reflexo da tosse, desde que com prescrição médica.

Principais recomendações: beber água, evitar ambientes secos, lavar narinas com soro (líquido, spray ou aerossol).

Dores

A dor de garganta costuma ser leve e pastilhas podem ser usadas para seu alívio. Os mesmos antitérmicos usados na febre podem ser usados para alívio da dor na garganta, na cabeça ou na barriga.

Diarréia

Nenhuma medida além da hidratação oral normalmente é necessária. O quadro costuma ser passageiro e não persiste por muitos dias. Antiespasmódicos podem ser usados pontualmente se necessários para alívio da cólica. Probióticos também podem ser utilizados, embora não sejam normalmente necessários.

Amosmia

Perda do olfato tem se mostrado uma alteração relativamente comum e é sinal de bom prognóstico: indica menor risco de evoluir com gravidade. Em geral resolve espontaneamente em dias ou até meses, mas há casos descritos de sintomas persistindo por mais tempo. Na fase aguda pode ser usado corticoide oral e tópico, com orientação médica.

Sinais de alarme

Persistência da febre (mais de 72h segundo OMS, mas principalmente quando por mais de 7 dias), falta de ar, extremidades muito frias, arroxeadas, turvação visual, tonteira ao levantar, chiado no peito.

Particularidades da COVID-19

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De acordo com a OMS, 80% das pessoas acometidas pela COVID-19 é assintomática ou apresenta poucos sintomas, 15% precisam de hospitalização e 5% necessitam de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Entre os que apresentam sintomas, os mais frequentes são: febre, tosse e fadiga. Outros menos frequentes são: dor de garganta, dor de cabeça, respiração encurtada, calafrios, dor muscular ou articular, diarreia, enjoo e conjuntivite. Perda de olfato também já foi descrita como uma queixa muito frequente, bem como diminuição ou perda do paladar. 

Jovens e crianças, quando apresentam sintomas, são sintomas brandos, sem febre. A doença pode se manifestar somente como dor de cabeça, com diarréia ou como dor de garganta com calafrios, por exemplo. A apresentação varia de pessoa para pessoa.

A definição de doença com indicação de internação

A definição de casos suspeitos de COVID-19 na fase em que o Brasil se encontra, chamada de “fase de transmissão comunitária”, baseia-se na presença de quadro gripal. Isso quer dizer: febre somada a pelo menos um sintoma respiratório (dor de garganta, tosse ou dificuldade respiratória) além de queixa de dor (de cabeça, no corpo ou articular).*

Os quadros com indicação de internação hospitalar seriam aqueles que, além do quadro gripal, apresentam Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Ou seja, manifestam-se com algum sinal de gravidade clínica. Em outras palavras, cursam com presença de falta de ar (dispneia), oxigenação baixa, aumento da frequência respiratória, redução da pressão arterial (hipotensão) e piora de alguma doença crônica preexistente (ex: doença cardiovascular, diabetes, asma). Esses são os mesmos sinais de alarme que usamos como critério de gravidade para outras infecções em nosso dia a dia. 

* Importante: (1) idosos não precisam ter febre; (2) pessoas com imunidade baixa (portadores de leucemias, linfomas, HIV, doenças autoimunes, transplantados, indivíduos que foram submetidas à quimioterapia nos últimos 30 dias e aqueles que usam doses elevadas de corticoides ou outros imunossupressores sistêmicos) precisam de apenas um critério (febre ou dor ou sintoma respiratório) para fechar como síndrome gripal.

Fases da COVID-19

O que se sabe atualmente, é que o vírus traz um quadro inicial com sintomas respiratórios, febre e dor, chamado de fase de resposta viral (fase I). Depois de alguns dias, normalmente com a persistência da tosse e da febre, o paciente pode evoluir para a fase pulmonar (fase II), que cursa com pneumonia, identificada preferencialmente na tomografia computadorizada. Algumas pessoas nessa fase apresentam baixa oxigenação (hipoxemia), com necessidade de oxigênio (O2) suplementar (cateter nasal, máscara de O2 ou até mesmo intubação com uso de ‘respirador’ nas situações mais graves). Neste momento, podem surgir também algumas alterações inflamatórias não exclusivamente pulmonares. Pequenos vasos podem inflamar (vasculite) e micro trombos podem surgir em alguns órgãos. Há pessoas que ainda evoluem para hiper inflamação (fase III), que seria uma super estimulação do sistema imunológico com liberação de grandes quantidades de substâncias inflamatórias no organismo (citocinas).  É como se o corpo entrasse em “guerra”, uma “tempestade” de citocinas e, nessa ocasião, situações ainda mais graves podem ocorrer.

