Santiago e arredores com crianças: roteiro de viagem no outono

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O Chile é um país incrível. Sua natureza mesclada com o senso de coletivo e a noção de cidadania do seu povo me cativaram. Fomos há 10 anos sem filhos e voltamos agora muito mais impressionados. Santiago é inspiradora, totalmente segura e kidsfriendly. E Cajon del Maipo é um lugar de paisagens apaixonantes.

Uma viagem para Santiago pode ter passeios diferentes dependendo da época do ano. No outono há a colheita das uvas e muitas folhas amarelas no chão. A colheita de uvas geralmente é de março até início de abril. No inverno é possível curtir a neve e esquiar. A temporada de ski varia de ano a ano e deve ser consultada, mas em geral vai de julho ao início de setembro. Na primavera as montanhas ainda têm neve, deixando a paisagem linda com o clima mais ameno. No verão é possível ir até o litoral e curtir as praias próximas da região (como a Playa Canelo).

Sobretudo fora do inverno, quando as estradas ficam mais seguras, é possível conhecer a região de Cajon del Maipo, na base da Cordilheira dos Andes. Além das vinícolas de Santiago, é possível conhecer os vinhedos na região de Casablanca, que ficam carregadas de uvas em março e abril, quando acontece a festa da Vendimia – a colheita das uvas.

Nossa viagem foi no outono, no mês de abril, e as crianças estavam com 4 e 7 anos.

Dia 1: Compras

Chegada e descanso no hotel. Compras para o café da manhã. Ficamos hospedados no bairro da Providencia – bairro residencial de classe média alta, bem central, com bons hotéis, porém longe do comércio e metrô. Bom para quem está alugando carro (nosso caso) ou quem vai usar somente Uber ou transfer durante a viagem.

Opção: eu teria feito o Shopping Costaneira nesse dia se não estivéssemos tão cansados. Há um supermercado no térreo do shopping e restaurantes bons, além do elevador com vista panorâmica e das lojas. Eu também teria preferido ficar hospedada no bairro Lastarria, charmoso, próximo ao metrô e ao comércio.

Dia 2: Zoo e Cerro

Passeio no Zoologico Nacional e funicular. O zoo é na base do Cerro (morro) San Cristobal, onde se pode subir com funicular (um tipo de bondinho que sai da estação Pio Nono)

Entramos direto pelo zoo. Adoramos o zoo e as criaças curtiram muito. Ele é uma subida, o que pode ser cansativo para quem estiver com crianças muito pequenas. No alto há um ponto de parada do funicular e de lá seguimos para o cerro.

Opção: o funicular não segue direto até o topo, ele para no meio do caminho na entrada superior do zoo. Desta forma, é possível pegar o funicular e descer na entrada superior, fazendo o passeio de cima pra baixo. Pode-se visitar o topo do cerro e na volta descer no zoo.

O Cerro San Cristobal é onde fica localizado o santuário e a estátua da Imaculada Conceição e é um local com linda vista das cordilheiras. Em abril era outono e não vimos neve nas cordilheiras vistas de Santiago – a visão era como abaixo, no verão. Na primavera ainda pode haver um pouco de neve, é a época do degelo.

Zoo: terça a domingo de 10 a 18h. Ideal entrar até 13h. 

Funicular: terça a domingo das 10h às 20h. Segunda das 13h às 20h. 

Dia 3: Cajon del Maipo

Cajon del Maipo com Termas Colinas e Embalse el Yeso – passeio fechado com a empresa Destino Chile. O passeio costuma custar 35.000 CLP (pesos chilenos) a 45.000 CLP por pessoa para o Embalse. Pagamos 50.000 CLP por adulto e 20.000 CLP por criança para ir ao Embalse com Termas Colinas no mesmo dia.

Cajon de Maipo é uma região na base da Cordilheira dos Andes com paisagens naturais incríveis. É possível chegar de carro em 1h-1:30 até a cidade de San Jose del Maipo, mas a partir daí deve-se seguir por mais algumas horas (2h-2:30 até as termas e/ou 1h-1:30 até o Embalse) e o caminho é por perigosas estradas de terra – estreitas na beira das montanhas. Por esse motivo o passeio não é muito recomendável no inverno, quando as estradas estão cobertas de neve. Sobretudo as estradas para o Embalse.

O passeio começou bem cedo e as crianças foram dormindo na van. O guia parou na cidade de San Jose del Maipo para que as pessoas tomassem um café e/ou comprassem lanches.

