Tratamentos para cabelos e pele durante a gestação e amamentação

bebes

Durante a gestação e amamentação as mamães que desejarem manter os cuidados com os cabelos e a pele deverão atentar para as restrições do uso de alguns produtos nessas fases. Muitas são as substâncias que podem causar danos ao bebê durante a gestação, pela sua capacidade de atravessar a placenta ou, durante a amamentação, pela sua capacidade de ser transmitido pelo leite.

Tratamentos para os cabelos e seus riscos

Ainda não foram estabelecidos critérios para o uso seguro da maioria dos tratamentos capilares durante a gestação.

Estudo brasileiro em 2013 sugeriu associação de leucemia na infância com uso de tintura e alisantes durante gestação. Estudo feito em 2005 sugeriu uma associação entre o uso de tintura nos cabelos durante a gestação e o desenvolvimento na infância de um tipo de tumor chamado neuroblastoma. Outros estudos não chegaram à mesma conclusão e a maioria dos pesquisadores acredita que seja pouco provável a associação desses tumores com uso de produtos para os cabelos.

Pouquíssimos são os estudos feitos em seres humanos, mas estudos feitos em animais testaram doses até cem vezes maiores que as usadas nos produtos para humanos sem causar alterações no desenvolvimento fetal.

O que se sabe

  • O primeiro trimestre (três primeiros meses) é a fase crítica para o desenvolvimento do feto e gestantes devem ter atenção redobrada nesse período.
  • Formol em altas doses pode aumentar o risco de tumores e provocar alterações no desenvolvimento fetal, bem como contamina o leite materno.
  • O acetato de chumbo está presente nas tinturas gradativas próprias para colorir cabelos grisalhos, sendo permitido pela ANVISA na concentração máxima de 0,6%. Estudos indicam baixa absorção desta substância pelo couro cabeludo nessa concentração.
  • Chumbo em altas doses podem causar metahemoglobinemia (com baixa oxigenação, cianose), malformações e distúrbios no desenvolvimento neurológico do feto, bem como contaminam o leite materno.
  • Amônia é absorvida pela pele e inalada através da fumaça gerada, podendo em teoria passar para o leite materno. No entanto, não há comprovação científica de que haja absorção de quantidade significativa de amônia nem do quanto ela seria transmitida ao leite materno. Não há estudos de segurança para uso de produtos com amônia durante a gestação e lactação.
  • Outras substâncias como parafenilendiamina (PPD) e alcatrão estão com frequência presentes nas tinturas permanentes e são potenciais cancerígenos. Podem aumentar o risco de câncer de bexiga e leucemias nas mulheres.

Tinturas para os cabelos

Todas as tinturas devem ser evitadas no primeiro trimestre da gestação.

Após e no período de amamentação, deve-se preferir uso de tinturas sem amônia e sem metais pesados – ex: as tinturas temporárias e as semi-permamentes, como os tonalizantes (ex: Color Touch, Natucor, Dédicace, Casting) e a hena (marcas que não contenham chumbo – ex: Surya). O uso desses produtos costuma ser liberado para uso baseado no conceito teórico de que não contêm substâncias que causam dano. Não há, no entanto, estudos científicos garantindo a segurança.

Tinturas permanentes são acrescidas de amônia (que alcaliniza o pH da fibra capilar e permite maior penetração da tinta) e na maioria das vezes outras substâncias, como o chumbo. A amônia não tem estudo de segurança que libere seu uso e o chumbo é sabidamente tóxico, logo, tinturas permanentes devem ser evitadas durante toda a gestação e amamentação.

Em geral as luzes costumam ser liberadas a partir do segundo trimestre de gestação (conforme orientação do seu dermatologista) porque o produto não entra em contato direto com o couro cabeludo. Água oxigenada não é um consenso pela falta de estudos que demonstrem sua segurança de uso.

Outras orientações

  • Seguir as instruções da embalagem, não deixando o produto em contato com o couro cabeludo mais que o tempo indicado.
  • Usar luvas e enxaguar bastante os cabelos após o uso do produto.

Sobre o INOA

A L’Oreal tem uma linha de tinta permanente chamada INOA (inovação sem amônia) que substitui a amônia por uma mistura de óleos minerais e monoetanolamina. Está disponível apenas nos salões e tem os benefícios de reduzir o odor desagradável da tintura e agredir menos os fios – os cabelos com amônia ficam mais secos e quebradiços. De acordo com a bula, não contém chumbo nem PPD nem alcatrão. Não há estudos que liberem o uso durante a gestação, mas muitas pessoas têm arriscado o uso após o primeiro trimestre e no período de aleitamento.

Alisamentos e permanentes

Nenhum método é liberado durante o período de gestação e amamentação por falta de estudos que garantam a segurança.

São proibidos aqueles que contenham tioglicolato, formol em qualquer quantidade ou ácido glioxílico (quando aquecido se transforma em formol). Aqueles que utilizam hidróxido de sódio ou potássio ou combinação de hidróxido de cálcio e carbonato de guanidina foram pouco estudados na gestação e não têm uso liberado, no entanto os poucos estudos feitos não encontraram danos ao feto. Não há estudo do uso desses produtos durante a amamentação.

Outros tratamentos para os cabelos

Métodos de hidratação mais profunda: queratinas e demais tipos de hidratação são liberados para uso na gestação e amamentação.

Escova e chapinha: tratam-se de atos mecânicos, sem efeito no bebê, logo estão liberadas.

Spray fixador e gel: liberados para uso.

Protetor solar

Gestantes devem preferir produtos compostos em sua maior parte por filtros inorgânicos, com barreira mais física do que química. Filtros químicos não devem ser usados por falta de estudos que garantam segurança. Exemplo de filtros 100% físicos liberados para uso nas gestantes: Photoage 50 mineral color da Dermage, Photoplus color 30 da Dermatus,  Sheer Physical Uv Defense 50 da Skinceuticals. Esses filtros são para uso na face. No corpo, como esses filtros são muito caros, o ideal é usar medidas físicas, como roupas com proteção UV.

Depilação

Liberado uso de ceras e lâminas. Proibido o uso de cremes depilatórios com tioglicolato de amônia, pois pode haver absorção da substância pela pele. A depilação a laser é proibida gestação, mas permitida na fase da amamentação.

Cosméticos e cosmecêuticos

Produtos anti-idade: proibido às gestantes o uso de produtos que contenham em sua fórmula ácido retinoico, glicólico, ácido salicílico (acima de 2%) e hidroquinona. Devem ser interrompidos três meses antes do início da gravidez pelo risco potencial de malformações fetais.

Tretinoína tópica e adapaleno: apesar de aparentemente não serem absorvidos pelo feto, faltam estudos que garantam sua segurança e seu uso na gestação deve ser evitado.
Isotretinoína oral: proibida pelo risco de malformação fetal grave.

Hidratantes e esfoliantes: não podem conter uréia acima de 3% pela capacidade de absorção pelo feto e falta de estudos de segurança.

Xampu anticaspas: não podem conter cetoconazol.