O comportamento pulmonar da doença tem sido estudado em todo o mundo. Não se sabe ainda exatamente o porquê, mas é possível encontrar pacientes (principalmente com mais de uma semana de doença) que apresentam extenso acometimento dos pulmões com exames mostrando hipoxemia sem que o paciente relate falta de ar. É o que está sendo chamada de ‘hipoxemia silenciosa’. O paciente não se sente ofegante e faz suas atividades cotidianas, sem apresentar grandes queixas respiratórias. A falta de ar nesses casos surge apenas quando a saturação baixa a um nível extremamente baixo. 

Como minimizar o problema

Diferente da gripe e das pneumonias bacterianas, na COVID-19 os sinais de gravidade descritos na SRAG (falta de ar, aumento da frequência respiratória etc.) não estarão obrigatoriamente presentes na fase pulmonar da doença.

Protocolos da OMS e Ministério da Saúde incluem atualmente recomendação de maior vigilância para os casos de persistência da febre por mais de 72 horas e retorno da mesma após estar há 48 horas sem febre. Mas a grande recomendação é para os casos de persistência dos sintomas (febre, tosse, cansaço, dor no corpo, prostração excessivos) por mais de 7 dias. Essas pessoas com sintomas persistentes devem ser orientados a procurar atendimento médico, ter a oxigenação mensurada por oximetria de pulso e coletar exames de sangue para avaliar sinais laboratoriais indicativos de gravidade.

Algumas referências

OMS

Ministério da Saúde: definição de caso e notificação

Ministério da Saúde: protocolo de manejo clínico

Ministério da Saúde: fluxograma de teleatendimento

Epidemiology and clinical features of COVID-19: A review of current literature

Baseline Characteristics and Outcomes of 1591 Patients Infected With SARS-CoV-2 Admitted to ICUs of the Lombardy Region, Italy

COVID-19 pneumonia: different respiratory treatment for different
phenotypes?

The Infection That’s Silently Killing Coronavirus Patients

Corantes, conservantes, agrotóxicos, plásticos e seus malefícios

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O que uma lata de milho, uma caixa de leite, um pacote de gelatina infantil e um copo plástico têm em comum? Todos contém substâncias químicas maléficas à saúde infantil.

Nas últimas décadas a quantidade de química adicionada aos alimentos disparou. Utilizamos embalagem plástica para guardar os alimentos, adicionamos química aos alimentos para eles serem conservados, parecerem mais bonitos, cheirarem melhor…

Pensando nessa questão, as sociedades de pediatria chamam atenção para os prejuízos causados pelo alto consumo dessas substâncias desde a infância.

Vejamos quais malefícios elas poderiam causar.

Corantes artificiais

Podem aumentar os sintomas das crianças com déficit de atenção e hiperatividade. Podem também causar alergias em crianças com predisposição. Estão presentes em biscoitos, bolos industrializados, sorvetes, gelatinas, algumas bebidas…

Nitratos e Nitritos

Podem interferir na função da tireóide e na oxigenação dos tecidos, além de aumentar alguns tipos de câncer. São usado como conservantes nos alimentos, sobretudos processados e carnes.

Atrazina

Herbicida usado nos cultivos de alimentos como milho, pode causar disfunção nos hormônios sexuais, podendo estar associada a infertilidade, tumores da mama e puberdade atrasada.

Perclorato

Presente em agrotóxicos, podem contaminar também a produção do leite. Altera a absorção de iodo pelo organismo, podendo levar a disfunção na tireóide.

Ftalatos

Estudos têm mostrado que essas substâncias presentes em alguns tipos de plásticos podem levar à morte precoce de algumas de nossas células, alterações hormonais, infertilidade, diabetes, obesidade e outros malefícios mais…

PBA

Substâncias como o bisfenol são encontradas em latas de alimentos em conserva, garrafas, embalagens plásticas, utensílios de cozinha, recibos de papel… Praticamente todas as latas de alimentos vendidas no Basil possuem bisfenol no seu revestimento interno.

Substâncias como o Bisfenol A (BPA) podem interferir na puberdade e fertilidade, podem aumentar a gordura corporal e causar problemas no sistema imunológico e neurológico, além de já terem sido associados a alguns tipos de câncer, hiperatividade, infertilidade e outros.

No Brasil  a ANVISA proibiu importação de mamadeiras que contenham PBA. Mas não de chupetas, pratos, copos e outros utensílios já proibidos em outros países.

Sim, existem utensílios ditos PBA-Free, mas como já coloquei em post anterior (veja aqui ) utensílios “garantidamente” PBA-Free não existem.

Aqui em casa, pensando na saúde, treinamos desde cedo as crianças a usar utensílios de vidro e aço inoxidável. Quão cedo? A partir dos dois/três anos funcionou para nós, mas certamente vai depender da criança, poderia ser antes ou depois…

E mais. Tem plástico em casa e deseja descartar? Jogue no lixo comum. A reciclagem desse tipo de material por outro lago, pode ser um risco, pois o processo de reciclagem libera ainda mais bisfenol no ambiente, contaminando lençóis freáticos.

