O mito do leite fraco

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Colostro

É comum algumas mães pensarem que o líquido clarinho e “ralo” que sai das mamas logo após o nascimento não sustenta e é fraco. Isso é mito.

Esse líquido se chama colostro e em algumas grávidas já pode ser produzido e eliminado pelas mamas a partir do segundo trimestre. Ele é produzido antes do leite materno e sai em maior quantidade após o nascimento, com a ajuda da sucção do bebê.

O colostro é amarelado, quase transparente e sai em pequenas quantidades. Ele é pobre em gorduras e mas rico em carboidratos e anticorpos, sendo considerado a primeira vacina do bebê. É fácil de digerir e sai em quantidade suficiente para saciar o recém nascido.

O estômago do bebê é bem pequenininho e vai aumentando sua capacidade com o passar do tempo. Note que no primeiro dia de vida a capacidade do estômago é de apenas 5-7mL,  aumentando para 22-27mL  no terceiro dia e assim por diante. Pequenas quantidades de colostro certamente o satisfarão.
Capacidade do estômago do recém-nascido

Leite Maduro

Depois do nascimento, a produção de leite “maduro” é estimulada pela prolactina: quanto mais o bebê suga, mais prolactina é gerada e mais é produzido leite. A descida do leite ou apojadura costuma ocorrer em torno do terceiro dia pós-parto. Até lá, o bebê fica totalmente saciado com o colostro.

A ocitocina é o hormônio responsável pela ejeção do leite. Em situações de medo, de estresse sua liberação e produção ficam inibidas, dificultando a saída do leite.

Se você tem impressão de estar produzindo pouco leite, antes de pensar em oferecer complemento ao bebê reveja o processo de amamentação, a pega, as condições ambientais, o nível de estresse… Quem garante a continuidade da produção de leite é o bebê. Ao sugar o seio da mãe, ele estimula a secreção de prolactina e ocitocina. Ao corrigir esses fatores a tendência é a produção ir normalizando aos poucos.

É normal o bebê perder até 10 % do peso nos primeiros dias após o nascimento. A suplementação alimentar estaria indicada apenas quando a perda de peso for superior a 10 % ou quando a criança não recupera o peso após os 15 dias de vida.

Para garantir que o bebê ganhe peso adequadamente, além de garantir uma boa produção de leite deve-se seguir dois preceitos :

  • Amamentação em livre demanda: não marcar duração e nem intervalos da mamada, a regra é satisfazer o bebê !
  • Esvaziar um seio todo antes de trocar: O leite anterior é rico em água e o posterior rico em gorduras. Se o bebê mamar pouco tempo ele não chega a mamar o leite que engorda.
leite-anterior-e-posterior

Para aumentar a produção de leite

  • Beba muita água: 3 a 4 litros de líquidos por dia de líquidos. Leite materno é quase 90% água.
  • Olhe para o bebê: ajuda a liberar mais hormônios e aumentar a produção de leite.
  • Relaxe: descansar sempre que possível garante que o corpo tenha energia para produção de leite.
  • Ordenhar leite entre as mamadas e compressas mornas também são úteis.
  • Não há relato de alimentos ou chás que aumentem verdadeiramente a produção de leite. Medicamentos não são indicados.

Fragmento do livro “My Child Won’t Eat”

Do pediatra Carlos González

“Por que você quer ter mais leite ? Pensando em abrir uma fábrica de laticínios?

A preocupação que as mães apresentam sobre produção suficiente de leite é antiga: séculos atrás, quando todas amamentavam, preces eram direcionadas aos santos e às virgens “especialistas” em leite bom e abundante e as mães usavam ervas e poções com reputação sólida.

Talvez o medo venha da ignorância. As pessoas acreditavam que a quantidade de leite dependia da mãe – havia mães que produziam muito leite e outras que tinham pouco; mães que secretavam leite bom e outras que faziam leite fraco.

Na maioria dos casos, a quantidade de leite não depende da mãe, mas do bebê. Há bebês que mamam muito e outros que mamam pouco e a quantidade de leite será sempre exatamente o que o bebê retira. Exatamente? Sim.

