Esmaltes infantis: as recomendações atuais

criancas

É permitido uso de esmaltes na infância? Esmaltes infantis são perigosos?

Esmaltes comuns contém muitas substâncias indutoras de alergias, como tolueno, formaldeído e mica. 10% da população adulta é alérgica a esmalte comum, podendo em alguns casos usar esmaltes hipoalergênicos.

As crianças são particularmente mais susceptíveis a essas alergias, que se manifestam sobretudo como vermelhidão, coceira, descamação e inchaço, mais comumente na face, sobretudo pálpebras. Elas não devem usar esmaltes adultos de forma a evitar contato precoce com qualquer substância provocadora de alergia. Quanto mais cedo a criança é exposta a essas substâncias, maior o risco de alergia na infância ou vida adulta. E uma vez que a alergia for instalada o uso do produto fica proibido.

Esmaltes para uso adulto, hipoalergênicos ou não, estão liberados pela ANVISA a partir de 12 anos de idade.

Mas as crianças gostam de brincar de imitar os adultos. E para alegrar nossas pequenas, vamos em busca de alternativas para essas brincadeiras…

Esmaltes permitidos

Os esmaltes permitidos para crianças a partir de 3 anos de idade são aqueles à base de água e que saem sem necessidade do uso de acetona ou removedor. Possuem a chamada tecnologia Peel Off (parecem uma cola colorida e se descolam por inteiro da unha). Não possuem solventes e têm odor mais suave. Alguns também podem possuir substâncias de gosto amargo, para evitar a ingestão acidental. Têm baixíssima durabilidade e sim, são bem caros…

Marcas

  • Piggy Paint: marca desenvolvida por uma mãe americana que buscava produtos para suas filhas. Tem um slogan engraçadinho, “Natural as mud” – Natural como a lama. Grande variedade de cores e produtos, mas só se encontra nos EUA. Veja site da marca.
  • Esmaltes Disney: à venda em lojas de brinquedos, em vários formatos. Foram esses que experimentei. São caros e saem na primeira lavagem.
  • Petit Sophie do Boticário: produto nacional com fórmula a base de água e tecnologia Peel Off, à venda na internet e lojas da marca.
  • Bo-Po: produto importado à venda na internet, também abase de água e tecnologia Peel Off. Vide página no Facebook.

OBS: Impala Kids e Ella Kids deixaram de ser fabricados.

Esmalte caseiro

Inspirada na consistência de cola (e no alto custo) desses esmaltes encontrei uma receita caseira que funciona legal:

  • uma parte de cola
  • uma parte de tinta escolar infantil e/ou glitter
caseiro
Video: Arts and Crafs

Pode ser usado óleo na unha antes da aplicação da mistura pra facilitar a retirada. Ou basta lavar as mãos. Fica um pouco opaco, mas tem a mesma consistência de esmalte e a secagem é super rápida. Aqui em casa fez sucesso igualzinho a qualquer outro:

 

 

 

 

Maquiagem infantil

criancas

Qual criança não gosta de imitar a mãe? Quantas de nós não pegamos a maquiagem da mãe pra brincar quando éramos crianças?

Como médica, e pior, esposa de dermatologista, fica difícil pra mim ignorar os riscos de deixar que minha filha brinque com maquiagem feita para adultos. Reações alérgicas em crianças são muito comuns.

A intenção inicial desse post era descobrir se há produtos seguros pra uso eventual na infância, mas acabei chegando a uma outra reflexão… O Brasil é um dos maiores consumidores internacionais de maquiagem infantil. Estamos estimulando a valorização estética precocemente em nossas filhas?

O que diz a ANVISA

Maquiagens infantis são feitas para crianças a partir de 5 anos. E algumas marcas são liberadas apenas após os 12 anos. A ANVISA exige que produtos infantis passem por testes de segurança (chamados grau 2). São feitos testes de toxicidade (para garantir que o produto seja seguro em caso de ingestão), de compatibilidade cutânea, ausência de potencial alergênico e testes de fotoirritação (irritação quando exposto à luz). A partir de 12 anos, testes menos extensos são exigidos para liberação pela ANVISA (testes grau 1).