Cadeirinhas para carro

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cadeirinha Chicco Key Fit
Chicco Key Fit

No Brasil, o trânsito é a principal causa de morte acidental de crianças e adolescentes com idade de zero a 14 anos, chegando a quase 40% do total de mortes. Milhares de crianças são anualmente hospitalizadas em decorrência dos acidentes de trânsito.

Segundo estudo americano, 1 em cada 4 pais já levaram seus filhos no carro sem a devida segurança, usando desculpas como “fui a um lugar perto” ou “estava com pressa”.

No entanto, cerca de 60% dos acidentes ocorrem próximos à residência do acidentado.

Segurar a criança no colo sem cinto não a protege de acidentes. Em um acidente a 50km/h, uma criança de 10kg passa a ter o equivalente a 500kg ao ser lançada para frente com a freada brusca. Ou seja, você jamais será capaz de segurá-la.

A cadeirinha é o único meio seguro de transportar uma criança no carro.

Recentemente o Proteste anunciou a primeira cadeirinha para bebê aprovada com louvor em todos os testes realizados: a cadeirinha Cosco Moove.

Tipos de assento

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(1) BEBÊ-CONFORTO: para uso do nascimento até cerca de 1 ano de idade ou limite de peso do fabricante (9-13Kg). O ideal é usar até o limite de peso permitido. Como usar:

  • Virado para trás: essa é a forma correta de usar sempre, de costas para o painel do veículo.
  • Com cinto de três pontas e preferencialmente no meio do banco de trás: confere maior proteção maior em caso de colisão lateral. Como a maioria dos carros não tem cinto de três pontas no centro, fica recomendada a colocação no lado contrário ao banco do motorista (atrás do passageiro).
  • Travel system: alguns modelos de bebê-conforto podem ser usados tanto no carro quanto acoplados no carrinho do bebê, o que pode ser muito útil por exemplo quando o bebê está dormindo.
  • Base: presente em alguns modelos, é boa por uma questão de praticidade. Fica fixada no assento com cinto de segurança, permanecendo o tempo todo no veículo. O bebê-conforto pode ser desencaixado com facilidade e retirado do carro sem precisar manusear o cinto.
  • Cuidado com roupas grossas ou acolchoadas: se o cinto for ajustado com elas, deixará um espaço extra e as consequências, em caso de colisão, podem ser dramáticas de acordo com testes realizados nos EUA. Se necessário coloque uma manta sobre a cadeirinha e o cinto.
  • Bem ajustado: cinto justo ao corpo (veja abaixo teste da pinça) e com clipe peitoral na altura correta (e não na altura da barriga). teste

(2) CADEIRINHA/POLTRONA: para uso até 18-36Kg, dependendo do fabricante. Muitas são as opções disponíveis no mercado. Há modelos que reclinam o encosto e alguns são “reversíveis”, podendo ser usados de costas para o painel ou de frente quando a criança for maior. Alguns vêm com redutores que possibilitam o uso por bebês recém-nascidos. Como usar:

  • Virado pra trás o máximo de tempo possível: até o limite de peso de cada modelo. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Academia Americana de Pediatria é de que ela permaneça virada para trás até os 2 anos ou até o limite de peso da cadeira. A criança virada para trás tem 75% menos chance de morte ou lesões graves em caso de acidentes.
  • Cuidado com roupas grossas ou acolchoadas: vale o mesmo conceito usado no bebê-conforto. Se necessário, coloque uma manta sobre a cadeirinha e o cinto.
  • Bem ajustado: algumas cadeirinhas não têm o clipe peitoral. Nesse caso, eles devem ser adquiridos separadamente. São imprescindíveis porque mantém o cinto bem ajustado e impedem que a criança tire o braço de dentro do cinto.

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    Clipe peitoral – Comprar em: MercadoLivre

(3)  ASSENTO DE ELEVAÇÃO (“BOOSTER”): para uso a partir de 4 anos ou 18 kg e até 7,5 anos ou 36kg. Não deve ser usado se a criança tem menos de 1,15m devido à altura do cinto. Alguns modelos com encosto contam com ajuste do cinto e permitem uso a partir de 1,0m de altura. Assento que eleva a altura da criança de forma que ela utilize o cinto do próprio carro.

O uso do booster reduz 45% o risco de lesões graves quando comparado ao uso do cinto sem booster. Estudos mostram que o risco de lesão em crianças com idades entre 4-12 anos é maior que o das crianças menores. Elas têm maior risco de lesão abdominal pelo cinto de segurança, lesões da coluna vertebral e da face. A provável causa é a menor preocupação dos pais com o uso adequado da cadeirinha. Fica recomendado o uso do booster pelo máximo de tempo permitido pelo fabricante.

