Criança com sapato de salto: pode?

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Minha filha adora se fantasiar de princesa e existem uns sapatos lindos da Disney® que acendem. Ela viu e pediu. Mas sei que se comprar ela vai querer usar o tempo todo e eles têm um problema: todos desse tipo têm saltos. Por que a Disney® tinha que fazer sapatos de princesas para crianças pequenas tão atraentes e com saltos?

Porque os saltos fazem mal

Como foi falado em post anterior, o desenvolvimento ideal dos pés acontece no ambiente descalço. É pisando no chão irregular que o cérebro é estimulado das mais diversas formas e que a criança aprende a se equilibrar, desenvolvendo uma marcha adequada.

Crianças nascem com os pés mais arredondados que os adultos, mais estreitos no calcanhar e largos na frente. Também nascem mais flexíveis: os pés infantis têm mais cartilagem para que eles possam crescer junto com a criança. Vão calcificando e se tornando mais duros progressivamente até os 18 anos mais ou menos.

O salto diminui a base de sustentação do corpo e por isso o problema mais comum com o uso dos saltos é o desequilíbrio levando à entorse do pé.

Algumas lesões podem inclusive ser mais graves, com acometimento dos ligamentos e necessidade de tratamento cirúrgico.

Saltos elevam o calcanhar com encurtamento do tendão de Aquiles, esmagam os dedos dos pés forçando a uma posição dobrada e encurtam os músculos das panturrilhas. Além disso, desalinham o quadril e coluna e impõem uma maior pressão nos joelhos.

Como consequência, deformidades permanentes e dores crônicas nos pés, tornozelos, panturrilhas, joelhos, quadril e coluna podem ser ocasionados pelo uso regular de saltos.

A fadiga muscular pode levar à diminuição da força na perna e da amplitude de movimentos normais dos pés. Pode alterar a postura e levar à hiperlordose (aumento da curvatura) lombar e cervical. A atrofia da panturrilha pode não ser reversível e a criança pode se tornar um adulto com dor ao alongar a panturrilha e que só anda confortavelmente na ponta dos pés.

Por todos esses motivos a recomendação é liberar o uso de saltos somente após os 12 anos de idade ou após o término do estirão de crescimento. E o salto recomendado, mesmo que para uso eventual, seria de no máximo 2 centímetros. Sem exagero nenhum, esse seria o salto recomendado para qualquer pessoa, inclusive adultos.

E agora?

E agora cabe a nós decidir o que é apropriado para nossos filhos. E saúde tem que vir primeiro na lista de prioridades.

O sapato é só para uma brincadeira? Lindo, purpurinado, que acende, da princesa favorita? Ou vai ser o preferido, aquele que a criança vai querer usar sempre?

Por aqui foi vetado.

Então… Disney®… Dá pra fazer o sapato sem salto para nossas pequenas?

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