Uso de filtro solar na infância

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filtrosPassamos cada vez menos tempo ao ar livre. Com o aumento da incidência da deficiência de vitamina D, que pode chegar a 75% da população em algumas áreas, o uso excessivo de filtro solar tem sido motivo frequente de discussão.

A principal fonte de vitamina D é a produção endógena (interna) estimulada pelos raios solares. E o uso do filtro solar bloqueia a absorção de raios ultravioletas essenciais para a produção da vitamina. Na infância, a deficiência de vitamina D leva a uma doença óssea chamada raquitismo e nos adultos pode levar a osteoporose e outras doenças.

Mas então por que usar filtro?

  • A perspectiva é que até 2029 o câncer supere as doenças cerebrovasculares como principal causa de morte no Brasil
  • O câncer de pele é o câncer mais frequente no Brasil (30%) (Fonte: INCA)
  • Mais de 90% dos casos são provocados pelos raios ultravioleta
  • O histórico de queimaduras durante a infância é particularmente especial: ele aumenta significativamente o risco de melanoma na vida adulta
  • Mais de 75% da radiação solar que recebemos na vida se dá até os 20 anos de idade (Fonte: Detrmatologia.net)
  • A exposição aguda aos raios UV aumenta o risco de melanoma e carcinoma basocelular, enquanto a exposição crônica aumenta o risco de carcinoma espinocelular

Esse assunto é muito polêmico, inclusive no meio médico.

Dermatologistas recomendam o uso do filtro solar, diariamente, pelo menos duas vezes ao dia, com reaplicações a cada 2 horas nas exposições agudas (praia, piscina, etc). Também pedem para evitarmos o sol entre 10-16h.

Endocrinologistas pedem para mantermos no mínimo 15-20 minutos diários de exposição aos raios solares para produzirmos a quantidade necessária de vitamina D, sem filtro e sem vidro na frente (raios UV não atravessam vidro) e preferencialmente 10-16h.

Pois é…

Há que se usar o bom senso e encontrar um meio termo. Precisamos nos proteger do raquitismo e da osteoporose e precisamos nos proteger do câncer de pele.

Sobre os filtros solares

Os filtros devem ser capazes de bloquear raios UVA, UVB, infra vermelho e luz visível. Atualmente fala-se também na capacidade de proteção contra luz azul, responsável pela geração do melasma (manchas que, entre outros fatores, podem surgir na face na gravidez).

  • Radiação UVB: com penetração mais superficial na pele, provoca inflamação e vasodilatação (vermelhidão) e induz perda da regulação anti-oncogênica, aumentando o risco de câncer. Mede-se pelo FPS (dose eritematosa mínima, ou seja, quanto tempo leva pra ficar vermelho). FPS 15, por exemplo, significa que a pele leva 15 vezes mais tempo para ficar vermelha do que sem filtro. A curva de proteção faz um platô no FPS 30: proteção 95% de proteção. Qualquer proteção abaixo de 30 não é atualmente indicada. Acima de 30 o ganho diminui, de forma que o FPS 60 não protege o dobro de 30 e o 90 não protege o triplo. Curiosidade: a cosmética do filtro com FPS alto é em geral pior porque as substâncias do filtro só se estabilizam em meio lipídico, de forma que quanto maior é o FPS, mais gorduroso costuma ser o protetor.
  • Radiação UVA: penetra mais profundamente, causando degeneração de colágeno e fibras elásticas. Confere proteção contra o envelhecimento cutâneo. Mede-se por PPD, que já está começando a ser colocado nos frascos. Valor bom é no mínimo 1/3 do UVB. Curiosidade: apesar do UVB ser o principal, a radiação UVA também causa dano superficial, aumentando o risco de câncer.
  • Infravermelho e luz visível: podem provocar manchas na pele e envelhecimento.

Os produtos podem conter filtros físicos e químicos.

  • Filtros físicos são aqueles que contém substâncias que conferem mecanismo de barreira: oxido de ferro (marrom, deixa com tonalidade cor de pele e não são usados na infância), oxido de zinco e dioxido de titâneo. A cosmética deles fica mais pesada, normalmente são mais espessos e deixam a pele bem branca.
  • Filtros químicos são aqueles que contém partículas reflectantes da luz solar, que absorvem e refletem energia luminosa. A cosmética desses filtros, em geral, é mais leve. Por penetrarem na pele têm maior potencial de causar alergia nas crianças.

Adultos devem usar filtros conjugados, com componentes físicos e químicos, um pro rosto e outro pro corpo. Crianças menores de 2 anos devem usar filtro com a maior porcentagem possível de componentes físicos. Veja abaixo as recomendações por idade.

Recomendações por idade

As medidas de fotoproteção na infância diferem do adulto e têm particularidades de acordo com a faixa etária.