Como usar:

  •  Com cinto de 3 pontos: não usar com cinto abdominal. No assento do meio, com cinto abdominal, não deve ser usado booster.
  • Bem ajustado: para um uso seguro o cinto não pode ser posicionado sobre o pescoço nem sobre o abdome, mas sim na parte central dos ombros e sobre o quadril. Quando a criança é pequena o cinto pode acabar ficando posicionado sobre o pescoço e, para tornar mais confortável, a criança acaba puxando o cinto pra baixo do braço. Uma cadeirinha/poltrona ou um booster com encosto e guia posicionador do cinto podem resolver o problema. O uso correto do equipamento é imprescindível para a segurança da criança.uso-correto-do-cinto
  • Cuidado com roupas grossas ou acolchoadas: segue a mesma recomendação do bebê-conforto e cadeirinha.
  • Preferencialmente com encosto: vários modelos vêm com um encosto que é removível, mas ao remover o encosto eles perdem a proteção para colisão lateral. Perceba nesse vídeo a diferença entre colisão com e sem encosto:

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Vídeo: Youtube

(4) Sem assento: a partir de 7,5 ou 8 anos, no momento em que atingir 1,45m de altura, a criança já pode usar o cinto sem a necessidade de booster.

Legislação Brasileira

A Lei das cadeirinhas obriga ao uso no carro desde o ano de 2010.cadeirinha

OBS: o valor atual da multa é R$293,47.

Peculiaridades:

  • A partir de 10 anos de idade a criança pode se sentar no banco da frente do carro.
  • Se houver mais de três crianças abaixo de 10 anos no carro, a mais alta pode ir no banco da frente com o dispositivo de retenção adequado (cadeirinha ou booster, conforme for recomendado).
  • O mesmo se aplica a carros que não tenham banco traseiro ou em que não seja possível instalar cadeirinhas.

Classificação Internacional

Como nem todas as crianças tem o mesmo biotipo, os padrões internacionais de classificação dividem as crianças por peso:

  • classe 0, para bebês de 0 a 10 kg (até 9 meses)
  • classe 0+, para crianças até 13 kg (até 12 meses)
  • classe 1, para crianças de 11 a 18 kg (de 1 a 3 anos)
  • classe 2, para crianças de 15 a 25 kg (de 2,5 a 5 anos)
  • classe 3, para crianças de 22 a 36 kg, (de 4 a 7,5 anos)

Nos modelos importados e na maioria dos nacionais essa classificação vem escrita na cadeirinha, facilitando a escolha por um modelo adequado ao biotipo da criança.

Sistemas de engate Isofix e Latch

isofix-e-latchSão padrões semelhantes de fixação, mais fáceis de instalar que o cinto do carro, reduzindo a chance do uso incorreto. Prometem reduzir os traumas associados a acidentes. As cadeirinhas com esses sistema custam, no entanto, pelo menos duas vezes mais que as que usam o cinto do carro para fixação.

Enquanto o Latch é um sistema americano que usa cintas ou faixas, o Isofix é um novo padrão de fixação inicialmente europeu, que está sendo adotado por fabricantes de veículos em vários países. No Brasil de acordo com a Resolução 518 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) os projetos de novos veículos deverão vir obrigatoriamente com o sistema de Isofix a partir de 2018. Veículos importados poderão usar o sistema Latch.

Ambos podem ser complementados com uma fixação adicional superior com função anti-rotação (Top Tether).

Observação: Estudos americanos e europeus não demonstram benefício do Isofix no caso de impacto frontal. Isso porque, em caso de acidente, parte da energia é absorvida pelo cinto, que tem suas fibras levemente distendidas. O Isofix é mais rígido e o impacto é mais transmitido para o assento e a criança. Seu benefício seria maior no caso do impacto lateral (nesse quesito o Isofix parece ser ainda superior ao Latch). Veja estudos aqui e aqui.

Modelos Nacionais

O INMETRO é um instituto federal responsável por fiscalizar a segurança das cadeirinhas. Ele confere um selo para aquelas que são aprovadas nos testes, no entanto testes de colisão lateral não fazem parte da avaliação deste órgão.

A Proteste é uma organização civil sem fins lucrativos que representa a maior organização de defesa do consumidor da América Latina. Ela realiza testes independentes praticamente anuais de algumas cadeirinhas com selo do INMETRO. Avalia quesitos como manual de instruções, facilidade de instalação, teste de colisão frontal e lateral.

No primeiro teste realizado em  2011 a Proteste avaliou o bebê-conforto em diferentes marcas de carro popular, procurando saber se havia uma marca mais compatível com cada veículo. Observou-se que há realmente uma maior compatibilidade com uma marca, sem no entanto invalidar as outras no quesito de segurança. A única excessão foi o Ford Ka, que se mostrou incompatível com quase todos os modelos na época da análise.

De 2012 a 2015 vários testes foram realizados com modelos de bebê-conforto e cadeirinhas. Boosters nunca foram avaliados.

