Particularidades da COVID-19

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De acordo com a OMS, 80% das pessoas acometidas pela COVID-19 é assintomática ou apresenta poucos sintomas, 15% precisam de hospitalização e 5% necessitam de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Entre os que apresentam sintomas, os mais frequentes são: febre, tosse e fadiga. Outros menos frequentes são: dor de garganta, dor de cabeça, respiração encurtada, calafrios, dor muscular ou articular, diarreia, enjoo e conjuntivite. Perda de olfato também já foi descrita como uma queixa muito frequente, bem como diminuição ou perda do paladar. 

Jovens e crianças, quando apresentam sintomas, são sintomas brandos, sem febre. A doença pode se manifestar somente como dor de cabeça, com diarréia ou como dor de garganta com calafrios, por exemplo. A apresentação varia de pessoa para pessoa.

A definição de doença com indicação de internação

A definição de casos suspeitos de COVID-19 na fase em que o Brasil se encontra, chamada de “fase de transmissão comunitária”, baseia-se na presença de quadro gripal. Isso quer dizer: febre somada a pelo menos um sintoma respiratório (dor de garganta, tosse ou dificuldade respiratória) além de queixa de dor (de cabeça, no corpo ou articular).*

Os quadros com indicação de internação hospitalar seriam aqueles que, além do quadro gripal, apresentam Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Ou seja, manifestam-se com algum sinal de gravidade clínica. Em outras palavras, cursam com presença de falta de ar (dispneia), oxigenação baixa, aumento da frequência respiratória, redução da pressão arterial (hipotensão) e piora de alguma doença crônica preexistente (ex: doença cardiovascular, diabetes, asma). Esses são os mesmos sinais de alarme que usamos como critério de gravidade para outras infecções em nosso dia a dia. 

* Importante: (1) idosos não precisam ter febre; (2) pessoas com imunidade baixa (portadores de leucemias, linfomas, HIV, doenças autoimunes, transplantados, indivíduos que foram submetidas à quimioterapia nos últimos 30 dias e aqueles que usam doses elevadas de corticoides ou outros imunossupressores sistêmicos) precisam de apenas um critério (febre ou dor ou sintoma respiratório) para fechar como síndrome gripal.

Fases da COVID-19

O que se sabe atualmente, é que o vírus traz um quadro inicial com sintomas respiratórios, febre e dor, chamado de fase de resposta viral (fase I). Depois de alguns dias, normalmente com a persistência da tosse e da febre, o paciente pode evoluir para a fase pulmonar (fase II), que cursa com pneumonia, identificada preferencialmente na tomografia computadorizada. Algumas pessoas nessa fase apresentam baixa oxigenação (hipoxemia), com necessidade de oxigênio (O2) suplementar (cateter nasal, máscara de O2 ou até mesmo intubação com uso de ‘respirador’ nas situações mais graves). Neste momento, podem surgir também algumas alterações inflamatórias não exclusivamente pulmonares. Pequenos vasos podem inflamar (vasculite) e micro trombos podem surgir em alguns órgãos. Há pessoas que ainda evoluem para hiper inflamação (fase III), que seria uma super estimulação do sistema imunológico com liberação de grandes quantidades de substâncias inflamatórias no organismo (citocinas).  É como se o corpo entrasse em “guerra”, uma “tempestade” de citocinas e, nessa ocasião, situações ainda mais graves podem ocorrer.

O comportamento pulmonar da doença tem sido estudado em todo o mundo. Não se sabe ainda exatamente o porquê, mas é possível encontrar pacientes (principalmente com mais de uma semana de doença) que apresentam extenso acometimento dos pulmões com exames mostrando hipoxemia sem que o paciente relate falta de ar. É o que está sendo chamada de ‘hipoxemia silenciosa’. O paciente não se sente ofegante e faz suas atividades cotidianas, sem apresentar grandes queixas respiratórias. A falta de ar nesses casos surge apenas quando a saturação baixa a um nível extremamente baixo. 

Como minimizar o problema

Diferente da gripe e das pneumonias bacterianas, na COVID-19 os sinais de gravidade descritos na SRAG (falta de ar, aumento da frequência respiratória etc.) não estarão obrigatoriamente presentes na fase pulmonar da doença.

Protocolos da OMS e Ministério da Saúde incluem atualmente recomendação de maior vigilância para os casos de persistência da febre por mais de 72 horas e retorno da mesma após estar há 48 horas sem febre. Mas a grande recomendação é para os casos de persistência dos sintomas (febre, tosse, cansaço, dor no corpo, prostração excessivos) por mais de 7 dias. Essas pessoas com sintomas persistentes devem ser orientados a procurar atendimento médico, ter a oxigenação mensurada por oximetria de pulso e coletar exames de sangue para avaliar sinais laboratoriais indicativos de gravidade.

Algumas referências

OMS

Ministério da Saúde: definição de caso e notificação

Ministério da Saúde: protocolo de manejo clínico

Ministério da Saúde: fluxograma de teleatendimento

Epidemiology and clinical features of COVID-19: A review of current literature

Baseline Characteristics and Outcomes of 1591 Patients Infected With SARS-CoV-2 Admitted to ICUs of the Lombardy Region, Italy

COVID-19 pneumonia: different respiratory treatment for different
phenotypes?

The Infection That’s Silently Killing Coronavirus Patients