Xampu contra piolhos: proibidos na gestação e amamentação.

Sabonetes anti-sépticos: como em qualquer pessoa, só devem ser usados no caso de alguma infecção da pele e prescritos pelo médico.

Laseres e toxinas botulínica (botox por exemplo): proibidos na gestação por não haver estudos que garantam a segurança.

Vacinas e seus efeitos colaterais

bebes criancas

 

Vacinar ou não vacinar? Vacinas provocam reações graves? Sempre que um campanha de vacinação inicia começam também os boatos e teorias de conspiração anti-vacina.

A história

A mortalidade infantil na idade média era em torno de 40-45% e não era muito menor no século XVII e XVIII. As pessoas simplesmente tinham que aceitar que de cada 10 filhos quase metade iria morrer na infância, geralmente de alguma doença infecciosa.

As coisas só começaram a mudar a partir do século XVIII e XIX, quando as condições de saneamento e os recursos médicos começaram a se desenvolver.

Em 1970 um médico inglês, Edward Jenner, descobriu a vacina da varíola, que matava mais de 80% das pessoas com a doença na época. Ele observou que as mulheres que ordenhavam vacas contaminadas não pegavam varíola e resolveu então injetar o pus desas feridas em pequenos arranhões nos braços das pessoas. As pessoas tinham febre por alguns dias, mas saravam e permaneciam imunizadas.

Outras vacinas foram surgindo ao longo dos séculos e sobretudo no século XX, quando foi descoberta também a penicilina por Alexander Fleming (em 1928).

Impacto da vacinação na saúde das crianças

Hoje a mortalidade infantil é baixíssima em países de primeiro mundo, entre 0,3-0,7%. No Brasil varia de 1,5 a 3,3% de acordo com a região. De qualquer forma muito inferior a qualquer época da história.

Chegamos talvez a um outro extremo, que nos leva a repensar nos exageros. Exageros no uso de antibióticos são responsáveis pelo surgimento de infecções cada vez mais resistentes (sem falar nos efeitos adversos) e o uso de algumas vacinas poderia provocar efeitos colaterais desnecessários.

Para incluir uma vacina no calendário vacinal os órgãos governamentais comparam, por exemplo, a incidência dos casos graves da doença em questão com os casos graves de efeitos adversos da vacina. A vacina é incluída quando há benefício real para a população.

Alguns estudos mostram redução na mortalidade no interior do Brasil após campanhas de vacinação mesmo quando as condições de saneamento e acesso aos serviço de saúde se mantiveram inalterados.  Particularmente, um estudo de Pernambuco mostrou redução na mortalidade geral de 49,2‰ (por mil) nascidos vivos em 1990 para 20,7‰ em 2002 após uma campanha vacinal ampla.

Vários artigos mostram redução na mortalidade e internações por diarréia com a vacina do rotavírus, além da mortalidade por gripe, sarampo e tantos outros vírus graças à vacinação infantil.

Movimento anti-vacina

Recente movimento anti-vacina nos EUA provocou um “boom” de mais de  24 mil casos de coqueluche no país. Na Europa o movimento (forte em países como Alemanha, Inglaterra, França e Itália) causou aumento de casos de sarampo e outras doenças já então controladas.

Tudo começou em 1998, quando um médico inglês chamado Andrew Wakerfield publicou um artigo na famosa revista médica The Lancet que associava a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola) a um risco aumentado de autismo. Posteriormente, a comissão de ética descobriu que ele havia fraudado os resultados e seu registro médico foi cassado. A revista pediu desculpas ao meio científico e estudos posteriores já confirmaram não haver aumento de risco de autismo com a vacina. Porém, a questão continuou sendo (irracionalmente) levantada por grupos anti-vacina.

Na época questionou-se se o mercúrio presente na vacina na forma de timerosal (um conservante que evita a proliferação bacteriana no frasco) era o responsável pelo autismo. É conhecida a neurotoxicidade do mercúrio em doses elevadas e a tendência mundial é reduzir seu uso nas lâmpadas fluorescentes, baterias, pilhas, cimento e cosméticos. O antigo mertiolate e mercúrio cromo foram abolidos pelo mesmo motivo. No entanto a dose na vacina tríplice era em quantidade muito inferior à dose tóxica e a associação ao autismo ou a um pior desenvolvimento cognitivo nunca foi comprovada em qualquer estudo científico. Fonte: CDC e PubMed.

O timerosal ainda é utilizado em alguns países (em frascos multidoses). No Brasil chegou a ser utilizada uma vacina contra gripe com timerosal  em algumas campanhas, no entanto nem a vacina tríplice viral nem a da gripe ou qualquer outra usada no Brasil atualmente contém timerosal. As bulas das vacina Trimovax (tríplice viral) e FluQuadri (gripe) podem confirmar o dado.

Tipos de vacinas

As vacinas podem ser de microorganismos vivos atenuados (enfraquecidos para provocar uma resposta do sistema imunológico sem provocar doença) ou de microorganismos totalmente inativados (inteiros ou apenas fragmentos de proteínas ou polissacarídeos). Vacinas de bactérias ou vírus vivos podem provocar sintomas brandos da doença, enquanto as inativas costumam provocar apenas sintomas locais, mialgia e, eventualmente, febre. Exemplos:

Vivos atenuados: BCG, tríplice viral (sarampo/caxumba/rubéola), varicela, febre amarela, rotavírus, polio oral.  São contra-indicadas em portadores de HIV, doença auto-imune, portadores de câncer em quimioterapia e gestantes.

Inativados: Polio injetável, gripe, hepatite, raiva, difteria, tétano, coqueluche (seja com células inteiras seja acelular, com menores efeitos colaterais), pneumococo, meningococo, Haemophilus.

Conclusão: vacina da febre amarela pode provocar uma “febre amarelinha”, de sarampo um “sarampinho”, mas de gripe não provoca “gripinha”. Pode provocar febre, dor no corpo, mas não os sintomas respiratórios da gripe.

Vacinas e ovo

Algumas vacinas são fabricadas em células de embrião de galinha e podem conter pequenas quantidades de ovalbumina. São elas: tríplice viral (sarampo/caxumba/rubéola), gripe e febre amarela.

Vários estudos atualmente demonstram segurança no uso dessas vacinas em crianças alérgicas. Não houve casos de reação com nenhuma dessas vacinas. Fonte: PubMed. OBS: há vários estudos demonstrando segurança no uso de vacina para febre amarela em alérgicos a ovo aqui no portal do PubMed. Apesar disso seu uso ainda não está liberado pela ANVISA. O CDC (órgão americano) permite quando há indicação médica e o paciente permanece 30min sob vigilância após a vacinação.

Algumas vacinas contém lactoalbumina na sua composição, como é ocaso da tríplice viral de alguns fabricantes. Também não há relato de reações alérgicas em crianças com alergia a proteína do leite de vaca. De qualquer modo, as vacinas utilizadas atualmente no Brasil não contém proteína do leite de vaca.