Algumas marcas foram avaliadas mais de uma vez. É o caso do Chicco Key Fit, que manteve sua boa avaliação em 2015. Marcas conhecidas, como a Peg Perego foram avaliadas negativamente em todos os testes. Os bebês conforto Burigotto Turing Evolution e Lenox Caracol foram mal avaliados em 2016 porque permitiram contato da cabeça do bebê com a porta do carro.

Os testes de colisão lateral raramente foram bons, com exceção, pela primeira vez, do Prime Baby Journey e do Cosco Moove. A Cosco Moove é a primeira cadeirinha 5 estrelas da América Latina, com ótimo desempenho nos testes de impacto frontal e lateral. 

Em 2013 foi avaliada a cadeirinha de 9 a 18 Kg Britax Roemer Duo Pluss TT com Isofix. Ela não consta na tabela porque não está presente no mercado brasileiro. Ela apresentou resultado superior às demais e foi testada para demonstrar a eficiência do sistema Isofix, que visa melhorar não só a performance dos testes de colisão frontal, como também nos de colisão lateral.

Todas as cadeirinhas avaliadas de 0-18Kg, 0-25Kg tiveram desempenho ruim nos testes de impacto frontal, inclusive a muito usada Burigotto Matrix Evolution, Safety 1st e Cosco. Segundo os testes, elas permitiram grande deslocamento da cabeçada criança.

Em 2018 a Proteste realizou alguns testes e reprovou mais algumas cadeirinhas no mercado. Veja a lista com suas respectivas notas:

– Galzerano Piccolina: 40
– Kiddo Crescer: 38
– Safety 1st Concept: 35
– Chicco Xpace: 30
– Baby Style Cadeira 7000: 24
– Lenox Casulo: 18
– Galzerano Transbaby: 16
– Kiddo Traveller: 16
– Galzerano Dorano: 14
– Chicco Eletta: 14
– Burigotto Touring SE 3030: 10
– Lenox Caracol: 2

Lista de aprovadas, da melhor para a pior nota: Chicco Key Fit, Burigotto Touring Evolution, Cosco Auto Evolve, Burigotto Multipla.

Veja no site do Proteste todas as cadeirinhas já avaliadas e aprovadas. A lista sofre atualização periódica, de acordo com os testes realizados.

Modelos Importados

O órgão americano responsável por testar as cadeirinhas é o NHTSA (National Highway Traffic Administration). Veja no site da NHTSA a lista de modelos avaliados e considerados seguros para uso. Todos os listados foram considerados seguros (as estrelinhas da tabela se referem à facilidade do uso).

Vale lembrar que as cadeirinhas americanas usam o sistema Latch e foram testadas com essa fixação no carro, em testes de colisão frontal e lateral. No entanto a tabela pode servir como guia para quem for fixar a cadeirinha com o cinto do carro.

Modelos preferidos pelos europeus podem ser vistos em: Made For Mums (0-9Kg), Made For Mums (>9Kg), Independent. Mas nem todos possuem sistema de fixação Isofix.

Alguns modelos vêm com um “pé” para apoio no chão do carro e pode ser usado com a cadeirinha fica voltada pra frente ou para trás. Como por exemplo o modelo abaixo.

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Maxi Cosi 2Way Pearl – Vídeo: Youtube

Para quem quiser usar o Isofix

No Brasil todos os carros de projetos novos lançados a partir de 2018 estão saindo com Isofix de fábrica. A partir de 2020 a previsão é de que todos os modelos de carros nacionais deverão oferecer o recurso. Em uma busca rápida no site das Americanas encontramos cadeirinhas à venda com Isofix, a maioria ainda na faixa entre mil e dois mil reais.

Links

Leia aqui sobre o Booster Mifold Grab-and-Go, o booster compacto para usar em viagens no exterior em crianças a partir de 4 anos. Aprovado pelo FDA e órgãos europeus.

Modelos prontos e vetores gratuitos para Chalkboard

festas

Seguindo o post de tutorial de chalkboard, seguem modelos e vetores para facilitar a confecção no PicsArt.

Modelos de Chalkboard

São chalkboard prontos para completar com os dados no PicsArt, seguindo as instruções do post anterior para uso do aplicativo.

Vetores para Chalkboard

Seguem da mesma forma alguns dos melhores vetores (ícones, imagens sem fundo, recortadas) para enfeitar seu chalkboard. Você poderá encontrar novos vetores no Google, procurando como .png ou vector ou icon (exemplo: cake png, cake vector ou cake icon para encontrar um vetor de bolo) ou simplesmente fazer download da imagem em sites como KissPNG, IconFinderPixabay.

OBS1: algumas imagens infelizmente estão pouco visíveis porque o fundo do blog é branco.

OBS2: é possível recortar a imagem e utilizar somente uma parte dela.

BPA e o mito do BPA-free

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Nas últimas décadas aumentamos exponencialmente o consumo de todo tipo de plástico.