Fomos direto para as termas, com águas aquecidas que brotam da terra em temperaturas que variam de 37 a 63 graus. São distribuídas em sete piscinas: as localizadas na parte mais elevada são mais quentes e elas vão resfriando até a mais baixa. Quando fomos a mais quente escaldava a pele, ninguém conseguiu entrar. A mais baixa já estava bem quente e só ficamos nela.

Não tem wifi na região e a estrutura do local é mínima: banheiros e vestiários simples e limpos. Já fomos de biquini e sunga e optamos por retirar a roupa na beira da piscina e entrar de vez. O vento era frio e pensei que as crianças não fossem entrar. Mas fizemos tanta propaganda e estávamos tão animados que acho que a idéia colou…

Preciso dizer que é desconfortável tirar a roupa no vento frio e entrar na água quente, dá uma sensação de queimação na pele. O marido mergulhou de vez, mas eu e as crianças entramos bem aos poucos. As crianças reclamaram um pouquinho na hora de entrar, mas amaram depois.

Foi tanta curtição nas piscinas que adoramos. O visual é incrível, havia neve perene no topo das montanhas. As crianças brincaram com a lama que se forma em algumas partes das piscinas e mergulharam muito. É uma experiência única mesmo. Eu achei imperdível, mas não recomendaria no inverno e nem com crianças muito pequenas.

A pior parte foi sair da água… No outono em Santiago fazia 15 graus, mas na base da Cordilheira estava fazendo 5 graus. Levamos toalhas (NÃO HÁ PARA ALUGUEL NO LOCAL), então secamos as crianças na beira da piscina e as vestimos ali mesmo. O banho ficou para o hotel – impossível dar banho naquele frio. Fizemos isso tudo enquanto estávamos batendo os dentes e depois saímos correndo pro vestiário pra nos trocar. Complicadinho, mas nada que tirasse o brilho da experiência.

Depois disso, fizemos um piquenique incluído no passeio. Fomos servidos com tábua de frios, pães, azeitonas, amendoim e vinho. Como estávamos com as crianças levamos uma macarronada em um pote de isopor, além de bebidas e os lanches. Depois do almoço, seguimos para o Embalse.

O Embalse é uma represa de onde vem a água que abastece Santiago. É de um azul lindo e mesmo no outono as montanhas estavam com neve perene nos picos. É uma parada rápida, mas que rende lindas fotos.

Daí mesmo após alguns minutos retornamos para o hotel, com as crianças dormindo na van.

Dia 4: ParqueMet e Centro

Ida ao Parque Metropolitano (ParqueMet). Era fim de semana e enquanto ficamos em uma enorme fila para compra dos ingressos do teleférico, as crianças ficaram brincando em um playground bem bacana na entrada do parque.

Subimos de teleférico e descemos na primeira parada para visitar a praça Gabriela Mistral. Em uma curta descida por escadas chegamos a esse parquinho imperdível para os pequenos.

Opção: esse passeio pode ser feito no mesmo dia que o zoo. Pode-se começar pelo teleférico do ParqueMet, descer na primeira parada e curtir a praça, depois pegar novamente o teleférico até o topo do Cerro San Cristobal. Após curtir o visual do Cerro, pode-se descer de funicular até a base entrar no Zoo. Atentar para o fato de que o funicular não para na entrada superior do Zoo na descida. É necessário descer e pagar novamente para subir. Outra desvantagem é deixar o carro do outro lado do cerro (no Parque Met) e ter que ir buscar depois.

Depois do ParqueMet fomos passear no centro. Fizemos apenas uma caminhada para fotos.

Plaza de Armas, Paseo Ahumada (calçadão com muitas lojas e, se tiver sorte, algumas apresentações de artistas de rua – como na foto abaixo), Palacio La Moneda (cede do governo; é possível entrar gratuitamente e visitar o pátio interno), Catedral Metropolitanaquarteirão Paris-Londres (encontro das rua Paris com a rua Londres, cheio de casarões charmosos).

Fomos ao Mercado Central, mas não recomendo. Achei feio, os restaurantes caros e não vi nada imperdível. Os restaurantes do topo do Shopping Costanera têm restaurantes com os mesmos preços em local muito mais convidativo.

Terminamos a noite no Shopping Costanera: subimos no elevador que leva ao topo, o Sky Costanera, maior prédio da América Latina. Passeio caro, mas com vista linda no final do dia. Recomendo uma parada na loja Casa&Ideias. Seguimos para o jantar. As crianças curtiram ver o aquário na entrada do restaurante Costamia – lindo de ver.

Parque Metropolitano: 8h30 às 19h. Entrada e teleférico na rua Pedro de Valdivia.

