Atividade física na infância

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O estudo “Geração 5.0 – os novos pilares da infância” desenvolvido em 2011 pelo canal Nickelodeon com crianças entre 6 e 11 anos mostrou que o Brasil é o país onde menos se pratica esporte nas escolas em toda a América Latina. A mesma pesquisa mostrou que enquanto em 2003 75% das crianças andavam de bicicleta, em 2011 esse número caiu para 41%. Atualmente, em torno de 50% das crianças praticam futebol, enquanto 87% jogam videogame.

As mudanças do nosso contexto social e econômico associados à falta de segurança nas cidades vêm provocando mudanças profundas na vida das crianças, com redução no tempo ao ar livre, das brincadeiras tradicionais e maior tempo de uso dos eletrônicos.

Benefícios da atividade física

Do ponto de vista físico, o exercício tem como benefícios: prevenir a obesidade, aumentar o apetite, melhorar a qualidade do sono, aumentar a capacidade respiratória, reduzir o estresse, o risco de diabetes e hipertensão no futuro. Ele também melhora a flexibilidade, o equilíbrio, a coordenação motora, a consciência corporal e espacial e inclusive a habilidade de escrita. Vários estudos mostram que quem pratica esporte tem melhor aproveitamento escolar.

Além disso, a atividade física também é importante para o desenvolvimento social: o aprendizado de regras, de manejo de conflitos e frustrações, a noção de trabalho em equipe, as trocas de experiência, a melhora da auto-estima.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a prática de, no mínimo, 60 minutos de atividade física todos os dias para as crianças de 5 a 17 anos.

Nesse tempo podem e devem estar incluídas as atividades de lazer e os deslocamentos, além das atividades esportivas.

Esporte X Atividade física

Qualquer movimento do corpo que provoque gastos de energia pode ser considerado atividade física, como correr, pular, carregar objetos. Já esporte é uma atividade física organizada com objetivo de desenvolver habilidades específicas.

Exercícios por faixa etária

A maioria dos especialistas indica início de prática esportiva que envolva competição apenas a partir de 7-8 anos. Antes disso, as brincadeiras deveriam acontecer em um contexto mais lúdico, sem estimular a competitividade. As crianças ainda estariam em uma fase de aprendizado, tanto das regras, quanto emocional e da capacidade motora. A idéia é incentivar que as crianças estejam bastante à vontade e que a brincadeira seja divertida, sem pressão para ser a melhor nisso ou naquilo.

É muito comum encontrar profissionais de educação física sem treinamento focado nas individualidades da criança, respeitando sua  falta de maturidade física e emocional. As crianças podem ficar mais sujeitas a lesões físicas e mais desmotivadas. Ao insistir e cobrar resultados o professor pode sem querer levar a criança a desistir precocemente daquele esporte.

Pra quem quiser se aprofundar no assunto, a Universidade do Futebol tem um texto muito bom a respeito.

Por faixa etária, então seria assim:

6 meses a 4 anos: idade de brincar livremente, de fazer descobertas e explorar o ambiente. Correr no quintal, dentro de casa, brincar de faz de conta.

5 a 7 anos: idade de explorar mais os limites do corpo, de estimular jogos com poucas regras. Idade de brincar e não de treinar de verdade. Brincar de amarelinha, jogar bola, andar de bicicleta, esconde-esconde, pega-pega.

a partir de 7-8 anos: idade de maior domínio das regras e da coordenação motora, de incentivar a iniciação nos esportes. Futebol, judô, capoeira, balé, circo, ginástica olímpica e artística, hipismo, natação, tênis, entre muitos outros. As atividades esportivas, segundo a OMS, deveriam ter sua prática incentivada na frequência mínima de 3x/semana.

Natação com segurança

A natação é considerada um dos esportes mais seguros do ponto de vista osteoarticular para a criança e adolescente. É um esporte de baixo impacto que trabalha grande variedade de grupamentos musculares, não sendo considerado o esporte adequado apenas para crianças que apresentem quadros de otite com frequência.

Afogamento é uma das principais causas de morte na infância e muitos pais inscrevem seus filhos em aulas de natação pensando na prevenção de acidentes. Mas no caso de crianças muito pequenas (até 3-4 anos), elas não vão aprender o suficiente para escapar de um afogamento e, por outro lado, com a prática, vão se sentir mais à vontade no ambiente aquático e se tornar mais ousadas.

A natação para os pequenos é excelente e tem muitos benefícios como atividade física, mas um cuidado extra na atenção à criança, na verdade, vai se fazer necessário para evitar acidentes. As aulas apenas começam a fazer diferença na prevenção de acidentes quando ministradas a crianças a partir de 6 anos, mais ou menos.

Esportes de impacto com segurança

Muitos pais acreditam que a prática de alguns esportes podem interferir no desenvolvimento físico da criança.

É verdade que as crianças são mais susceptíveis a lesões físicas quando praticam esportes com impacto e que exijam muita força – seja qual for a modalidade. O fechamento das epífises (extremidades) dos ossos pode ser acelerado por exercícios com carga, deixando a criança com menor estatura. Excesso de atividade física consome hormônios de crescimento e propicia a liberação precoce dos anabolizantes (testosterona). A testosterona aumenta a calcificação das epífises e diminui a velocidade de crescimento.

A ginástica olímpica e musculação são consideradas as práticas esportivas que mais provocam dano nas articulações, na coluna vertebral e nas epífises ósseas. Além desses, sobrecarga de futebol e tênis podem igualmente levar a baixa estatura e assimetria corporal (pernas curtas), devido  ao fechamento precoce das epífises das pernas.

De um modo geral as meninas estão prontas a realizar exercícios de fortalecimento muscular após o início dos ciclos menstruais, o que significa cerca de 2 anos após o aparecimento do broto mamário. Os meninos estão liberados para exercícios mais pesados no final do seu estirão de crescimento.

Modalidades esportivas

Especialistas sugerem um rodízio de esportes para ampliação do acervo motor da criança e desenvolvimento de prazer na prática esportiva.

No lugar da criança se especializar desde cedo em uma atividade, quanto mais esportes ela tiver acesso desde cedo, mais oportunidade a criança teria de desenvolver todas as suas habilidades. Também maior seria a chance descobrir aptidões e de se tornar um adulto ativo e saudável.

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