Cerca de 60 a 90% do todo lixo dos oceanos é composto de plásticos. São toneladas de embalagens de material de limpeza, de produtos de higiene e de alimentos. As matérias-primas dos canudos, por exemplo, podem levar até mil anos para se decompor.

Mas esse aumento de consumo não é relevante apenas quanto ao impacto ambiental. Substâncias presentes nos plásticos estão associadas a diversos tipos de danos à nossa saúde.

E justamente o setor de alimentos brasileiro é vice-campeão no uso de artigos plásticos no país: 19% do total do uso, ficando atrás apenas da construção civil, com 25,7%.

Bisfenol e o mito do BPA-Free

Substâncias como o bisfenol são encontradas em latas de alimentos em conserva, garrafas, embalagens plásticas, utensílios de cozinha, recibos de papel… Praticamente todas as latas de alimentos vendidas no Basil possuem bisfenol no seu revestimento interno.

Substâncias como o Bisfenol A (BPA) podem agir simulando o hormônio estrogênio: se ligam nos receptores celulares desse hormônio, podendo interferir na puberdade e fertilidade. Também aumentam a gordura corporal e podem causar problemas no sistema imunológico e neurológico.

Assim sendo, o BPA já foi associado a diversas patologias, como: aborto, tumores do trato reprodutivo, câncer de mama e de próstata, déficit de atenção, de memória visual e motor, diabetes, diminuição da qualidade e quantidade de esperma em adultos, endometriose, fibromas uterinos, gestação ectópica (fora da cavidade uterina), hiperatividade, infertilidade, modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos, obesidade, precocidade sexual, doenças cardíacas e síndrome dos ovários policísticos.

Para fugir do BPA a indústria desenvolveu o bisfenol S (BPS) e o bisfenol F (BPF), rotulando os produtos que os contém como “BPA free”. No entanto, essas substâncias são muito semelhantes quimicamente e estudos em animais demonstraram que têm capacidade de produzir efeitos similares ao bisfenol A em nosso organismo.

BPA-free não significa plástico saudável: plástico saudável não existe.

Outros aditivos

Ftalatos

São encontrados nos plásticos, brinquedos infláveis (como as piscinas), sprays de cabelo, loções e fragrâncias por exemplo. Também podem agir como hormônios, interferindo do desenvolvimento genital e podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, disfunção na tireóide e obesidade. Estudos demonstram ainda que podem diminuir a quantidade e qualidade dos espermatozóides. Algumas fontes relatam que os ftalatos podem ser responsáveis por 20% dos casos de infertilidade masculina.

PFCs 

São substâncias presentes em panelas de teflon, algumas embalagens de alimentos e cosméticos. Podem alterar a função da tireóide.

Cloreto de vinilo

Considerado como carcinogênico (associado ao câncer de fígado e pulmão, sobretudo quando inalado), está presente em plásticos de PVC. Também associados a toxicidade ao sistema nervoso central.

Estireno

Trata-se do famoso isopor, que também está presente em alguns tipos de plástico. É suspeito de ser tóxico ao trato gastrointestinal, aos rins, ao sistema respiratório, ao sistema nervoso central e é possivelmente carcinogênico.

Antimônio

Metal pesado que é potencialmente carcinogênico e, quando ingerido, está associado a problemas respiratórios (enfisema, bronquite crônica). O aquecimento das garrafas PET e a reutilização consecutiva (que leva a pequenos arranhões e erosões no material) pode liberar o antimônio no conteúdo líquido.

Tipos de plásticos

Os plásticos foram classificados de acordo com o material de que são feitos. Os plásticos mais críticos para a saúde são o “3” e “7”, embora o “6” seja também problemático quando aquecido.

  • Plásticos tipo 1 (PET): plástico transparente das garrafas de bebidas, óleo, etc. Não liberam bisfenol nem quando resfriados ou aquecidos, mas liberam antinônio quando aquecidos ou reutilizados.
  • Plásticos tipo 2 (PEAD – poliestireno de alta densidade), normalmente colorido e brilhante, dos produtos de limpeza, cosméticos e higiene, dos iogurtes e alguns sucos. Também considerado relativamente seguro.
  • Plásticos tipo 3 (PVC – policloreto de vinila) das tubulações, das embalagens de produtos de limpeza, maionese, alguns sucos, alguns calçados e brinquedos. Podem liberar BPA e ftalatos e contém cloreto de vinilo.
  • Plásticos tipo 4 (PEBB – poliestireno de baixa densidade) das embalagens de cremes e shampoos, dos sacos de lixo e plásticos filme.
  • Plásticos tipo 5 (PP – prolipropileno) das mamadeiras, tampas de garrafa e medicamentos, tupperware, margarinas, seringas. Difícil reciclagem.
  • Plásticos tipo 6 (PS – poliestireno) dos copos, talheres e pratos descartáveis, algumas embalagens iogurte e ovos. Liberam estireno quando aquecidos.
  • Plásticos tipo 7 (outros): plásticos dos utensílios médicos, telefone, escovas de dente, etc. Inclui-se nesse grupo o acrílico, policarbonato (PC), fibra de vidro, nylon, entre outros. O BPA é encontrado principalmente em embalagens de alimentos com as iniciais PC seguida do número 7.

