BPA e o mito do BPA-free

criancas

Nas últimas décadas aumentamos exponencialmente o consumo de todo tipo de plástico.

Cerca de 60 a 90% do todo lixo dos oceanos é composto de plásticos. São toneladas de embalagens de material de limpeza, de produtos de higiene e de alimentos. As matérias-primas dos canudos, por exemplo, podem levar até mil anos para se decompor.

Mas esse aumento de consumo não é relevante apenas quanto ao impacto ambiental. Substâncias presentes nos plásticos estão associadas a diversos tipos de danos à nossa saúde.

E justamente o setor de alimentos brasileiro é vice-campeão no uso de artigos plásticos no país: 19% do total do uso, ficando atrás apenas da construção civil, com 25,7%.

Bisfenol e o mito do BPA-Free

Substâncias como o bisfenol são encontradas em latas de alimentos em conserva, garrafas, embalagens plásticas, utensílios de cozinha, recibos de papel… Praticamente todas as latas de alimentos vendidas no Basil possuem bisfenol no seu revestimento interno.

Substâncias como o Bisfenol A (BPA) podem agir simulando o hormônio estrogênio: se ligam nos receptores celulares desse hormônio, podendo interferir na puberdade e fertilidade. Também aumentam a gordura corporal e podem causar problemas no sistema imunológico e neurológico.

Assim sendo, o BPA já foi associado a diversas patologias, como: aborto, tumores do trato reprodutivo, câncer de mama e de próstata, déficit de atenção, de memória visual e motor, diabetes, diminuição da qualidade e quantidade de esperma em adultos, endometriose, fibromas uterinos, gestação ectópica (fora da cavidade uterina), hiperatividade, infertilidade, modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos, obesidade, precocidade sexual, doenças cardíacas e síndrome dos ovários policísticos.

Para fugir do BPA a indústria desenvolveu o bisfenol S (BPS) e o bisfenol F (BPF), rotulando os produtos que os contém como “BPA free”. No entanto, essas substâncias são muito semelhantes quimicamente e estudos em animais demonstraram que têm capacidade de produzir efeitos similares ao bisfenol A em nosso organismo.

BPA-free não significa plástico saudável: plástico saudável não existe.

Outros aditivos

Ftalatos

São encontrados nos plásticos, brinquedos infláveis (como as piscinas), sprays de cabelo, loções e fragrâncias por exemplo. Também podem agir como hormônios, interferindo do desenvolvimento genital e podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, disfunção na tireóide e obesidade. Estudos demonstram ainda que podem diminuir a quantidade e qualidade dos espermatozóides. Algumas fontes relatam que os ftalatos podem ser responsáveis por 20% dos casos de infertilidade masculina.

PFCs 

São substâncias presentes em panelas de teflon, algumas embalagens de alimentos e cosméticos. Podem alterar a função da tireóide.

Cloreto de vinilo

Considerado como carcinogênico (associado ao câncer de fígado e pulmão, sobretudo quando inalado), está presente em plásticos de PVC. Também associados a toxicidade ao sistema nervoso central.

Estireno

Trata-se do famoso isopor, que também está presente em alguns tipos de plástico. É suspeito de ser tóxico ao trato gastrointestinal, aos rins, ao sistema respiratório, ao sistema nervoso central e é possivelmente carcinogênico.

Antimônio

Metal pesado que é potencialmente carcinogênico e, quando ingerido, está associado a problemas respiratórios (enfisema, bronquite crônica). O aquecimento das garrafas PET e a reutilização consecutiva (que leva a pequenos arranhões e erosões no material) pode liberar o antimônio no conteúdo líquido.

Tipos de plásticos

Os plásticos foram classificados de acordo com o material de que são feitos. Os plásticos mais críticos para a saúde são o “3” e “7”, embora o “6” seja também problemático quando aquecido.

  • Plásticos tipo 1 (PET): plástico transparente das garrafas de bebidas, óleo, etc. Não liberam bisfenol nem quando resfriados ou aquecidos, mas liberam antinônio quando aquecidos ou reutilizados.
  • Plásticos tipo 2 (PEAD – poliestireno de alta densidade), normalmente colorido e brilhante, dos produtos de limpeza, cosméticos e higiene, dos iogurtes e alguns sucos. Também considerado relativamente seguro.
  • Plásticos tipo 3 (PVC – policloreto de vinila) das tubulações, das embalagens de produtos de limpeza, maionese, alguns sucos, alguns calçados e brinquedos. Podem liberar BPA e ftalatos e contém cloreto de vinilo.
  • Plásticos tipo 4 (PEBB – poliestireno de baixa densidade) das embalagens de cremes e shampoos, dos sacos de lixo e plásticos filme.
  • Plásticos tipo 5 (PP – prolipropileno) das mamadeiras, tampas de garrafa e medicamentos, tupperware, margarinas, seringas. Difícil reciclagem.
  • Plásticos tipo 6 (PS – poliestireno) dos copos, talheres e pratos descartáveis, algumas embalagens iogurte e ovos. Liberam estireno quando aquecidos.
  • Plásticos tipo 7 (outros): plásticos dos utensílios médicos, telefone, escovas de dente, etc. Liberam BPA.

Sugestões

  • Evitar utilizar plásticos em microondas e lava louças
  • Preferir vidro e aço aos plásticos quando possível
  • Preferir alimentos em embalagens de papel ou vidro
  • Ler os rótulos dos alimentos e cosméticos
  • Atentar para os tipos de plásticos dos utensílios de cozinha
  • Evitar plásticos com os números 3, 6 e 7
  • Não reutilizar garrafas PET
  • Evitar alimentos enlatados
  • Descartar utensílios plásticos lascados ou arranhados
  • Não utilizar esponjas de aço nos plásticos
  • Recicle: pesquise sobre a coleta seletiva no seu bairro (Comlurb/RJ)

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