Efeitos Colaterais Graves

Anafilaxia é uma reação alérgica grave que pode acontecer com o uso de qualquer antibiótico, medicamento ou qualquer vacina, seja ela de vírus vivo ou inativado.

Efeitos graves de antibióticos podem, inclusive, ser mais frequentes que de algumas vacinas. O Clavulin®, por exemplo, pode provocar reações comuns como diarréia e candidíase na frequência de 1-10% e também reações mais raras e graves, como convulsão, insuficiência renal e hepatite (entre várias outras), na frequência de 1 para 10mil (0,01%).

Agora as vacinas:

Narcolepsia e H1N1: recentemente houve suspensão do uso da vacina Pandemrix na Finlândia e Suécia por suspeita de que ela tivesse provocado aumento dos casos de narcolepsia (distúrbio neurológico sem cura conhecida que faz a pessoa adormecer de repente, como se o cérebro “desligasse”). Ainda não há evidência científica suficiente para associar essa vacina à doença. A Pandemrix não é utilizada no Brasil e não há casos de narcolepsia no nosso país.

Gripe e encefalite e paralisia (Guillain Barré): em 10% das pessoas a vacina da gripe causa apenas efeitos brandos (fere, dor abdominal, dor muscular), mas na frequência 1 pra 100.000 (0,001%) ela pode causar efeitos mais graves, como encefalite e paralisia (Guillain Barré). Os estudos ainda são poucos porque os casos são raros e os resultados são conflitantes. Enquanto uns sugerem que a incidência desses efeitos não é superior ao da própria gripe (a doença também pode provocar encefalie e paralisia), em outros a incidência parece aumentar com a vacinação. A maioria dos estudos não mostra aumento dessas manifestações com a vacinação. Manifestações fatais e que deixam sequelas parecem ser mais frequentes naqueles que não tomaram a vacina. Fontes: PubMed.

Encefalite e meningite pela Tríplice viral (ou MMR – sarampo, caxumba, rubéola): em até 3% dos pacientes a vacina causa efeitos como febre baixa e manchas na pele, sem nenhuma ameaça à saúde.

Os efeitos mais graves, como encefalite são muito caros, na frequência <1:1.000.000 de doses (0,00001%), muito menor que o risco de encefalite pelo sarampo ou pela rubéola (0,015 a 0,1%). O componente caxumba pode resultar em parotidite em mais de 3% dos vacinados. Meningite asséptica, com começo de 15-35 dias após a vacinação, também é relatada com freqüência variada (0,005 a 0,015%). O componente rubéola pode resultar em artralgia passageira (25%) e artrite (10%) em adolescentes e mulheres adultas, no entanto são muito raras em crianças e em homens (0%-3%).

Paralisia pela Polio: nos últimos 1o anos foram confirmados 48 casos de pólio pós-vacinal no país. A probabilidade é de um caso a cada 5 milhões de doses aplicadas de Polio oral (VOP), sendo menor a partir da segunda dose. No entanto desde que a vacinação com a VOP se intensificou, em 1998, houve redução de 99% dos casos de doença e há quase 3 décadas não temos um caso de poliomielite selvagem (não vacinal). Atualmente, o calendário de vacinação foi adaptado trocando as primeiras doses de Polio oral por injetável (VIP), que não provoca paralisia. Depois da segunda dose, a criança, já protegida, fica liberada para tomar a VOP visando evitar o ressurgimento da doença.

OBS: as crianças que recebem a VOP excretam os vírus vacinais nas fezes por um período de até seis semanas, garantindo imunidade para aqueles que não tomaram a vacina. Conforme acordo com a OMS, a vacinação com a VOP deverá ser interrompida simultaneamente em todos os países, após a certificação da erradicação global.

Alergia a proteína do leite pela vacina do Rotavírus: não há evidências científicas do desenvolvimento de alergia ao leite de vaca após a administração da vacina rotavírus humano. A associação provavelmente é feita pelos pais porque uso da vacina coincide com o período de transição do aleitamento materno e o aleitamento com leite de vaca e é nessa faixa etária que os primeiros sinais de alergia começam a aparecer. Diarréia leve e mais raramente vômitos podem ocorrer pela vacina. Invaginação intestinal (quando o intestino de dobra e obstrui) pode ocorrer na frequência de 0,0053 a 0,0015%, muito inferior aos riscos de invaginação pela própria doença.

Doença vacinal grave e febre amarela: a doença vacinal com falência de órgão (insuficiência renal e/ou hepática, por exemplo) pode ocorrer em 0,0004% dos vacinados – muitíssimo inferior aos riscos da própria doença. Também é relatado acometimento do sistema nervoso central em 0,0008% dos vacinados. Pessoas com idade ≥60 anos têm risco aumentado desses eventos mais graves, principalmente se é a primeira vez que tomam a vacina. Os efeitos colaterais comuns são dor de cabeça, dor no corpo e febre baixa.

Por que vacinar ?

Porque a doença ainda não foi erradicada, é frequente e pode matar. 

Nenhuma doença é tão branda que não possa levar ao óbito. A mortalidade da gripe é próxima a 1%, o que dada sua alta incidência na população, torna o dado bastante substancial.

O rotavírus é a causa mais comum de diarréia grave em crianças <5 anos de idade em todo mundo. Vacina reduz 25-50% a mortalidade pela doença.

A mortalidade da febre amarela é entre 20-50% e a vacina protege mais de 90% depois da 1a dose.

Para proteger contra o risco de introdução de vírus por viajantes oriundos de localidades que ainda apresentam casos da doença.

Entre 2004 e 2005, 18 países já livres da pólio foram reinfectados por vírus selvagens importados da Nigéria e três países foram reinfectados pela importação de vírus da Índia. E esse é só um dos vários exemplos…

Para nos proteger em viagens.

É o caso da vacina para febre amarela para pessoas que vão viajar para áreas acometidas ou arredores. No caso do Brasil, poucos estados ficam livres. EUA e Europa, por exemplo, exigem que sua população seja vacinada para entrar no nosso país.

No final de 2005 foi confirmado o primeiro caso importado de paralisia por vírus da polio em uma mulher não vacinada que havia viajado ao exterior, onde teve contato com crianças recentemente vacinadas com a vacina oral. Ela adquiriu a infecção vacinal.

Para proteger os outros.

A vacinação de uma criança não protege apenas a vida dela, mas também a de todos ao seu redor. Um programa de imunização, em geral, pode ser considerado um sucesso quando pelo menos 95% da população é vacinada. Os 5% restantes são protegidos pelo que se chama, no jargão médico, de “imunidade de rebanho”, como uma muralha de proteção.

Canais Infantis Educativos do Youtube (com páginas do Facebook)

criancas

Veja aqui uma seleção de canais educativos disponíveis no Youtube para crianças entre 5-10 anos. Experimentos científicos, animais exóticos, vídeos respondendo porquês, ensinando pegadinhas, culinária… Muita coisa que até adultos vão curtir. E todos com páginas correspondentes no Facebook.