A produção de leite é regulada minuto a minuto pela quantidade de leite que seu bebê tomou na mamada anterior. Se o bebê estava faminto e rapidamente esvaziou o seio, o leite será produzido com grande velocidade. Se, contudo, o bebê não estava muito interessado e deixou o seio meio cheio, a produção de leite será de forma mais lenta. Isso já foi demonstrado através de cuidadosos cálculos medindo o aumento no volume disponível no seio entre mamadas.

Para a mãe que tem leite insuficiente, ou seja, menos que o bebê dela necessita, uma das seguintes condições TEM que estar presente:

1. Um bebê que não mama o suficiente (por exemplo, se o bebê está doente, cheio de água com açúcar ou chazinho ou tomou mamadeira).
2. Um bebê que mama, mas incorretamente (por exemplo, se o bebê posiciona a língua incorretamente porque acostumou-se com chupetas ou mamadeiras, ou está fraco porque tem perdido muito peso ou devido a um problema neurológico).
3. Um bebê que não é permitido mamar em livre demanda, porque as pessoas querem alimentá-lo em horários rígidos ou entretê-lo com uma chupeta quando ele mostra sinais de fome.

Além dessas três circunstâncias (ou algumas poucas outras que podem ocorrer muito raramente), praticamente todas as mães terão exatamente a quantidade de leite de que o bebê delas necessita.”

” Meu filho tem 3 meses e 10 dias. Ele pesa somente 4,640g. Nasceu com 3,120g e perdeu peso nos primeiros dias, chegando a 2,760g. O maior problema é que ele nunca quer mamar. Primeiro, eu o amamentava a cada 3 horas, mas ele sempre mamou só um pouquinho. O pediatra sugeriu que eu amamentasse a cada 2 horas, mas as coisas não melhoraram e me sugeriram que eu o colocasse no peito o tempo todo. As coisas pioraram. O bebê só mama bem à noite e durante o dia quando ele está sonolento. Eu já tentei tudo o que me aconselharam: tirei leite com a bomba antes de dar o peito, assim ele pode mamar o leite mais calórico e até eliminei tudo de laticínio da minha dieta. Nada adiantou e ele está me deixando louca. Já tentei dar mamadeira e ele não quer. O pediatra disse que ele é saudável (fez vários exames de laboratório) e normal, mas estou muito estressada. Vivo em constante desespero, preocupada se ele vai mamar direito na próxima mamada ou não, sempre observando para colocá-lo no peito quando ele vai dormir e ver se ele engole. Eu não posso sair de casa, porque ele pode querer mamar. Estou preocupada porque o peso dele está abaixo da média.”

“Como o bebê vê esta situação ? Claro, ele não entende o que está acontecendo. Ele não sabe que precisa mamar 10 minutos, nem que seu peso está no percentil 7. Ele estava bem, mamando quando queria, quando de repente coisas estranhas começaram a acontecer. Ele estava sendo acordado para mamar com muita freqüência e o melhor que ele podia fazer era ser flexível, fazendo as mamadas mais curtas, claro. Algumas vezes alguém tirava o leite desnatado do início da mamada e já no primeiro gole ele recebia creme de leite, cheio de gordura e caloria. Como era de se esperar, fazia as mamadas ainda mais curtas. Naturalmente, ele não aceitava a mamadeira (“mas eu já mamei 8 vezes hoje !”). A cada mudança, ele respondia de maneira lógica, incapaz de compreender a sua mãe e os conselhos que ela recebia. Algumas semanas atrás ele começou a ter “pesadelos” estranhos. Ele sonha que um peito é introduzido na sua boca e que seu estômago enche-se de leite. A coisa mais estranha de todas é que o sonho é tão real, que ele até acorda com a barriga cheia e incapaz de mamar durante o dia. Sua mãe parece mais preocupada a cada dia que passa; ele a vê chorando e isso o assusta. Se ele pudesse falar, diria a mesma coisa que sua mãe diz à gente “ela está me deixando louco”. E se ele fosse capaz de entender o que se passa, ele certamente faria um esforço para mamar bem lentamente e ficar 10 minutos no seio (mamando a mesma quantidade, claro, não há motivo para procurar uma indigestão). E isso faria todos felizes. Mas ele não entende o que acontece e não pode fazer um gesto de boa vontade. Somente sua mãe pode mudar; senão o problema permanecerá por muitos meses ou anos.”

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