O pré-requisito básico da maquiagem infantil é ter baixo poder de fixação, sendo facilmente removida com água. Componentes fixadores têm grande potencial de causar alergias, bem como os removedores de maquiagem.

Os batons e brilhos labiais devem colorir os lábios apenas temporariamente.

Maquiagens para bonecas não podem ser utilizadas na pele infantil.

Todos os produtos cosméticos infantis devem expor no seu rótulo o número de registro na ANVISA ou o número do processo do produto na Agência. O número do registro do produto, normalmente, aparece no rótulo como Reg. MS – X.XXXX.XXXX (começa com o algarismo 2 e possui nove dígitos).

Sombras para olhos não eram permitidas em maquiagens infantis até 2011 pela ANVISA. O rosto e, especialmente, as pálpebras, são as áreas mais sensíveis a alergias. Mas em 2012 foi feita uma consulta pública pela ANVISA, que liberou a comercialização de maquiagem infantil, incluindo sombra para os olhos, para crianças a partir de 3 anos de idade.

Fonte: ANVISA – Cosméticos Infantis.

O que dizem os especialistas

  • A pele da criança é mais fina, absorve qualquer produto com maior facilidade.
  • Não há idade segura para utilizar maquiagem na infância. Quanto mais postergar o uso, melhor: a exposição precoce a essas substâncias sensibiliza a pele muito cedo, aumentando o risco de alergias futuras.
  • Preferir usar maquiagem apenas em eventos, momentos especiais, como apresentações de dança, festas, etc.
  • Usar apenas produtos liberados para a faixa etária.
  • Limpar o rosto com água e sabonete antes de dormir.
  • Atentar para sinais de alergia (dermatite de contato), como vermelhidão, descamação, coceira. Eles não costumam aparece na primeira vez que se usa um produto, mas sim com o passar do tempo, com a repetição do uso. Depois de instalada, volta a aparecer toda vez que houver contato com a substância.

Que marca escolher

Veja algumas marcas liberadas para uso a partir dos 5 anos de idade:

  • Beauty Brinq: é a primeira marca brasileira de maquiagem infantil. Possui kits com o selo da Disney, das princesas Tinkerbell, Minnie, etc. O selo da ANVISA e idade de recomendação (5 anos) vêm na embalagem.
  • Markwins: marca britânica comercializada no Brasil. Possui estojos menores e maletas mais sofisticadas, também seguindo as especificações da ANVISA. Liberadas a partir de 5 anos.

Ambas as marcas estão disponíveis nas lojas de departamento, como Americanas e Submarino.

maquiagem-infantil

Como prevenir alergias e combater os ácaros

criancas

As alergias são reações exageradas do nosso corpo para combater uma substância estranha. São a doença crônica mais comum na infância e na adolescência. Podem se manifestar, por exemplo:

  • na pele – com placas, vermelhidão, coceira, descamação, etc (a dermatite atópica)
  • nos olhos – com vermelhidão, ardência, lacrimejamento, fotofobia, etc (a conjuntivite alérgica)
  • nas vias respiratórias – com rinite (coriza, espirros, dor de cabeça, etc) e asma (tosse seca, falta de ar, chiado, dor no peito, etc)

A pessoa precisa ser predisposta para apresentar os sintomas de alergia. Em indivíduos que não são alérgicos, esses sintomas não chegam a aparecer. Essa predisposição tem um componente genético, bem como ambiental (frio, poluição do ar, uso de aparelhos de ar condicionado, pouco contato com a natureza) e o desmame precoce do leite materno (uso de leite de vaca antes de 2 anos de idade aumenta o risco de surgirem futuras alergias).

post-it

Ácaros são seres microscópicos e são considerados os principais fatores desencadeantes de alergias respiratórias em indivíduos predispostos. Têm papel muito importante também nas alergias de pele e nas conjuntivites alérgicas.