Lista de canais

TICOLICOS:

Vídeos protagonizados por Ludi, um boneco que conta histórias, ensina receitas e passeia pela cidade respondendo perguntas como: “por que o bolo cresce”, “por que o cachorro abana o rabo”, “por que precisa tomar banho todo dia”? Ideal para crianças entre 4 e 8 anos.

Links: Youtube e Facebook

THE DAD LAB:

Vídeos de um pai britânico, de dois meninos pequenos, que adora inventar atividades educativas, experiências científicas, atividades com papel, tinta… tudo muito criativo e divertido. Há experiências legais para crianças de qualquer faixa etária.

Links: Youtube e Facebook

COZINHANDO COM SARINHA:

Sarinha começou com vídeos de brinquedos e passeios, mas agora é também uma mini chef que protagoniza vídeos de receitas culinárias e também de pegadinhas, como a cola escolar comestível e a pasta de dentes e o cocô comestíveis. Ideal para crianças a partir de 4-6 anos.

Links: Youtube e Facebook

MANUAL DO MUNDO:

Série de vídeos apresentados por Iberê Tenório e Mari Fulfaro. Trazem experiências, curiosidades sobre como algumas coisas são produzidas e criadas, receitas, dicas de mágicas, origamis e pegadinhas. Ideal para crianças a partir de 7-8 anos.

Links: Youtube e Facebook

PAPO DE BIÓLOGO:

Vinicius Ferreira é um biólogo que definitivamente não tem medo de bicho. O canal traz vídeos  com duração entre 5 e 15 minutos, cheios de aventuras nas florestas brasileiras… e com uma grande variedade de animais exóticos. Todos disponíveis também no Facebook. Ideal para crianças a partir de 7-8 anos, mas pode fazer sucesso para qualquer faixa etária, inclusive adultos.

Links: Youtube e Facebook

MINUTO DA TERRA:

Canal com animações curtas, de até 3 minutos, que são a versão brasileira do canal americano Minute Earth. Ensina ciências e curiosidades do meio ambiente de forma divertida e criativa. O canal é genial, mas alguns vídeos me pareceram de difícil compreensão para crianças pequenas. O facebook de mesmo nome não disponibiliza os vídeos do canal, então nesse caso, ficamos somente com o Youtube para acessar esse conteúdo. Ideal para crianças a partir de 9 anos.

Links: Youtube e Facebook

Sobre o uso de eletrônicos

A recomendação por especialistas é que as crianças fiquem o mínimo de tempo possível assistindo TV ou outro eletrônico, não devendo exceder 1-2h/dia. Isso porque o uso excessivo de eletrônicos vem sendo associado ao aumento do risco de sedentarismo, obesidade, transtornos do sono, dificuldades de aprendizagem, déficit de memória e transtornos de comportamento, como a síndrome do pensamento acelerado e irritabilidade.

Recomenda-se também evitar acessar eletrônicos 30min-1h antes de dormir e manter ambientes na casa totalmente livres de eletrônicos, como o quarto.

E a preocupação não pára por aí. Especialistas alertam também para os perigos dessa liberdade de conexão com o ‘mundo’ virtual.

Pensando nisso o Youtube lançou o aplicativo Youtube Kids para tablets e celulares. Ele disponibiliza apenas conteúdos 100% infantis. Vídeos com palavrões, por exemplo, são vetados. A pesquisa pode ser feita pela criança através de um teclado virtual ou do ícone de um microfone que a criança aperta para falar o que está procurando.

Canais do Youtube para crianças pequenas

criancas

Pensando naquele momento emergencial, em que precisamos distrair o filho enquanto fazemos alguma tarefa, fiz uma lista de alguns canais bem populares do Youtube entre as crianças pequenas.

Digo emergencial porque a recomendação por especialistas é que as crianças fiquem o mínimo de tempo possível assistindo TV ou outro eletrônico, nunca ultrapassando 20-30 minutos/dia no caso dos pequenos. A recomendação atual da Academia Americana de Pediatria é que menores de 2 anos, NUNCA sejam expostos a eletrônicos. Uso excessivo de eletrônicos vem sendo associado ao aumento do risco de sedentarismo, obesidade, transtornos do sono, dificuldades de aprendizagem, déficit de memória e transtornos de comportamento, como a síndrome do pensamento acelerado e irritabilidade.

Eventualmente… num momento de maior necessidade, no entanto… acaba sendo bom ter uma alternativa à disposição.

Seguem os links dos canais oficiais, com vídeos gratuitos e acessíveis pelo aplicativo do Youtube. Os dois primeiros são canais com vídeos educativos que ensinam conhecimentos básicos à criança em idade pré-escolar. O canal BabyFirst Brasil contém vários vídeos que ajudam no aprendizado da identificação das cores, formas e números. O canal Baby TV contém vídeos da antiga série da Fox, com músicas tradicionais produzidas para bebês, além de vídeos com histórias que auxiliam no desenvolvimento dos conceitos de socialização. Os canais seguintes são de músicas voltadas para os pequenos – a maioria de grupos já bem conhecidos. As músicas populares do MPBaby, bem tranquilas e legais até para bebês, agora têm versões em vídeo com os personagens que dão nome ao grupo, Bia&Nino.

Links

Youtube: BabyFirst Brasil
Youtube: Baby TV
Youtube: Bia & Nino
Youtube: Palavra Cantada

Youtube: Turminha Paraíso

Youtube: Mundo Bita
Youtube: Galinha Pintadinha
Youtube: Bob Zoom

Xampus infantis e cuidados com os cabelos

criancas

Como escolher um  bom xampu adulto e infantil do ponto de vista dermatológico? Quais as melhores marcas infantis atualmente? Qual a maneira correta de fazer a lavagem?

pH dos xampus

Assim como nossa pele, o pH dos cabelos e do couro cabeludo é ácido (em geral pH 5-5,5), visando formar uma barreira cutânea à penetração de microorganismos. OBS: veja maiores explicações no post de sabonetes.

Em ambiente mais ácido (pH inferior a 4) os cabelos absorvem cargas positivas, ácidas (H+), do meio. Em ambiente mais alcalino (pH superior a 6-7), os cabelos absorvem cargas negativas, alcalinas (OH-), do meio.

O ideal para um xampu é manter o pH normal dos cabelos e couro cabeludo (pelo menos pH entre 4 e 6). Em situações extremas (pHs muito ácidos ou muito alcalinos) a fibra capilar incha e força a abertura das cutículas. Leva, assim, ao dano dos fios, sobretudo se a exposição ao produto for frequente (ou por tempo prolongado, como no caso das tinturas, alisamentos, etc).

Xampus infantis para não provocar ardência nos olhos, precisam de um pH mais elevado. Segue tabela com a média de alguns pHs.

cópia de ph

Conclusão importante: xampus infantis têm vantagens que os tornam adequados para uso infantil mas não são apropriados para uso adulto devido ao seu pH elevado.

Composição dos Xampus

Xampus são compostos de substâncias DETERGENTES, CONSERVANTES e outros componentes, sendo os dois primeiros aqueles em que devemos prestar maior atenção.

