Crianças francesas não fazem manha

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Quando li o livro “Crianças francesas não fazem manha”, pensei: “devia ter lido na gravidez” e começado isso antes. Crianças francesas têm limites claros desde que nascem. Francesas não atendem o bebê no primeiro gemido que dão e isso é normal por lá. Como é por aqui “socorrer” o bebê ao menor sinal de desconforto sem dar a chance dele descobrir que pode se acalmar sozinho.

Não estou aqui dizendo que é bacana deixa bebês chorando sem o conforto dos pais. Recém-nascidos choram por não saberem demonstrar sua insatisfação ou dor de outra forma. O post O choro: entendendo e acalmando o bebê fala sobre isso. Recém-nascidos crescem… Falo aqui da nossa cultura de fazer tudo pelo filho sem estimular sua autonomia desde bem cedo. Colo é tudo de bom – dei muito e não me arrependo. Mas o bebê vai crescendo e pode ir entendendo o mundo sem que nós deixemos espaço pra ele amadurecer. Nossos filhos não são o centro da família. O cerne de uma família são os pais e é isso que as francesas sabem fazer melhor do que nós. E nesse nós me incluo.

A autora, americana, comenta uma experiência no parquinho que me marcou. Ela observava as francesas super relaxadas enquanto seus filhos brincavam, conversando umas com as outras (sobre assuntos que não giravam em torno dos cuidados com filhos). Por fim percebeu que seu comportamento era o comportamento instintivamente super protetor de uma mãe americana. E que acho muito parecido com o jeito de nós brasileiras. Ela ficava em cima da filha incentivando com elogios enquanto ela brincava (“muito bem”, “você esteve ótima”, “é isso aí”), corria pra cima na primeira queda mesmo que sem o menor sinal de choro, interferia nas brigas entre crianças, tomando partido… muito diferente das francesas.

Há várias outras coisas bacanas nesse livro. Fala de boas maneiras (como aprender a falar bom dia praticamente antes de falar mamãe ou papai), de fazer refeições à mesa com os adultos, de respeitar a hora de falar. Diferenças culturais a parte – porque valorizo muito nosso jeito amoroso e de saber ouvir a criança – o livro vale muito a leitura.

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