Pacientes com predisposição a alergia de pele (atópicos) possuem disfunção da sua barreira lipídica protetora. Desta forma, o ácaro em contato direto com a pele desprotegida desencadeia uma reposta inflamatória que pode levar à dermatite atópica.

A conjuntivite alérgica acomete até 20% das crianças entre 6-7 anos e pode ser precipitada por ácaros, baratas, antígenos de cães e gatos (fungos e pólen também, mas são mais raros no Brasil).

Os ácaros podem estar presentes em qualquer lugar dentro de casa. 80% das superfícies visíveis têm ácaros, mas eles crescem em maior quantidade em locais úmidos, em colchões, mantas, travesseiros, tapetes, pelúcias, rodapés, frestas no assoalho etc. Em 1 g de poeira podem ser encontrados até 3.000 ácaros.

 

Cuidados para evitar crises alérgicas

Ingerir bastante líquido e lavar narinas com soro fisiológico.

Manter ambientes arejados (expostos ao ar e sol). O ideal é manter atmosfera seca no interior das habitações (umidade relativa entre 50 e 60% e temperatura entre 18 e 20°C).

Manter limpeza frequente (a cada 6 meses) de aparelhos de ar condicionado, diminuindo a presença de bactérias e fungos no ambiente, causadores de infecções respiratórias

Evitar carpetes e tapetes, que acumulam mais ácaros. Pisos frios também acumulam ácaros em menor quantidade e além disso permitem sua livre circulação no ar, logo não devem ser negligenciados completamente.

Limpar chão e móveis com pano úmido (pode ser usada solução de limpeza descrita abaixo).

Evitar livros expostos próximos à cama.

Manter banheiro ventilado e seco. Eliminar focos de infiltração e manchas de bolor. Colocar toalhas diariamente para secar e trocar duas vezes por semana no mínimo.

Preferir cortinas de material sintético e lavar cortinas 1x/semana.

Fazer manutenção adequada das roupas de cama, colchōes, travesseiros, cobertores:

  • Aspirar colchões quinzenalmente (para retirar resíduos de ácaros de suas fezes)
  • Evitar travesseiros de plumas e com ervas (acumulam mais ácaros e cheiro forte precipita rinite) e preferir os de látex e espuma (se for usar travesseiros de pluma, cobrir com capa anti-ácaro com zíper)
  • Lavar roupa de cama em água quente (acima de 55-60 graus)
  • Preferir edredons a cobertores (menor acúmulo de ácaros)
  • Trocar travesseiros de 2/2 anos, não sendo necessário lavar

post-it

OBS: Colocar travesseiros e colchões no sol periodicamente pode ajudar a matar uma parcela dos ácaros, mas não substitui a sua troca. Após a exposição ao sol é necessário aspirar para retirar os resíduos de ácaros que foram mortos (o principal provocador das alergias são as fezes dos ácaros).

Lavagem e solução de limpeza

Lavar materiais em água morna (mínimo 55°C) é a melhor forma de matar os ácaros.

Em superfícies que não podem ser lavadas (superfícies de móveis, livros e colchões, por exemplo) pode ser aplicada uma mistura de 200 ml de vinagre de vinho branco em 4 litros de água. Essa mistura pode reduzir em 87% o número de ácaros. Opção: mistura meio a meio de álcool e vinagre.

post-it-2

Solução ADF Plus

Solução desenvolvida pela Allergoshop que alega eliminar 86,7% dos fungos, bactérias e ácaros em 6 dias após a primeira aplicação e manter índice de repelência de 84,6% mesmo 10 dias após a utilização. Pode ser aplicada em tapetes, carpetes, sofás, cortinas, pelúcias, sapatos, roupas e em outros materiais têxteis. Pode também ser usada em outras superfícies que apresentem sinais de poeira e bolor, como cerâmicas, couro e fórmicas.

sol

 

Aquecimento e congelamento

Reduzem a proliferação de ácaros, mas sozinhos não são capazes de eliminar os restos de ácaros e sua fezes que provocam as alergias. Servem como alternativa aos materiais que não podem ser molhados.