Bebês abaixo de 6 meses:

  • Recomendado banho de sol por curtos períodos (vide post Banho de sol): 5 a 10 minutos/dia usando apenas de fralda ou 30 minutos/dia usando roupa (expondo apenas braços e pernas), de preferência entre 7 e 10h da manhã, evitando entre 10 e 15h (16h no horário de verão)
  • Não usar filtro solar
  • Usar roupas e chapéus quando expostos ao sol por períodos mais prolongados

Acima de 6 meses:

  • Evitar exposição entre 10-15h (16h no horário de verão)
  • Preferir fotoprofetores com FPS superior a 30 e autorizados para uso infantil

(A) 6 meses a 2 anos:

  • Preferir produtos compostos em sua maior parte por filtros inorgânicos, com barreira mais física (que deixa a pele branca) do que química
  • São os filtros que em geral se intitulam “baby” ou “mineral”
  • Exemplo de filtros 100% físicos: Photoplus baby 30+ da Dermatus e Mustela Creme Minérale

OBS: Pode ser necessário usar óleo para retirar depois o filtro da pele.

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(B) Acima de 2 anos:

  • Preferir produtos com resistência à água, de fácil aplicação e espalhabilidade, como loções cremosas ou aerossóis
  • São os filtros “kids”, infantil”, ou “criança”
  • Exemplos: Avene spray enfant (infantil) 50+, Anthelios Dermo Pediatrics 60, Episol infantil, Sun Max Sensitive family 30 ou 50, Mustela 50+ (todos contém filtros químicos, mas podem ser usados em menores de 2 anos também)

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Outras marcas de filtros mais baratas e comuns nas prateleiras das farmácias foram testadas pelo Proteste quanto à proteção, espalhabilidade e alergenicidade. As marcas mais recomendadas pela entidade foram Nivea Sun infantil (para as crianças) e Solar Expertise (para os adultos). Veja pesquisa aqui.

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Como usar o filtro solar

  • Recomendado para todas as raças
  • Primeiro testar em uma pequena área  e observar se aparecem sinais de alergia (vermelhidão, coceira, descamação, manchas, bolinhas, etc)
  • Aplicar na pele vestindo a menor quantidade de roupas possível
  • 15-30 min antes da exposição
  • Reaplicar 2/2h na exposição aguda (ida à praia, piscina, clube, por exemplo) – por melhor que seja o filtro, ele não dura mais do que 4h na pele
  • Reaplicar após sair da água
  • Quantidade generosa (2g/cm2, o equivalente a 1 colher de chá) – deixar a pele muito, muito branca!
  • Lembrar de aplicar nas orelhas, pés e dobras
  • Cuidado redobrado quando estiver em locais que refletem os raios, como areia, concreto, gelo e água (a neve/gelo tem alta reflexão, queimando mais a pele do que o sol do dia-a-dia)
  • Em regiões serranas e de altitudes elevadas ficamos mais expostos à radiação também
  • O filtro deve ser o último a ser aplicado, ficando sobre outros produtos como hidratante
  • Usar mesmo em dias nublados, porque os 80% dos raios UV passam pelas nuvens

Além do protetor

  • Roupas UV: com FPS 50, dispensam aplicação do filtro na área que protegem, sendo bem prático e com efeito duradouro (não saem na água nem demandam reaplicação)
  • Chapéu: protege cabeça e cabelos (há aqueles com proteção UV FPS 50)
  • Óculos escuros: protegem os olhos, quando são de boa qualidade
  • Guarda-sol:

Os tecidos possuem uma medida chamada Fator de Proteção Ultravioleta (FPU). O algodão e o nylon apresentam uma capacidade de fotoproteção bem menor do que as fibras sintéticas, como o poliéster e a poliamida. A cor mais intensa absorve mais a radiação, servindo como um filtro. A cor escura por isso protege mais, mas como ela aquece mais também, em geral, a cor intermediária seria mais recomendada.

Existem guarda-sóis de lona que bloqueiam em torno de 50% da radiação. A loja UV line vende guarda-sóis que bloqueiam 98% da radiação UVA e UVB. Na Decathlon vende o PARUV da Tribord com praticamente a mesma proteção e bem mais em conta.

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Inmetro realizou um estudo avaliando o FPU das marcas comuns do mercado. A classificação máxima foi 50+. As marcas com proteção 50+ foram: Belfis, BlueMan, Botafogo, Kim, Mor Casa e Lazer. Náutica = 5!!! Carrefour=0!!!

Nivea Doll

São bonecos desenvolvidos pela Nivea que ficam queimados ao serem expostos ao sol. São bonitinhos e servem para demonstrar para as crianças a capacidade de proteção do filtro. Veja vídeo promocional no Youtube. Encontrados em farmácias e no Mercado Livre.

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Pulseiras UV (UV Wristband)

Medidoras de radiação UV, elas mudam de cor indicando a hora de reaplicar o filtro. Encontrei alguns modelos na Amazon e Ebay. A maioria dos modelos é descartável e à prova d’água. Cada vez que aplicar o filtro na criança, basta aplicar também sobre a pulseira. Há também modelos de silicone que podem ser reutilizados.

 

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Participação especial do marido e dermatologista, Daniel Fernandes Melo.

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