Tratamentos para cabelos e pele durante a gestação e amamentação

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Durante a gestação e amamentação as mamães que desejarem manter os cuidados com os cabelos e a pele deverão atentar para as restrições do uso de alguns produtos nessas fases. Muitas são as substâncias que podem causar danos ao bebê durante a gestação, pela sua capacidade de atravessar a placenta ou, durante a amamentação, pela sua capacidade de ser transmitido pelo leite.

Tratamentos para os cabelos e seus riscos

Ainda não foram estabelecidos critérios para o uso seguro da maioria dos tratamentos capilares durante a gestação.

Estudo brasileiro em 2013 sugeriu associação de leucemia na infância com uso de tintura e alisantes durante gestação. Estudo feito em 2005 sugeriu uma associação entre o uso de tintura nos cabelos durante a gestação e o desenvolvimento na infância de um tipo de tumor chamado neuroblastoma. Outros estudos não chegaram à mesma conclusão e a maioria dos pesquisadores acredita que seja pouco provável a associação desses tumores com uso de produtos para os cabelos.

Pouquíssimos são os estudos feitos em seres humanos, mas estudos feitos em animais testaram doses até cem vezes maiores que as usadas nos produtos para humanos sem causar alterações no desenvolvimento fetal.

O que se sabe

  • O primeiro trimestre (três primeiros meses) é a fase crítica para o desenvolvimento do feto e gestantes devem ter atenção redobrada nesse período.
  • Formol em altas doses pode aumentar o risco de tumores e provocar alterações no desenvolvimento fetal, bem como contamina o leite materno.
  • O acetato de chumbo está presente nas tinturas gradativas próprias para colorir cabelos grisalhos, sendo permitido pela ANVISA na concentração máxima de 0,6%. Estudos indicam baixa absorção desta substância pelo couro cabeludo nessa concentração.
  • Chumbo em altas doses podem causar metahemoglobinemia (com baixa oxigenação, cianose), malformações e distúrbios no desenvolvimento neurológico do feto, bem como contaminam o leite materno.
  • Amônia é absorvida pela pele e inalada através da fumaça gerada, podendo em teoria passar para o leite materno. No entanto, não há comprovação científica de que haja absorção de quantidade significativa de amônia nem do quanto ela seria transmitida ao leite materno. Não há estudos de segurança para uso de produtos com amônia durante a gestação e lactação.
  • Outras substâncias como parafenilendiamina (PPD) e alcatrão estão com frequência presentes nas tinturas permanentes e são potenciais cancerígenos. Podem aumentar o risco de câncer de bexiga e leucemias nas mulheres.

Tinturas para os cabelos

Todas as tinturas devem ser evitadas no primeiro trimestre da gestação.

Após e no período de amamentação, deve-se preferir uso de tinturas sem amônia e sem metais pesados – ex: as tinturas temporárias e as semi-permamentes, como os tonalizantes (ex: Color Touch, Natucor, Dédicace, Casting) e a hena (marcas que não contenham chumbo – ex: Surya). O uso desses produtos costuma ser liberado para uso baseado no conceito teórico de que não contêm substâncias que causam dano. Não há, no entanto, estudos científicos garantindo a segurança.

Tinturas permanentes são acrescidas de amônia (que alcaliniza o pH da fibra capilar e permite maior penetração da tinta) e na maioria das vezes outras substâncias, como o chumbo. A amônia não tem estudo de segurança que libere seu uso e o chumbo é sabidamente tóxico, logo, tinturas permanentes devem ser evitadas durante toda a gestação e amamentação.

Em geral as luzes costumam ser liberadas a partir do segundo trimestre de gestação (conforme orientação do seu dermatologista) porque o produto não entra em contato direto com o couro cabeludo. Água oxigenada não é um consenso pela falta de estudos que demonstrem sua segurança de uso.

Outras orientações

  • Seguir as instruções da embalagem, não deixando o produto em contato com o couro cabeludo mais que o tempo indicado.
  • Usar luvas e enxaguar bastante os cabelos após o uso do produto.

Sobre o INOA

A L’Oreal tem uma linha de tinta permanente chamada INOA (inovação sem amônia) que substitui a amônia por uma mistura de óleos minerais e monoetanolamina. Está disponível apenas nos salões e tem os benefícios de reduzir o odor desagradável da tintura e agredir menos os fios – os cabelos com amônia ficam mais secos e quebradiços. De acordo com a bula, não contém chumbo nem PPD nem alcatrão. Não há estudos que liberem o uso durante a gestação, mas muitas pessoas têm arriscado o uso após o primeiro trimestre e no período de aleitamento.

Alisamentos e permanentes

Nenhum método é liberado durante o período de gestação e amamentação por falta de estudos que garantam a segurança.

São proibidos aqueles que contenham tioglicolato, formol em qualquer quantidade ou ácido glioxílico (quando aquecido se transforma em formol). Aqueles que utilizam hidróxido de sódio ou potássio ou combinação de hidróxido de cálcio e carbonato de guanidina foram pouco estudados na gestação e não têm uso liberado, no entanto os poucos estudos feitos não encontraram danos ao feto. Não há estudo do uso desses produtos durante a amamentação.

Outros tratamentos para os cabelos

Métodos de hidratação mais profunda: queratinas e demais tipos de hidratação são liberados para uso na gestação e amamentação.

Escova e chapinha: tratam-se de atos mecânicos, sem efeito no bebê, logo estão liberadas.

Spray fixador e gel: liberados para uso.

Protetor solar

Gestantes devem preferir produtos compostos em sua maior parte por filtros inorgânicos, com barreira mais física do que química. Filtros químicos não devem ser usados por falta de estudos que garantam segurança. Exemplo de filtros 100% físicos liberados para uso nas gestantes: Photoage 50 mineral color da Dermage, Photoplus color 30 da Dermatus,  Sheer Physical Uv Defense 50 da Skinceuticals. Esses filtros são para uso na face. No corpo, como esses filtros são muito caros, o ideal é usar medidas físicas, como roupas com proteção UV.

Depilação

Liberado uso de ceras e lâminas. Proibido o uso de cremes depilatórios com tioglicolato de amônia, pois pode haver absorção da substância pela pele. A depilação a laser é proibida gestação, mas permitida na fase da amamentação.

Cosméticos e cosmecêuticos

Produtos anti-idade: proibido às gestantes o uso de produtos que contenham em sua fórmula ácido retinoico, glicólico, ácido salicílico (acima de 2%) e hidroquinona. Devem ser interrompidos três meses antes do início da gravidez pelo risco potencial de malformações fetais.

Tretinoína tópica e adapaleno: apesar de aparentemente não serem absorvidos pelo feto, faltam estudos que garantam sua segurança e seu uso na gestação deve ser evitado.
Isotretinoína oral: proibida pelo risco de malformação fetal grave.

Hidratantes e esfoliantes: não podem conter uréia acima de 3% pela capacidade de absorção pelo feto e falta de estudos de segurança.

Xampu anticaspas: não podem conter cetoconazol.

Xampu contra piolhos: proibidos na gestação e amamentação.

Sabonetes anti-sépticos: como em qualquer pessoa, só devem ser usados no caso de alguma infecção da pele e prescritos pelo médico.

Laseres e toxinas botulínica (botox por exemplo): proibidos na gestação por não haver estudos que garantam a segurança.

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