Aquecimento: deixar 15 minutos na secadora a no mínimo 55°C.

Congelamento: manter em temperatura entre -18 a -20°C por 24 horas. Não é possível atingir essas temperaturas no congelador da geladeira, apenas no freezer. Temperaturas da geladeira podem apenas paralisar o crescimento dos ácaros, sem matá-los.

Uso do aspirador

Aspirar pó 2x/semana do quarto de dormir e locais mais frequentados pela pessoa alérgica pode reduzir a população de ácaros no ambiente e as crises alérgicas. Aspirar sofás, colchão e estrado. Chão, tapetes e carpetes também devem ser aspirados.

Os aspiradores com filtro HEPA (high efficiency particulate air) são mais eficazes que os aspiradores clássicos em aspirar pólens e ácaros.

Capas protetoras

A utilização de capas anti-ácaros é considerada muito eficaz na redução dos níveis de ácaros nos travesseiros e colchões, sendo recomendadas aos alérgicos.

No entanto, nem todas as capas comercializadas são recomendadas: elas devem ser preferencialmente com zíper e obrigatoriamente de plástico PVC. Capas de tecido ou TNT não são nada eficazes. Há opções de capas em dupla camada (de tecido com membrana de PVC interna) igualmente eficazes que o PVC puro e mais confortáveis ao toque (embora eu use as de PVC puro sem sentir qualquer incômodo).

Veja em: Alergo ShopAlergo House, Allergocenter, Casa do Alérgico.

 Outros

Purificadores de ar não têm qualquer benefício comprovado.

Queda dos dentes de leite

criancas

As crianças começam a ganhar os dentinhos de leite quando bebês, em média entre 6 e 10 meses de idade, e até os três anos vão possuir 20 dentes de leite. Esses dentes são semelhantes em estrutura, mas diferentes no tamanho e formato em relação aos dentes permanentes. É somente por volta dos 5 a 7 anos que os dentes de leite começam a dar lugar aos permanentes.

A queda dos dentes de leite pode deixar as crianças orgulhosas da nova fase ou envergonhadas por ficarem banguelas, dependendo de como a situação for encarada. É recomendado agir naturalmente, explicando que estão crescendo e apontando amiguinhos na mesma situação.

Pode arrancar?

O processo de queda do dente acontece e forma natural, com a reabsorção de sua raiz pelo dente que está crescendo para ocupar seu lugar. Ele vai amolecendo e muitas vezes cai durante a alimentação ou escovação.

É comum a criança ficar incomodada com o dente amolecido porque a sua mobilidade atrapalha na hora de comer. Se o dente estiver bem mole e a criança quiser puxar levemente ou pedir ajuda pros pais pra arrancar, isso não será um problema. Do contrário, não se deve forçar a situação. O dente vai cair com ou sem ajuda.

OBS: A velha técnica de amarrar um fio dental no dente e prender na maçaneta da porta e bater não deve ser incentivada. Ela pode quebrar a raiz do dente e provocar muita dor.

Há algum tempo percebi que meu filho estava muito incomodado com um dente que tinha ficado muito mole. Ele estava sem coragem de puxar, então dei a ele uma maçã pra morder, sem nenhum alarde… Problema resolvido no ato.

Ordem de queda

Podem existir alterações nessa ordem, mas em geral os primeiros a cair são os incisivos centrais inferiores, aos 5-7 anos. Depois, os incisivos centrais superiores, seguidos pelos incisivos laterais. Geralmente os dentes inferiores caem antes dos superiores. Somente após os 9 anos costumam cair os outros dentes, começando pelos caninos. Depois se seguem os pré-molares, que caem até os 12-13 anos (do primeiro pré-molar inferior até o segundo pré-molar superior, conforme figura abaixo).

dentes-queda

OBS: Os primeiros molares permanentes nascem aos seis anos de idade, atrás do último dentinho de leite (segundos pré-molares), sem que haja a troca.