DETERGENTES (OU SURFACTANTES)

São agentes de limpeza responsáveis por eliminar a sujeira e a oleosidade do couro cabeludo. Também são responsáveis por formar a espuma. Podem ser:cópia de Sem Título

Assim, dependendo do grupo de detergentes presentes na fórmula do xampu, ele vai ter um pH mais ácido ou básico.

A população brasileira está habituada a considerar mais eficazes produtos que fazem muita espuma. Mas os ativos que conferem mais espuma em geral são os sulfatos, que são aniônicos e geram maior dano capilar.

Observação: Os sulfatos são também os detergentes mais alergênicos (seguidos dos sulfonatos), mas não são produtos considerados cancerígenos (vide parecer da ANVISA).

Porém, sulfatos não têm somente um lado ruim. Xampus para cabelos oleosos e para limpeza profunda costumam ser ricos em sulfatos, que, por serem fortes detergentes, favorecem a eliminação da sujeira, da oleosidade e dos metais pesados (presentes em algumas tinturas).

Desta forma, é saudável intercalar xampus com maior propriedade de limpeza (mais aniônicos e com sulfatos) com outros xampus condicionantes (catiônicos).

CONSERVANTES

Visam a impedir o crescimento de microorganismos no shampoo. Ao mesmo tempo que evitam a proliferação bacteriana no produto (e risco de infecções), eles são os principais causadores de alergia no couro cabeludo. Os mais encontrados na bula são: parabenos, liberadores de formol (quartenium-15, DMDM hidantoína, e outros nomes feios que não vou colocar aqui) e MCI/MI (metilcloroisotiazolinona e metilisotiazolinona, sabidamente alergênicos). Atualmente já existem xampus com outros conservantes, hipoalergênicos.

Observação: suspeita-se que altas concentrações de parabenos possam aumentar o risco de câncer de mama. Um estudo com antitranspirantes sugeriu a associação, mas não houve confirmação científica em testes posteriores – Fonte: INCA). A ANVISA libera cosméticos para comercialização com concentração máxima de 0,8% (total de parabenos). No entanto, cerca de 90% dos cosméticos contém parabenos, que caem na corrente sanguínea e poderiam chegar a uma dose tóxica se acumulados ao uso de outros produtos que contenham a substância.

Outra observação: o formol e seus derivados também tem sido relacionados ao aumento de risco de câncer (leucemia), embora nenhum estudo tenha associado diretamente ao uso em cosméticos (Fonte: INCA).

OUTROS COMPONENTES

  • Água, corantes, perfumes, vitaminas, óleos.
  • Sais: conferem viscosidade e não são associados a malefícios ao fio ou à saúde (a onda de xampus “sem sal” não faz muito sentido).
  • Silicone: envolve a cutícula do fio formando um filme protetor. No entanto, pode acumular-se e deixar os fios pesados, além de ser um derivado do petróleo e, por isso, poluente.
  • Filtro solar: absorve os raios UVB, protegendo o cabelo dos danos causados pela exposição solar.
  • Pantenol: pró vitamina B5 que adere ao fio e atrai moléculas de água que exercerão a função de hidratar o fio. Espessa em até 10% do seu diâmetro normal.

Sobre o rótulo dos xampus: a composição é descrita em ordem de concentração. Logo, o detergente que aparece primeiro é o que está presente em maior concentração. Observe que quanto mais sulfatos, parabenos e outros conservantes houver na fórmula, maior o potencial de causar alergias.

Xampus infantis

Sem Título

O ideal para uso em bebês é encontrar produtos com pouco sulfato (potencial irritante, arde os olhos) e livre de conservantes e corantes alergênicos. Dicas de bons produtos:

  • Johnson’s: possui corantes, mas é livre de conservantes alérgicos e sulfatos (melhor custo-benefício)
  • Baby Dove: livre de conservantes alergênicos e sulfatos, porém possui silicone
  • Mustela: menor perfil alergênico (conservante hipoalergênico, corante natural), embora possua alguns sulfatos, ainda tem a vantagem de não ser testado em animais
  • Weleda Baby: embora possua álcool, um possível irritante, não possui sulfatos nem conservantes alergênicos e ainda tem a vantagem de não ser testado em animais
  • Vyvedas Baby & Kids: embora use muitos conservantes, nenhum está entre os mais alergênicos, não tem sulfatos e também não é testado em animais

Johnson’s e Dove fazem testes em animais.

Alguns produtos para bebês e todos os que encontrei para crianças maiores (para uso a partir de 2-3 anos) possuem substâncias alergênicas. Veja alguns exemplos:

  • Huggies Turma da Mônica: possui sulfatos e conservantes alergênicos (MCI/MI)
  • Granado: possui sulfatos e conservantes alergênicos (MCI/MI, quartenium-15 e DMDM hidantoína)
  • Natura Mamãe Bebê: possui conservantes alergênicos (MCI)
  • Johnson Crescidinhos: tem sulfato e conservantes alergênicos (Quartenium-15)
  • Biotropic: com alguns sulfatos e conservantes alergênicos (MI/MCI)
  • Palmolive Kids: possui sulfatos e conservantes alergênicos (MCI/MI)

Do listados acima, Granado, Natura e Biotropic atualmente não testam em animais. Fonte: SAC das marcas – disponibilizado no site Guia Vegano.

Lavagem

Movimentos circulares, massageando o couro cabeludo com as pontas dos dedos. Pode ser diária até 2x/semana, dependendo do clima e tipo de cabelo (cabelos afro e secos podem ter menos lavagens semanais).

Mito: lavagem diária não provoca queda de cabelo. Nos adultos, uma média de 100 fios caem naturalmente ao longo de um dia (em crianças cai uma quantidade é menor). Os fios que caem durante a lavagem são os que já estão no final de sua “vida”. Cairiam com ou sem a lavagem.

A temperatura da água deve ser idealmente mais fria do que quente. Água quente dilata as glândulas sebáceas estimulando a produção e liberação de sebo, responsável pela maior oleosidade e pelo surgimento de dermatite seborreica. Além disso a água fria diminui e eletricidade estática dos fios e os deixa mais soltos.

No Poo/Low Poo/Co-Wash

Técnica inicialmente desenvolvida para cuidados com cabelos cacheados, crespos, naturalmente mais ressecados, mas que vem sendo utilizada para qualquer tipo de cabelo pela sua tendência mais natural e ecologicamente correta.

No Poo: lavagem sem shampoo, usando a técnica do Co-Wash, uma lavagem com condicionador sem silicones insolúveis em água e sem sulfatos.

Low Poo: lavagem com shampoo suave, sem ou com pouco sulfato, intercalando com dias de Co-Wash.

Para quem tiver interesse, veja os resultados obtidos, como seguir a rotina e dicas de produtos no grupo do facebook: Rotina Saudável Kids.

Esmaltes infantis: as recomendações atuais

criancas

É permitido uso de esmaltes na infância? Esmaltes infantis são perigosos?

Esmaltes comuns contém muitas substâncias indutoras de alergias, como tolueno, formaldeído e mica. 10% da população adulta é alérgica a esmalte comum, podendo em alguns casos usar esmaltes hipoalergênicos.

