A importância da criança andar descalça e o sapato ideal

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No primeiro ano de vida a criança começa a adquirir a marcha e as memórias neurológicas necessárias para um bom desenvolvimento psicomotor. E é pisando no chão irregular que o cérebro é estimulado das mais diversas formas e que a criança aprende a se equilibrar, desenvolvendo uma marcha adequada.

Mas não é só no primeiro ano de vida que o andar descalço se faz importante. O calcanhar só termina seu desenvolvimento aos 5 anos de idade, a marcha da criança somente após os 7 anos de idade se assemelha à do adulto e a estrutura óssea dos pés, pernas e coluna apenas após o fim do estirão de crescimento têm seu desenvolvimento completo.

Como os sapatos influenciam na marcha

Resumidamente, o ciclo da marcha é composto por duas grandes fases: 60% do ciclo é gasto na fase de apoio, com os pés no chão recebendo o peso do corpo, enquanto os outros 40%  são a fase de balanço, em que um dos pés está fora do chão.

Ao usarem sapatos as crianças caminham mais rápido, com passos mais largos e maior movimento do tornozelo e joelho, usando mais a musculatura anterior da tíbia. Além disso, os sapatos reduzem o movimento dos pés e aumentam a fase de apoio da marcha, deixado os pés mais tempo no chão. Durante uma corrida eles ainda reduzem a velocidade das pernas na fase de balanço e atenuam o movimento de apoio dos calcanhares – graças ao peso e rigidez atrapalhando o processo.

Como os sapatos influenciam na anatomia dos pés

As crianças nascem com os pés mais arredondados que os adultos, mais estreitos no calcanhar e largos na frente. Também nascem mais flexíveis: os pés infantis têm mais cartilagem para que eles possam crescer junto com a criança. Vão calcificando e se tornando mais duros progressivamente até a idade adulta.

Por esses motivos, da mesma forma que alteram a marcha, os sapatos rígidos e apertados aumentam o risco de deformidades nos pés.

Sapatos com saltos

O salto diminui a base de sustentação do corpo e por isso o problema mais comum com o uso dos saltos é o desequilíbrio levando à entorse. Algumas lesões podem inclusive ser mais graves, com acometimento dos ligamentos e necessidade de tratamento cirúrgico.

Saltos elevam o calcanhar com encurtamento do tendão de Aquiles, esmagam os dedos dos pés forçando a uma posição dobrada e encurtam os músculos das panturrilhas. Além disso, desalinham o quadril e coluna e impõem uma maior pressão nos joelhos.

Como consequência, deformidades permanentes e dores crônicas nos pés, tornozelos, panturrilhas, joelhos, quadril e coluna podem ser ocasionados pelo uso regular de saltos.

A fadiga muscular pode levar à diminuição da força na perna e da amplitude de movimentos normais dos pés. Pode alterar a postura e levar à hiperlordose (aumento da curvatura) lombar e cervical. A atrofia da panturrilha pode não ser reversível e a criança pode se tornar um adulto com dor ao alongar a panturrilha e que só anda confortavelmente na ponta dos pés.

Por todos esses motivos a recomendação é liberar o uso de saltos somente após os 12 anos de idade. E o salto recomendado, mesmo que para uso eventual, seria de no máximo 2 centímetros – sobretudo para uso regular.

O sapato ideal

Com o fenômeno atual do uso de sapato tipo adulto na infância vai ficando cada vez mais difícil escolher um sapato adequado. O mercado está cheio de sapatos com LED, purpurinas, personagens, a maioria cada vez mais distante do que seria considerado ideal para o desenvolvimento da criança.

O sapato infantil ideal deve promover uma sensação que se assemelhe a andar descalço. Ele deve ter:

  • bico arredondado
  • solado apropriado para que não derrape com facilidade
  • material flexível que permita que os pés se dobrem
  • tamanho adequado, não sendo de número maior nem menor que o da criança (para que não aperte sem saia facilmente dos pés)

À medida que a criança cresce, é recomendado um sapato com solado que absorva mais impacto, como os tênis, sobretudo quando for praticar atividade física.

Em resumo, devem ser evitados ao máximo: materiais pouco flexíveis e apertados, dianteira estreita apertando os dedos, saltos de qualquer espécie. Sapatos de plástico devem ser usados com uma atenção extra, já que dificultam a transpiração e aumentam a chance de infecção por fungos e bactérias.