Particularidades

O dente permanente pode nascer logo depois da queda do dente de leite ou até um mês depois. Após a queda, pode haver um pequeno sangramento. Uma bolinha de algodão ou gaze embebida em água gelada pode ser dada para a criança morder por uns 5 minutos. A escovação deve ser feita normalmente após a queda de um dente.

Situações em que devemos procurar um dentista:

  • o dente permanente nasceu sem que o de leite tivesse caído
  • o dente de leite caiu mas o de leite não nasceu (mesmo após um mês da queda)
  • a criança tem mais de 7-8 anos e não nasceu nem caiu nenhum dente

E se engolir?

O perigo maior seria se a criança aspirasse o dente. Se a criança engolir sem perceber não tem problema: do mesmo jeito que entrou o dente vai sair, quando a criança for no banheiro.

Se o dente cair durante o sono, a tendência é ele sair da boca e não ser engolido.

E não custa dizer: não há relatos de crianças que aspiraram dente dormindo.

 

Congelamento e obtenção de células-tronco

As células-tronco obtidas da polpa dentária são de origem, conjuntiva e têm potencial teórico de regenerar células ósseas, de músculo, gordura e cartilagem. Elas não têm potencial de regenerar células sanguíneas e tratar leucemia (como as do cordão umbilical).

Atualmente as células tronco obtidas da polpa dentária estão sendo testadas com sucesso em cirurgias para lábio leporino, recuperando tecidos dentários. Outros usos ainda estão em fase de pesquisa – como a recuperação de tecido neuronal no tratamento de doença de Parkinson e Alzheimer. Até onde os estudos avançaram, elas não têm se mostrado boas para regenerar tecido muscular.

O ideal é que antes do dente cair, a criança faça uma consulta para ser examinada e fazer uma radiografia que ajude a decidir qual dente será usado. Quando ele começar a ficar mole, o local deve ser bem higienizado e o dente deve ser extraído em casa ou pelo dentista e ser acondicionado em tubo com soro fisiológico (para a polpa não secar) e refrigerado. Deve ser transportado em recipiente com gelo.

Encontrei empresas que fazem o serviço, como o Centro de Criogenia Brasil, que oferece o congelamento da polpa dos dentes de leite desde 2013. De acordo com os valores atuais custa em torno de R$ 2.600 e é preciso pagar uma taxa de manutenção anual de R$ 450 (um pouco menos caro que o congelamento do cordão umbilical).

No entanto, acredito que deve ser incentivado o congelamento do material em bancos públicos, da mesma forma que as células tronco do cordão umbilical. Além da questão do custo, alguns tipos de células-tronco não precisam de compatibilidade e poderiam ser usadas em várias pessoas. A Rede BrasilCord reune vários bancos públicos que armazenam sangue do cordão umbilical, mas não encontrei nenhuma informação a respeito do congelamento público de células da polpa dentária.

O Projeto Fada do Dente é um projeto científico que visa estudar e compreender os mecanismos existentes por trás do autismo infantil. Ele recebe doações de dentes de leite de crianças autistas acondicionados como já descrito acima.

OBS: Vale lembrar que, se a criança precisar extrair um dente permanente por algum outro motivo, ele também pode ser doado – sua polpa contém células-tronco do mesmo jeito.

Doação

Universidades aceitam receber dentes para uso em pesquisa ou ensino de anatomia. O dente extraído deve ser acondicionado em um recipiente com soro fisiológico, dentro de uma caixinha de isopor com gelo.

Tarefas para as crianças: habilidades e quadro de incentivo

criancas

Essa semana voltou a circular uma tabela com algumas sugestões para as crianças ajudarem nas tarefas da casa. É uma tabela baseada no método Montessoriano, com atividades apropriadas para cada faixa etária, visando estimular a independência e participação da criança nas tarefas do dia-a-dia.

Há várias outras planilhas disponíveis na internet, todas um pouco semelhantes. A idéia e deixar de lado nossa tendência super protetora e permitir que a criança adquira responsabilidades que já são esperadas para a idade.

