COVID-19: sobre transmissão, prevenção e uso de máscaras

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Sobre a via de transmissão

O Sars-CoV2 é um vírus que se dispersa preferencialmente por gotículas de saliva. Essas gotículas podem normalmente atingir pessoas até 1-2 metros de distância, contaminando pessoas e superfícies.

A transmissão por aerossol (partículas menores eliminadas pela boca, como nuvens de vapor contendo vírus) pode também acontecer. O aerossol é capaz de ficar suspenso no ar por até em torno de 3 horas (ou mais segundo alguns autores) contaminando o ambiente. Embora isso ainda seja foco de discussão, segundo a maioria dos estudos, essa via não é muito importante no caso do Sars-CoV2. Ela deve ser preocupação principalmente dos ambientes hospitalares, onde o uso de nebulização, cateter de oxigênio, máscaras e respiradores fazem geração de grande quantidade de aerossol no ambiente.

Sobre quem transmite

A transmissão pode ser feita através de pessoas sintomáticas (com sintomas da doença), assintomáticas (aquelas que se contaminaram mas nunca apresentaram sintomas), oligossintomáticas (aquelas com sintomas brandos que às vezes sequer suspeitam estar doentes), ou pré-sintomáticas (aquelas cujos sintomas ainda vão surgir, mas já transmitem a doença). Atualmente acredita-se que assintomáticos e oligossintomáticos (como as crianças) tenham baixa capacidade de transmissão, diferente do que se pensava no início da pandemia. A maior taxa de transmissão parece se dar pelos sintomáticos e pré-sintomáticos.

Foi a preocupação com a transmissão pelos pré-sintomáticos que levou os órgãos governamentais a incentivar as medidas de prevenção, sobretudo distanciamento social e uso de máscaras.

Sobre a prevenção

Distanciamento social: previne a transmissão das gotículas que possam passar pela máscara ou daqueles sem máscara. Como foi dito, embora haja relato de gotículas que atinjam distâncias maiores, a grande maioria delas alcança distâncias de até 1-2 metros, sendo esse o distanciamento mínimo recomendado para prevenir a transmissão.

Lavagem de mãos: método preferencial para higiene das mãos. Lavar sempre ao chegar em casa da rua, antes e após uso do banheiro, antes de se alimentar ou levar mãos ao rosto, após manusear material que possa estar contaminado, após tocar a máscara, após coçar ou assoar o nariz. Ensaboar e friccionar as mãos corretamente por pelo menos 15 segundos.

7 passos da lavagem das mãos

Álcool 70%: substitui a lavagem das mãos quando ela não está disponível. Deve ser usado na forma de gel. A forma líquida pode ser usada em superfícies, devendo ser evitada para uso nas mãos por provocar ressecamento e fissuras na pele (que poderiam servir de porta de entrada para microorganismos).

Atenção: jamais fabricar álcool gel caseiro devido ao risco de acidentes, incêndios, queimaduras e irritação da pele e mucosas.

Uso de máscaras: não é mais importante que o distanciamento e a lavagem das mãos (ou uso de álcool) – ela de forma alguma substitui as outras medidas. A máscara bloqueia a passagem de gotículas de maior tamanho, servindo como um auxiliar na prevenção da transmissão por gotículas.

Atenção: máscaras de proteção devem ser usadas por aqueles que sabem manuseá-la. Pessoas com algum distúrbio motor e menores de 2 anos NÃO devem utilizar máscaras sob risco de obstrução da via aérea e sufocamento.

Sobre as máscaras

As máscaras N95 e PFF2 são de uso exclusivo por profissionais de saúde. Elas possuem um elemento filtrante que bloqueia a passagem do aerossol gerado pelos procedimentos médicos/hospitalares. Para a população geral com fins de prevenção a máscara indicada é a cirúrgica ou a de tecido. Elas devem ser trocadas sempre que ficarem sujas, úmidas, ou a cada 2-3 horas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), somente a partir dos 12 anos de idade a criança tem capacidade plena de compreender todas as instruções para uso da máscara. Desta forma, abaixo dessa faixa etária, todas as crianças necessitarão de orientação e monitorização constante.

Recomendações gerais (fonte – SBP):

  • Adquirir máscaras de acordo com o tamanho do rosto da criança e certificar que está confortável
  • Após cada uso, lavar com água e sabão abundantes e/ou deixar de molho em solução de água sanitária (1 colher de sopa para 500ml de água) por 30 minutos
  • Após a secagem, passar ferro quente, de ambos os lados, armazenando em saco plástico limpo
  • Lembrar que as crianças vão aprender mais facilmente com a repetição e com ensinamentos e exemplos fornecidos de forma alegre e natural
  • Incentivar o uso em ambientes em que encontrem outras pessoas a menos de 2 metros de distância (supermercados, farmácias, serviços médicos, ou qualquer ambiente fora de casa ou onde possa haver aglomeração de pessoas)
  • Caso a máscara caia no chão durante o uso, ela deverá ser substituída por outra limpa, imediatamente

Pesquisadores da Universidade de Cambridge testaram uma ampla gama de materiais domésticos para máscaras caseiras. Eles mediram qual porcentagem os materiais poderiam capturar e os compararam com a máscara cirúrgica mais comum. Não surpreendentemente, a máscara cirúrgica apresentou melhor desempenho, no entanto todos os materiais caseiros conseguiram capturar 50% das partículas virais ou mais (com exceção do lenço em 49%).

Eficácia dos materiais das máscaras caseiras

Os cientistas também testaram partículas do tamanho de vírus em versões de duas camadas do pano de prato, fronha e tecidos 100% algodão. No geral, as camadas duplas não ajudaram muito. A fronha de dupla camada capturou 1% a mais de partículas e a camisa de dupla camada capturou apenas 2% a mais de partículas. No entanto, a camada extra de pano de prato aumentou o desempenho em 14%. Esse impulso tornou o pano de prato tão eficaz quanto a máscara cirúrgica.

Eficácia das camadas duplas das máscaras caseiras

Foi avaliado pelo estudo a respirabilidade da máscara. Porque o conforto não é apenas um luxo, ele influenciará em quanto tempo a pessoa consegue usar a máscara. Eles compararam os tecidos com a respirabilidade da máscara cirúrgica e o resultado está abaixo.

Respirabilidade das máscaras

Conclusão: com base na captura de partículas e respirabilidade, os pesquisadores concluíram que camisetas de algodão e fronhas são as melhores opções para máscaras caseiras. Dobrar as camadas de material da sua máscara aumenta a eficácia da filtragem, mas torna a máscara muito mais difícil de respirar.

Sobre a forma correta de espirrar

As gotículas que normalmente atingem distâncias de 1-2 metros são capazes de atingir distâncias muito maiores com a tosse e os espirros. Já surgiram estudos mostrando contaminação superfícies até 8 metros de distância com um espirro. Com algumas simples orientações, no entanto, pode-se minimizar essa via de contaminação.

Essas orientações devem ser repassadas às crianças, que devem ser orientadas a tossir e espirrar em um lenço de papel ou no braço e cotovelo, nunca nas mãos.

Como tossir ou espirrar corretamente
Como tossir ou espirrar corretamente

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