Dia 5: Vinhedo e Viña del Mar

Acordamos tarde e fomos ao restaurante-vinícola House Casa del Vinho (vide post do Viajando com Pimpolhos). Essa vinícola é bem pequena, o restaurante é bem charmoso, tem um menu de poucos pratos, mas tem prato infantil, parquinho e o ambiente e a comida são deliciosos. Almoçamos em paz ao lado das uvas enquanto as crianças brincavam. Era Páscoa e escondemos os ovinhos no meio da vinícola. Tinha uvas ainda nos pés, foi inesquecível. Site: House Casa Del Vino. Endereço: Ruta 68, em Casablanca.

Daí seguimos para Vina del Mar. Passamos por muitas vinícolas no caminho, na região de Casablanca. Quem dispuser de mais tempo vai apreciar visitar a região.

Em Viña del Mar apenas caminhamos na praia – há muitos  brinquedões em toda a orla. Fomos a três e as crianças queriam ter ido a mais. Como surpreendidos por um peixe-boi nadando na beira do mar e as crianças se molharam bastante pra vê-lo mais de perto. Foi outro momento inesquecível.

Os leões marinhos gostam de descansar em uma área de pedras na praia do bairro de Reñaca – ponto turístico da região. Fomos até lá, basta seguir a orla, mas havia poucos animais e nas pedras mais afastadas.

Outro pontos, que não visitamos, são: relógio de flores, Museu Fonck (com fósseis dos Andes e Ilha de Páscoa, além de uma estátua moai original no jardim), Museu Artequin.

Valparaíso é uma região com menos estrutura turística e não visitamos nesse viagem.

Dia 6: Parque Bicentenário

Parque Bicentenário com almoço no restaurante Mestizo. O Parque Bicentenário é uma área verde enorme, com algumas aves e um playground bem legal para as crianças. O Mestizo é um restaurante super bem recomendado. Não é barato, mas dá vista para o parque e tem comida excelente.
À noite fomos novamente ao shopping, sem as crianças, e caminhamos na rua Pio Nono no bairro de Bellavista, repleto de bares e restaurantes – perto do nosso hotel em Providencia.

Dia 7: Museus

Era segunda-feira e todos os museus estavam fechados. Retornamos para casa, tristes por não termos conseguido ir a nenhum, mas muito felizes de termos visto Santiago com um olhar diferente e deixando gostinho de quero mais.

Quando voltarmos (e voltaremos) queremos muito conhecer:

Museu Interativo Mirador: atividades interativas para as crianças aprenderem noções de eletromagnetismo, luz, mecânica e robótica, por exemplo. Me parece um conceito semelhante ao Museu Catavento de São Paulo.

Museu de História Natural: conta a história da civilizações antigas como o povo Rapa Nui da Ilha de Páscoa e do Império Inca e têm animais empalhados, dinossauros e ossos da baleia azul.

Museu Artequin em Santiago e Viña del Mar: réplicas de obras de arte para as crianças poderem tocar – achei incrível!

Museu de Arte Precolombino: esculturas, vasos, utensílios, múmias dos povos pré-colombianos da América. Passeio bastante elogiado também.

La Chascona: casa de Pablo Neruda, no bairro da Providencia, perto do zoo.

Vinícolas

O outono é justamente a melhor época para visitar as vinícolas, antes da colheita das uvas – a Vendimia, que acontece no final de março ou início de abril. No inverno as plantas estão sem folhas e a paisagem não fica tão impressionante.

Em Santiago há excelentes vinícolas para serem visitadas por conta própria, como a Concha y Toro e Undurraga. O Nós no Chile tem uma excelente matéria que explica as diferenças e com chegar em cada uma delas. A vinícola Aquitania, por exemplo, é bem próxima ao centro de Santiago, sendo possível acessar de metrô e um curto percurso de taxi. Fica na região do Vale do Maipo, na base da Cordilheira dos Andes e tem um visual incrível.

O Vale de Casablanca é uma região a menos de 80Km de Santiago, acessível de carro. Veja vinícolas lindas da região no Destino Chile.

O Vale do Colchagua é uma região a 150Km de Santiago, repleta de vinhedos, sendo possível visitar de carro, pernoitando alguns dias. Veja opções de vinícolas no Destino Chile.

Vale Nevado

Nessa época do ano, a vista do Cajon del Maipo, com neve nos picos da cordilheira, o embalse e as termas, me pareceu muito mais impressionante. Mas no inverno e na primavera, quando ainda há neve, uma subida no vale é um passeio imperdível, sem dúvida.

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