Quem não se pegou vestindo um filho que já sabe fazer isso sozinho ou guardando todos os brinquedos do quarto sem ajuda do filho simplesmente porque parece mais fácil? Todas fazemos isso. O problema, penso eu, é quando fazemos disso nossa rotina, sem dar espaço pros nossos filhos se tornarem mais independentes e menos acomodados.

Resumi abaixo algumas habilidades que são esperadas de acordo com a faixa etária.

 

habilidades

 

Planilhas semanais (quadros de incentivo)

Para incentivar o cumprimento das tarefas, já usei uma planilha de estrelinhas com as tarefas semanais. Deu certo por um bom tempo, depois foi ficando um pouco monótono. Foi baseado no quadro de incentivo da Super Nanny e as crianças conquistavam o direito de escolher um passeio pro final de semana quando ganhavam um mínimo de estrelinhas. Fiz com cartolina e canetinha mesmo, bem simples.

Agora encontrei uma versão para impressão que pretendo voltar a usar e deixo abaixo o molde em português e a minha versão adaptada pros meus filhos como exemplo. Vou plastificar pra poder marcar com canetinha e usar várias vezes. Dessa vez no lugar das estrelinhas as crianças vão ganhar moedas ao fim de cada semana.

Quem se anima?

tarefas-da-semana
Modelo

tarefas-lipe-e-liviaHá também quadros prontos à venda, com ímãs que podem ser colocados sobre o dia da semana após a tarefa ser realizada. A maioria é imantada visando permitir, por exemplo, o uso na geladeira.

sem-titulo3
Comprar em: Elo7

 

 

Cadeirinhas para carro

bebes criancas
Cosco Moove – a cadeirinha 5 estrelas

No Brasil, o trânsito é a principal causa de morte acidental de crianças e adolescentes com idade de zero a 14 anos, chegando a quase 40% do total de mortes. Milhares de crianças são anualmente hospitalizadas em decorrência dos acidentes de trânsito.

Segundo estudo americano, 1 em cada 4 pais já levaram seus filhos no carro sem a devida segurança, usando desculpas como “fui a um lugar perto” ou “estava com pressa”.

No entanto, cerca de 60% dos acidentes ocorrem próximos à residência do acidentado.

Segurar a criança no colo sem cinto não a protege de acidentes. Em um acidente a 50km/h, uma criança de 10kg passa a ter o equivalente a 500kg ao ser lançada para frente com a freada brusca. Ou seja, você jamais será capaz de segurá-la.

A cadeirinha é o único meio seguro de transportar uma criança no carro.

Recentemente o Proteste anunciou a primeira cadeirinha para bebê aprovada com louvor em todos os testes realizados: a cadeirinha Cosco Moove.

Tipos de assento

cadeirinhas

(1) BEBÊ-CONFORTO: para uso do nascimento até cerca de 1 ano de idade ou limite de peso do fabricante (9-13Kg). O ideal é usar até o limite de peso permitido. Como usar:

  • Virado para trás: essa é a forma correta de usar sempre, de costas para o painel do veículo.
  • Com cinto de três pontas e preferencialmente no meio do banco de trás: confere maior proteção maior em caso de colisão lateral. Como a maioria dos carros não tem cinto de três pontas no centro, fica recomendada a colocação no lado contrário ao banco do motorista (atrás do passageiro).
  • Travel system: alguns modelos de bebê-conforto podem ser usados tanto no carro quanto acoplados no carrinho do bebê, o que pode ser muito útil por exemplo quando o bebê está dormindo.
  • Base: presente em alguns modelos, é boa por uma questão de praticidade. Fica fixada no assento com cinto de segurança, permanecendo o tempo todo no veículo. O bebê-conforto pode ser desencaixado com facilidade e retirado do carro sem precisar manusear o cinto.
  • Cuidado com roupas grossas ou acolchoadas: se o cinto for ajustado com elas, deixará um espaço extra e as consequências, em caso de colisão, podem ser dramáticas de acordo com testes realizados nos EUA. Se necessário coloque uma manta sobre a cadeirinha e o cinto.
  • Bem ajustado: cinto justo ao corpo (veja abaixo teste da pinça) e com clipe peitoral na altura correta (e não na altura da barriga). teste