As crianças são particularmente mais susceptíveis a essas alergias, que se manifestam sobretudo como vermelhidão, coceira, descamação e inchaço, mais comumente na face, sobretudo pálpebras. Elas não devem usar esmaltes adultos de forma a evitar contato precoce com qualquer substância provocadora de alergia. Quanto mais cedo a criança é exposta a essas substâncias, maior o risco de alergia na infância ou vida adulta. E uma vez que a alergia for instalada o uso do produto fica proibido.

Esmaltes para uso adulto, hipoalergênicos ou não, estão liberados pela ANVISA a partir de 12 anos de idade.

Mas as crianças gostam de brincar de imitar os adultos. E para alegrar nossas pequenas, vamos em busca de alternativas para essas brincadeiras…

Esmaltes permitidos

Os esmaltes permitidos para crianças a partir de 3 anos de idade são aqueles à base de água e que saem sem necessidade do uso de acetona ou removedor. Possuem a chamada tecnologia Peel Off (parecem uma cola colorida e se descolam por inteiro da unha). Não possuem solventes e têm odor mais suave. Alguns também podem possuir substâncias de gosto amargo, para evitar a ingestão acidental. Têm baixíssima durabilidade e sim, são bem caros…

Marcas

  • Piggy Paint: marca desenvolvida por uma mãe americana que buscava produtos para suas filhas. Tem um slogan engraçadinho, “Natural as mud” – Natural como a lama. Grande variedade de cores e produtos, mas só se encontra nos EUA. Veja site da marca.
  • Esmaltes Disney: à venda em lojas de brinquedos, em vários formatos. Foram esses que experimentei. São caros e saem na primeira lavagem.
  • Petit Sophie do Boticário: produto nacional com fórmula a base de água e tecnologia Peel Off, à venda na internet e lojas da marca.
  • Bo-Po: produto importado à venda na internet, também abase de água e tecnologia Peel Off. Vide página no Facebook.

OBS: Impala Kids e Ella Kids deixaram de ser fabricados.

Esmalte caseiro

Inspirada na consistência de cola (e no alto custo) desses esmaltes encontrei uma receita caseira que funciona legal:

  • uma parte de cola
  • uma parte de tinta escolar infantil e/ou glitter
caseiro
Video: Arts and Crafs

Pode ser usado óleo na unha antes da aplicação da mistura pra facilitar a retirada. Ou basta lavar as mãos. Fica um pouco opaco, mas tem a mesma consistência de esmalte e a secagem é super rápida. Aqui em casa fez sucesso igualzinho a qualquer outro:

 

 

 

 

Maquiagem infantil

criancas

Qual criança não gosta de imitar a mãe? Quantas de nós não pegamos a maquiagem da mãe pra brincar quando éramos crianças?

Como médica, e pior, esposa de dermatologista, fica difícil pra mim ignorar os riscos de deixar que minha filha brinque com maquiagem feita para adultos. Reações alérgicas em crianças são muito comuns.

A intenção inicial desse post era descobrir se há produtos seguros pra uso eventual na infância, mas acabei chegando a uma outra reflexão… O Brasil é um dos maiores consumidores internacionais de maquiagem infantil. Estamos estimulando a valorização estética precocemente em nossas filhas?

O que diz a ANVISA

Maquiagens infantis são feitas para crianças a partir de 5 anos. E algumas marcas são liberadas apenas após os 12 anos. A ANVISA exige que produtos infantis passem por testes de segurança (chamados grau 2). São feitos testes de toxicidade (para garantir que o produto seja seguro em caso de ingestão), de compatibilidade cutânea, ausência de potencial alergênico e testes de fotoirritação (irritação quando exposto à luz). A partir de 12 anos, testes menos extensos são exigidos para liberação pela ANVISA (testes grau 1).

O pré-requisito básico da maquiagem infantil é ter baixo poder de fixação, sendo facilmente removida com água. Componentes fixadores têm grande potencial de causar alergias, bem como os removedores de maquiagem.

Os batons e brilhos labiais devem colorir os lábios apenas temporariamente.

Maquiagens para bonecas não podem ser utilizadas na pele infantil.

Todos os produtos cosméticos infantis devem expor no seu rótulo o número de registro na ANVISA ou o número do processo do produto na Agência. O número do registro do produto, normalmente, aparece no rótulo como Reg. MS – X.XXXX.XXXX (começa com o algarismo 2 e possui nove dígitos).

Sombras para olhos não eram permitidas em maquiagens infantis até 2011 pela ANVISA. O rosto e, especialmente, as pálpebras, são as áreas mais sensíveis a alergias. Mas em 2012 foi feita uma consulta pública pela ANVISA, que liberou a comercialização de maquiagem infantil, incluindo sombra para os olhos, para crianças a partir de 3 anos de idade.

Fonte: ANVISA – Cosméticos Infantis.

O que dizem os especialistas

  • A pele da criança é mais fina, absorve qualquer produto com maior facilidade.
  • Não há idade segura para utilizar maquiagem na infância. Quanto mais postergar o uso, melhor: a exposição precoce a essas substâncias sensibiliza a pele muito cedo, aumentando o risco de alergias futuras.
  • Preferir usar maquiagem apenas em eventos, momentos especiais, como apresentações de dança, festas, etc.
  • Usar apenas produtos liberados para a faixa etária.
  • Limpar o rosto com água e sabonete antes de dormir.
  • Atentar para sinais de alergia (dermatite de contato), como vermelhidão, descamação, coceira. Eles não costumam aparece na primeira vez que se usa um produto, mas sim com o passar do tempo, com a repetição do uso. Depois de instalada, volta a aparecer toda vez que houver contato com a substância.

Que marca escolher

Veja algumas marcas liberadas para uso a partir dos 5 anos de idade:

  • Beauty Brinq: é a primeira marca brasileira de maquiagem infantil. Possui kits com o selo da Disney, das princesas Tinkerbell, Minnie, etc. O selo da ANVISA e idade de recomendação (5 anos) vêm na embalagem.
  • Markwins: marca britânica comercializada no Brasil. Possui estojos menores e maletas mais sofisticadas, também seguindo as especificações da ANVISA. Liberadas a partir de 5 anos.

Ambas as marcas estão disponíveis nas lojas de departamento, como Americanas e Submarino.

maquiagem-infantil

Como prevenir alergias e combater os ácaros

criancas

As alergias são reações exageradas do nosso corpo para combater uma substância estranha. São a doença crônica mais comum na infância e na adolescência. Podem se manifestar, por exemplo:

  • na pele – com placas, vermelhidão, coceira, descamação, etc (a dermatite atópica)
  • nos olhos – com vermelhidão, ardência, lacrimejamento, fotofobia, etc (a conjuntivite alérgica)
  • nas vias respiratórias – com rinite (coriza, espirros, dor de cabeça, etc) e asma (tosse seca, falta de ar, chiado, dor no peito, etc)

A pessoa precisa ser predisposta para apresentar os sintomas de alergia. Em indivíduos que não são alérgicos, esses sintomas não chegam a aparecer. Essa predisposição tem um componente genético, bem como ambiental (frio, poluição do ar, uso de aparelhos de ar condicionado, pouco contato com a natureza) e o desmame precoce do leite materno (uso de leite de vaca antes de 2 anos de idade aumenta o risco de surgirem futuras alergias).

post-it

Ácaros são seres microscópicos e são considerados os principais fatores desencadeantes de alergias respiratórias em indivíduos predispostos. Têm papel muito importante também nas alergias de pele e nas conjuntivites alérgicas.