Atenção: uma nova geração de plásticos biodegradáveis feitos de polímeros de base biológica como o amido de milho está sendo desenvolvida para substituir os policarbonatos. Eles também estão incluídos na categoria nº 7, o que pode ser confuso para o consumidor. Esses plásticos devem conter as iniciais PLA na parte inferior, perto do símbolo de reciclagem. Eles não liberam BPA.

Sugestões

  • Evitar utilizar plásticos em microondas e lava louças
  • Preferir vidro e aço aos plásticos quando possível
  • Preferir alimentos em embalagens de papel ou vidro
  • Ler os rótulos dos alimentos e cosméticos
  • Atentar para os tipos de plásticos dos utensílios de cozinha
  • Evitar plásticos com os números 3, 6 e 7
  • Não reutilizar garrafas PET
  • Evitar alimentos enlatados
  • Descartar utensílios plásticos lascados ou arranhados
  • Não utilizar esponjas de aço nos plásticos
  • Recicle: pesquise sobre a coleta seletiva no seu bairro (Comlurb/RJ)

Booster para viagens: Mifold Grab-and-Go

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Recentemente adquirimos esse booster e pudemos testar em uma viagem. Compacto e confortável, ele pode ser usado em crianças a partir de 4 anos de idade, desde que pese entre 18-45kg e com 100-145cm de altura. Além disso, ele é tão resistente quanto aço, já que é feito do mesmo alumínio utilizado na confecção de aeronaves. O booster teve sua segurança certificada conforme a legislação da União Européia, Canadá e Estados Unidos – países considerados exigentes em sua certificação. Seguem abaixo nossas impressões.

Desvantagens

A instalação não é a mais simples do mundo e demoramos alguns minutos para aprender. Não é nenhuma questão tão impactante, já que a gente acaba se habituando com o uso.

Outro ponto negativo é que a criança tem dificuldade de sair sozinha da cadeirinha, já que é necessária certa destreza para desprender o cinto dos ganchos. Na verdade, se for uma criança pequena (4-5 anos), me surpreenderia muito ela se soltar sozinha.

Ele é novo e desconheço certificação da ANVISA para esse produto. Logo, não usaremos no Brasil, pelo menos por enquanto.

Não possui encosto, não reclina e não tem proteção lateral. Veja o vídeo no post de cadeirinhas que demonstra como se movimenta a cabeça da criança no caso de um acidente com colisão lateral do veículo.

Vantagens

Tamanho e peso. É impressionante como ele é pequeno e leve, de modo que pode ser levado até na bolsa.

É ajustável, confortável no frio e calor, além de ser fácil de limpar com água e sabão e secar rapidamente no ar ambiente.

Testes de segurança demonstraram que ele é tão eficaz quanto os outros boosters. Como já foi dito, ele obedece as normas de segurança de vários países onde foi testado (América do Norte e Europa).

Economia em viagens. Isso porque acaba saindo mais em conta comprar do que alugar um booster para utilizar em vários dias de viagem.

Não encontramos cadeirinhas com encosto e proteção lateral para alugar nas agências de aluguel de carros. Assim sendo, teríamos que investir um bom dinheiro na compra de uma ou levar de casa como bagagem despachada se quiséssemos investir nesse ítem de segurança.

Outras Informações

Site do fabricante: Mifold

Vídeo do fabricante: Youtube

Onde comprar: encontramos no supermercado, mas pode ser encomendado em lojas como Amazon por em torno de 30 dólares. Infelizmente, não encontrei à venda no Brasil nem em lojas físicas nem na internet.

Dia Mundial do Autismo

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Hoje é 2 de abril – Dia Mundial da Conscientização do Autismo. O azul é considerado a cor do autismo. “Acenda uma luz para o autismo”, vista algo ou ilumine algo de azul: essa é a campanha de conscientização para o autismo no dia de hoje.

O TEA (Transtorno do Espectro Autista) ou autismo se refere a um conjunto condições caracterizadas por desafios nas habilidades sociais, fala, comunicação não-verbal (gestos), comportamentos repetitivos, bem como outras particularidades.

Os números

Estima-se que 1% da população brasileira faça parte do espectro autista – são quase 2 milhões atualmente com a síndrome em nosso país. Hoje se sabe que há muitos tipos de autismo, causados por diferentes combinações de influências genéticas, neurológicas e ambientais.

Estima-se que 1/3 das pessoas com autismo permanecem não-verbais e 1/3 têm uma deficiência intelectual – os outros 2/3 não possuem qualquer atraso no desenvolvimento intelectual.