(2) CADEIRINHA/POLTRONA: para uso até 18-36Kg, dependendo do fabricante. Muitas são as opções disponíveis no mercado. Há modelos que reclinam o encosto e alguns são “reversíveis”, podendo ser usados de costas para o painel ou de frente quando a criança for maior. Alguns vêm com redutores que possibilitam o uso por bebês recém-nascidos. Como usar:

  • Virado pra trás o máximo de tempo possível: até o limite de peso de cada modelo. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Academia Americana de Pediatria é de que ela permaneça virada para trás até os 2 anos ou até o limite de peso da cadeira. A criança virada para trás tem 75% menos chance de morte ou lesões graves em caso de acidentes.
  • Cuidado com roupas grossas ou acolchoadas: vale o mesmo conceito usado no bebê-conforto. Se necessário, coloque uma manta sobre a cadeirinha e o cinto.
  • Bem ajustado: algumas cadeirinhas não têm o clipe peitoral. Nesse caso, eles devem ser adquiridos separadamente. São imprescindíveis porque mantém o cinto bem ajustado e impedem que a criança tire o braço de dentro do cinto.

    clipe
    Clipe peitoral – Comprar em: MercadoLivre

(3)  ASSENTO DE ELEVAÇÃO (“BOOSTER”): para uso a partir de 4 anos ou 18 kg e até 7,5 anos ou 36kg. Não deve ser usado se a criança tem menos de 1,15m devido à altura do cinto. Alguns modelos com encosto contam com ajuste do cinto e permitem uso a partir de 1,0m de altura. Assento que eleva a altura da criança de forma que ela utilize o cinto do próprio carro.

O uso do booster reduz 45% o risco de lesões graves quando comparado ao uso do cinto sem booster. Estudos mostram que o risco de lesão em crianças com idades entre 4-12 anos é maior que o das crianças menores. Elas têm maior risco de lesão abdominal pelo cinto de segurança, lesões da coluna vertebral e da face. A provável causa é a menor preocupação dos pais com o uso adequado da cadeirinha. Fica recomendado o uso do booster pelo máximo de tempo permitido pelo fabricante.

Como usar:

  •  Com cinto de 3 pontos: não usar com cinto abdominal. No assento do meio, com cinto abdominal, não deve ser usado booster.
  • Bem ajustado: para um uso seguro o cinto não pode ser posicionado sobre o pescoço nem sobre o abdome, mas sim na parte central dos ombros e sobre o quadril. Quando a criança é pequena o cinto pode acabar ficando posicionado sobre o pescoço e, para tornar mais confortável, a criança acaba puxando o cinto pra baixo do braço. Uma cadeirinha/poltrona ou um booster com encosto e guia posicionador do cinto podem resolver o problema. O uso correto do equipamento é imprescindível para a segurança da criança.uso-correto-do-cinto
  • Cuidado com roupas grossas ou acolchoadas: segue a mesma recomendação do bebê-conforto e cadeirinha.
  • Preferencialmente com encosto: vários modelos vêm com um encosto que é removível, mas ao remover o encosto eles perdem a proteção para colisão lateral. Perceba nesse vídeo a diferença entre colisão com e sem encosto:
video
Vídeo: Youtube

(4) Sem assento: a partir de 7,5 ou 8 anos, no momento em que atingir 1,45m de altura, a criança já pode usar o cinto sem a necessidade de booster.

Legislação Brasileira

A Lei das cadeirinhas obriga ao uso no carro desde o ano de 2010.cadeirinha

OBS: o valor atual da multa é R$293,47.

Peculiaridades:

  • A partir de 10 anos de idade a criança pode se sentar no banco da frente do carro.
  • Se houver mais de três crianças abaixo de 10 anos no carro, a mais alta pode ir no banco da frente com o dispositivo de retenção adequado (cadeirinha ou booster, conforme for recomendado).
  • O mesmo se aplica a carros que não tenham banco traseiro ou em que não seja possível instalar cadeirinhas.