Pacientes com predisposição a alergia de pele (atópicos) possuem disfunção da sua barreira lipídica protetora. Desta forma, o ácaro em contato direto com a pele desprotegida desencadeia uma reposta inflamatória que pode levar à dermatite atópica.

A conjuntivite alérgica acomete até 20% das crianças entre 6-7 anos e pode ser precipitada por ácaros, baratas, antígenos de cães e gatos (fungos e pólen também, mas são mais raros no Brasil).

Os ácaros podem estar presentes em qualquer lugar dentro de casa. 80% das superfícies visíveis têm ácaros, mas eles crescem em maior quantidade em locais úmidos, em colchões, mantas, travesseiros, tapetes, pelúcias, rodapés, frestas no assoalho etc. Em 1 g de poeira podem ser encontrados até 3.000 ácaros.

 

Cuidados para evitar crises alérgicas

Ingerir bastante líquido e lavar narinas com soro fisiológico.

Manter ambientes arejados (expostos ao ar e sol). O ideal é manter atmosfera seca no interior das habitações (umidade relativa entre 50 e 60% e temperatura entre 18 e 20°C).

Manter limpeza frequente (a cada 6 meses) de aparelhos de ar condicionado, diminuindo a presença de bactérias e fungos no ambiente, causadores de infecções respiratórias

Evitar carpetes e tapetes, que acumulam mais ácaros. Pisos frios também acumulam ácaros em menor quantidade e além disso permitem sua livre circulação no ar, logo não devem ser negligenciados completamente.

Limpar chão e móveis com pano úmido (pode ser usada solução de limpeza descrita abaixo).

Evitar livros expostos próximos à cama.

Manter banheiro ventilado e seco. Eliminar focos de infiltração e manchas de bolor. Colocar toalhas diariamente para secar e trocar duas vezes por semana no mínimo.

Preferir cortinas de material sintético e lavar cortinas 1x/semana.

Fazer manutenção adequada das roupas de cama, colchōes, travesseiros, cobertores:

  • Aspirar colchões quinzenalmente (para retirar resíduos de ácaros de suas fezes)
  • Evitar travesseiros de plumas e com ervas (acumulam mais ácaros e cheiro forte precipita rinite) e preferir os de látex e espuma (se for usar travesseiros de pluma, cobrir com capa anti-ácaro com zíper)
  • Lavar roupa de cama em água quente (acima de 55-60 graus)
  • Preferir edredons a cobertores (menor acúmulo de ácaros)
  • Trocar travesseiros de 2/2 anos, não sendo necessário lavar

post-it

OBS: Colocar travesseiros e colchões no sol periodicamente pode ajudar a matar uma parcela dos ácaros, mas não substitui a sua troca. Após a exposição ao sol é necessário aspirar para retirar os resíduos de ácaros que foram mortos (o principal provocador das alergias são as fezes dos ácaros).

Lavagem e solução de limpeza

Lavar materiais em água morna (mínimo 55°C) é a melhor forma de matar os ácaros.

Em superfícies que não podem ser lavadas (superfícies de móveis, livros e colchões, por exemplo) pode ser aplicada uma mistura de 200 ml de vinagre de vinho branco em 4 litros de água. Essa mistura pode reduzir em 87% o número de ácaros. Opção: mistura meio a meio de álcool e vinagre.

post-it-2

Solução ADF Plus

Solução desenvolvida pela Allergoshop que alega eliminar 86,7% dos fungos, bactérias e ácaros em 6 dias após a primeira aplicação e manter índice de repelência de 84,6% mesmo 10 dias após a utilização. Pode ser aplicada em tapetes, carpetes, sofás, cortinas, pelúcias, sapatos, roupas e em outros materiais têxteis. Pode também ser usada em outras superfícies que apresentem sinais de poeira e bolor, como cerâmicas, couro e fórmicas.

sol

 

Aquecimento e congelamento

Reduzem a proliferação de ácaros, mas sozinhos não são capazes de eliminar os restos de ácaros e sua fezes que provocam as alergias. Servem como alternativa aos materiais que não podem ser molhados.

Aquecimento: deixar 15 minutos na secadora a no mínimo 55°C.

Congelamento: manter em temperatura entre -18 a -20°C por 24 horas. Não é possível atingir essas temperaturas no congelador da geladeira, apenas no freezer. Temperaturas da geladeira podem apenas paralisar o crescimento dos ácaros, sem matá-los.

Uso do aspirador

Aspirar pó 2x/semana do quarto de dormir e locais mais frequentados pela pessoa alérgica pode reduzir a população de ácaros no ambiente e as crises alérgicas. Aspirar sofás, colchão e estrado. Chão, tapetes e carpetes também devem ser aspirados.

Os aspiradores com filtro HEPA (high efficiency particulate air) são mais eficazes que os aspiradores clássicos em aspirar pólens e ácaros.

Capas protetoras

A utilização de capas anti-ácaros é considerada muito eficaz na redução dos níveis de ácaros nos travesseiros e colchões, sendo recomendadas aos alérgicos.

No entanto, nem todas as capas comercializadas são recomendadas: elas devem ser preferencialmente com zíper e obrigatoriamente de plástico PVC. Capas de tecido ou TNT não são nada eficazes. Há opções de capas em dupla camada (de tecido com membrana de PVC interna) igualmente eficazes que o PVC puro e mais confortáveis ao toque (embora eu use as de PVC puro sem sentir qualquer incômodo).

Veja em: Alergo ShopAlergo House, Allergocenter, Casa do Alérgico.

 Outros

Purificadores de ar não têm qualquer benefício comprovado.

Queda dos dentes de leite

criancas

As crianças começam a ganhar os dentinhos de leite quando bebês, em média entre 6 e 10 meses de idade, e até os três anos vão possuir 20 dentes de leite. Esses dentes são semelhantes em estrutura, mas diferentes no tamanho e formato em relação aos dentes permanentes. É somente por volta dos 5 a 7 anos que os dentes de leite começam a dar lugar aos permanentes.

A queda dos dentes de leite pode deixar as crianças orgulhosas da nova fase ou envergonhadas por ficarem banguelas, dependendo de como a situação for encarada. É recomendado agir naturalmente, explicando que estão crescendo e apontando amiguinhos na mesma situação.

Pode arrancar?

O processo de queda do dente acontece e forma natural, com a reabsorção de sua raiz pelo dente que está crescendo para ocupar seu lugar. Ele vai amolecendo e muitas vezes cai durante a alimentação ou escovação.