Há maior incidência de distúrbios gastrointestinais, convulsões, distúrbios do sono, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade e fobias em pessoas autistas.

Causas

Fatores genéticos

Não há um gene especificamente causador, mas uma variedade de mutações e anomalias cromossômicas vêm sendo associadas ao autismo. O autismo é 4X mais frequente em meninos e também é mais frequente quando há história de autismo na família, sugerindo uma herança genética.

Fatores ambientais

O autismo não é regido apenas por fatores genéticos: muitos estudos sugerem que fatores como stress, infecções, exposição a substâncias químicas tóxicas, alterações metabólicas ou outras complicações durante a gravidez podem impactar no desenvolvimento do feto e levar ao do autismo.

Condições que afetam o risco

Algumas condições estão estatisticamente associadas a uma maior frequência de TEA, por exemplo: idade avançada dos pais (pai ou mãe), prematuridade extrema (antes de 26 semanas), baixo peso ao nascer, gestações múltiplas (gemelares) e gravidez com espaçamento inferior a um ano.

Reposição de ácido fólico antes da concepção (a recomendação atual é iniciar 2 meses antes de tentar engravidar) reduz o risco de autismo.

Vacinas NÃO têm nenhuma associação comprovada com o autismo.

Os sinais

Sinais de TEA podem aparecer entre 2 e 3 anos de idade e por isso é recomendada avaliação precoce no caso de alguma suspeita. Em geral é possível ver já no bebê todos os sinais de autismo presentes nas crianças maiores, porém adequados à sua idade. Por exemplo: o bebê não vai conseguir sair correndo e subir em tudo, mas vai ter comportamento mais inquieto, só querendo dormir ou ficar no colo em posições estranhas, vai se alimentar com determinados rituais, etc.

Para ajudar os pais a saber quando procurar ajuda há o questionário M-CHART indicado para uso a em crianças de 18 meses-24 meses. Ele não tem valor diagnóstico, mas ajuda a identificar os casos suspeitos, sendo indicada avaliação especializada quando o resultado for superior a 3. Veja questionário em post antigo aqui do Blog.

Para crianças maiores, muitas outras escalas existem, para serem aplicadas em entrevistas com os pais, cuidadores/professores: ASQ, ATA, CARS, ABC, ADI, ADI-R, ADOS… todos avaliando aspectos de interação, comunicação, padrões repetitivos de comportamento, interesses, atividades.

Fonte: site Entendendo Autismo

Diagnóstico Precoce

Quanto mais cedo a família e a escola forem orientadas sobre o quadro da criança, melhor será sua inserção social e aquisição de autonomia. A intervenção precoce pode acontecer mesmo antes do diagnóstico conclusivo, com intenção de estimular as potencialidades e buscar formas de adaptação para a comunicação e interação.

Assim que uma bandeira vermelha estiver levantada… estará indicada a avaliação profissional.

Produtos para crianças com necessidades especiais

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Estou empenhada em encontrar bons produtos que facilitem o dia-a-dia das mamães de crianças especiais. Inspirada nas minhas amigas e super mães de filhos com necessidades especiais, comecei a buscar cadeirinhas e outros artigos que ajudam no cuidado e no desenvolvimento psicomotor dos pimpolhos.

Primeiramente encontrei reportagens de uma cadeirinha de carro da Burigotto, o modelo Kiwy, adaptada para crianças grandes (9-36Kg) que não têm controle de cervical e tronco. Ela possui também apoio de pés e pernas. Apesar da sua produção não ter fins lucrativos, ela tem um custo bastante elevado, atualmente em torno de R$1700,00.

Buscando em sites de outros países encontrei produtos inclusive com preços mais elevados. Mas a variedade de produtos que existem sobretudo para ajudar na mobilidade é imensa.

Vou deixar aqui os links de alguns sites que encontrei com bons produtos. As imagens acima estão no Pinterest do blog, onde são encontrados também os links.

eSpecial Needs: site com milhares de artigos, desde carrinhos e cadeirinhas, até móveis, jogos e brincadeiras. Foi onde encontrei os assentos especiais com apoio acolchoados.

Easy Up AFO shoes: site de vendas dos tênis fáceis de calçar.

Alimed e Performance Health: são outros sites com múltiplos utensílios; foi onde encontrei os colares cervicais da foto acima.

The Products: é um site nacional cuja renda é revertida para novos projetos do Instituto Noisinho da Silva para inclusão de crianças com deficiências. A cadeira rosa da foto é um exemplo de produto desenvolvido pela marca, assim como a carteira escolar inclusiva, outro produto premiado desenvolvido pela The Products.

Encontrei também idéias bacanas de pessoas criativas para nos inspirar. São utensílios feitos com canos de pvc:

 

Deixo por fim um pedido para que as pessoas que tenham encontrado bons artigos nacionais deixem os contatos aqui nos comentários. Serão de grande ajuda.