É comum a criança ficar incomodada com o dente amolecido porque a sua mobilidade atrapalha na hora de comer. Se o dente estiver bem mole e a criança quiser puxar levemente ou pedir ajuda pros pais pra arrancar, isso não será um problema. Do contrário, não se deve forçar a situação. O dente vai cair com ou sem ajuda.

OBS: A velha técnica de amarrar um fio dental no dente e prender na maçaneta da porta e bater não deve ser incentivada. Ela pode quebrar a raiz do dente e provocar muita dor.

Há algum tempo percebi que meu filho estava muito incomodado com um dente que tinha ficado muito mole. Ele estava sem coragem de puxar, então dei a ele uma maçã pra morder, sem nenhum alarde… Problema resolvido no ato.

Ordem de queda

Podem existir alterações nessa ordem, mas em geral os primeiros a cair são os incisivos centrais inferiores, aos 5-7 anos. Depois, os incisivos centrais superiores, seguidos pelos incisivos laterais. Geralmente os dentes inferiores caem antes dos superiores. Somente após os 9 anos costumam cair os outros dentes, começando pelos caninos. Depois se seguem os pré-molares, que caem até os 12-13 anos (do primeiro pré-molar inferior até o segundo pré-molar superior, conforme figura abaixo).

dentes-queda

OBS: Os primeiros molares permanentes nascem aos seis anos de idade, atrás do último dentinho de leite (segundos pré-molares), sem que haja a troca.

Particularidades

O dente permanente pode nascer logo depois da queda do dente de leite ou até um mês depois. Após a queda, pode haver um pequeno sangramento. Uma bolinha de algodão ou gaze embebida em água gelada pode ser dada para a criança morder por uns 5 minutos. A escovação deve ser feita normalmente após a queda de um dente.

Situações em que devemos procurar um dentista:

  • o dente permanente nasceu sem que o de leite tivesse caído
  • o dente de leite caiu mas o de leite não nasceu (mesmo após um mês da queda)
  • a criança tem mais de 7-8 anos e não nasceu nem caiu nenhum dente

E se engolir?

O perigo maior seria se a criança aspirasse o dente. Se a criança engolir sem perceber não tem problema: do mesmo jeito que entrou o dente vai sair, quando a criança for no banheiro.

Se o dente cair durante o sono, a tendência é ele sair da boca e não ser engolido.

E não custa dizer: não há relatos de crianças que aspiraram dente dormindo.

 

Congelamento e obtenção de células-tronco

As células-tronco obtidas da polpa dentária são de origem, conjuntiva e têm potencial teórico de regenerar células ósseas, de músculo, gordura e cartilagem. Elas não têm potencial de regenerar células sanguíneas e tratar leucemia (como as do cordão umbilical).

Atualmente as células tronco obtidas da polpa dentária estão sendo testadas com sucesso em cirurgias para lábio leporino, recuperando tecidos dentários. Outros usos ainda estão em fase de pesquisa – como a recuperação de tecido neuronal no tratamento de doença de Parkinson e Alzheimer. Até onde os estudos avançaram, elas não têm se mostrado boas para regenerar tecido muscular.

O ideal é que antes do dente cair, a criança faça uma consulta para ser examinada e fazer uma radiografia que ajude a decidir qual dente será usado. Quando ele começar a ficar mole, o local deve ser bem higienizado e o dente deve ser extraído em casa ou pelo dentista e ser acondicionado em tubo com soro fisiológico (para a polpa não secar) e refrigerado. Deve ser transportado em recipiente com gelo.

Encontrei empresas que fazem o serviço, como o Centro de Criogenia Brasil, que oferece o congelamento da polpa dos dentes de leite desde 2013. De acordo com os valores atuais custa em torno de R$ 2.600 e é preciso pagar uma taxa de manutenção anual de R$ 450 (um pouco menos caro que o congelamento do cordão umbilical).

No entanto, acredito que deve ser incentivado o congelamento do material em bancos públicos, da mesma forma que as células tronco do cordão umbilical. Além da questão do custo, alguns tipos de células-tronco não precisam de compatibilidade e poderiam ser usadas em várias pessoas. A Rede BrasilCord reune vários bancos públicos que armazenam sangue do cordão umbilical, mas não encontrei nenhuma informação a respeito do congelamento público de células da polpa dentária.

O Projeto Fada do Dente é um projeto científico que visa estudar e compreender os mecanismos existentes por trás do autismo infantil. Ele recebe doações de dentes de leite de crianças autistas acondicionados como já descrito acima.

OBS: Vale lembrar que, se a criança precisar extrair um dente permanente por algum outro motivo, ele também pode ser doado – sua polpa contém células-tronco do mesmo jeito.

Doação

Universidades aceitam receber dentes para uso em pesquisa ou ensino de anatomia. O dente extraído deve ser acondicionado em um recipiente com soro fisiológico, dentro de uma caixinha de isopor com gelo.

Tarefas para as crianças: habilidades e quadro de incentivo

criancas

Essa semana voltou a circular uma tabela com algumas sugestões para as crianças ajudarem nas tarefas da casa. É uma tabela baseada no método Montessoriano, com atividades apropriadas para cada faixa etária, visando estimular a independência e participação da criança nas tarefas do dia-a-dia.

Há várias outras planilhas disponíveis na internet, todas um pouco semelhantes. A idéia e deixar de lado nossa tendência super protetora e permitir que a criança adquira responsabilidades que já são esperadas para a idade.

Quem não se pegou vestindo um filho que já sabe fazer isso sozinho ou guardando todos os brinquedos do quarto sem ajuda do filho simplesmente porque parece mais fácil? Todas fazemos isso. O problema, penso eu, é quando fazemos disso nossa rotina, sem dar espaço pros nossos filhos se tornarem mais independentes e menos acomodados.

Resumi abaixo algumas habilidades que são esperadas de acordo com a faixa etária.

 

habilidades

 

Planilhas semanais (quadros de incentivo)

Para incentivar o cumprimento das tarefas, já usei uma planilha de estrelinhas com as tarefas semanais. Deu certo por um bom tempo, depois foi ficando um pouco monótono. Foi baseado no quadro de incentivo da Super Nanny e as crianças conquistavam o direito de escolher um passeio pro final de semana quando ganhavam um mínimo de estrelinhas. Fiz com cartolina e canetinha mesmo, bem simples.

Agora encontrei uma versão para impressão que pretendo voltar a usar e deixo abaixo o molde em português e a minha versão adaptada pros meus filhos como exemplo. Vou plastificar pra poder marcar com canetinha e usar várias vezes. Dessa vez no lugar das estrelinhas as crianças vão ganhar moedas ao fim de cada semana.

Quem se anima?

tarefas-da-semana
Modelo

tarefas-lipe-e-liviaHá também quadros prontos à venda, com ímãs que podem ser colocados sobre o dia da semana após a tarefa ser realizada. A maioria é imantada visando permitir, por exemplo, o uso na geladeira.

sem-titulo3
Comprar em: Elo7