Classificação Internacional

Como nem todas as crianças tem o mesmo biotipo, os padrões internacionais de classificação dividem as crianças por peso:

  • classe 0, para bebês de 0 a 10 kg (até 9 meses)
  • classe 0+, para crianças até 13 kg (até 12 meses)
  • classe 1, para crianças de 11 a 18 kg (de 1 a 3 anos)
  • classe 2, para crianças de 15 a 25 kg (de 2,5 a 5 anos)
  • classe 3, para crianças de 22 a 36 kg, (de 4 a 7,5 anos)

Nos modelos importados e na maioria dos nacionais essa classificação vem escrita na cadeirinha, facilitando a escolha por um modelo adequado ao biotipo da criança.

Sistemas de engate Isofix e Latch

isofix-e-latchSão padrões semelhantes de fixação, mais fáceis de instalar que o cinto do carro, reduzindo a chance do uso incorreto. Prometem reduzir os traumas associados a acidentes. As cadeirinhas com esses sistema custam, no entanto, pelo menos duas vezes mais que as que usam o cinto do carro para fixação.

Enquanto o Latch é um sistema americano que usa cintas ou faixas, o Isofix é um novo padrão de fixação inicialmente europeu, que está sendo adotado por fabricantes de veículos em vários países. No Brasil os carros novos deverão vir obrigatoriamente com o sistema de Isofix de engate a partir de 2018. Veículos importados poderão usar o sistema Latch.

Ambos podem ser complementados com uma fixação adicional superior com função anti-rotação (Top Tether).

Por enquanto as cadeirinhas com Isofix à venda no Brasil custam uma fortuna (maioria em torno de 2 mil reais) e são bastante difíceis de encontrar.

Polêmica: Não parece muito definido se o Isofix realmente reduz os traumas quando comparado ao cinto de segurança. Encontrei estudos comparativos, americanos e europeus, que não viram benefício no uso do Isofix no impacto frontal. Isso porque, em caso de acidente, parte da energia é absorvida pelo cinto, que tem suas fibras levemente distendidas. O Isofix é mais rígido e o impacto é mais transmitido para o assento e a criança. Seu benefício seria maior no caso do impacto lateral (nesse quesito o Isofix parece ser ainda superior ao Latch). Veja estudos aqui e aqui.

Modelos Nacionais

O INMETRO é um instituto federal responsável por fiscalizar a segurança das cadeirinhas. Ele confere um selo para aquelas que são aprovadas nos testes, no entanto testes de colisão lateral não fazem parte da avaliação deste órgão.

A Proteste é uma organização civil sem fins lucrativos que representa a maior organização de defesa do consumidor da América Latina. Ela realiza testes independentes praticamente anuais de algumas cadeirinhas com selo do INMETRO. Avalia quesitos como manual de instruções, facilidade de instalação, teste de colisão frontal e lateral. Veja todos os testes site do Proteste. Segue tabela com todos os modelos avaliados:

No primeiro teste realizado em  2011 a Proteste avaliou o bebê-conforto em diferentes marcas de carro popular, procurando saber se havia uma marca mais compatível com cada veículo. Observou-se que há realmente uma maior compatibilidade com uma marca, sem no entanto invalidar as outras no quesito de segurança. A única excessão foi o Ford Ka, que se mostrou incompatível com quase todos os modelos na época da análise.

De 2012 a 2015 vários testes foram realizados com modelos de bebê-conforto e cadeirinhas. Boosters nunca foram avaliados.

Algumas marcas foram avaliadas mais de uma vez. É o caso do Chicco Key Fit, que manteve sua boa avaliação em 2015. Marcas conhecidas, como a Peg Perego foram avaliadas negativamente em todos os testes. Os bebês conforto Burigotto Turing Evolution e Lenox Caracol foram mal avaliados em 2016 porque permitiram contato da cabeça do bebê com a porta do carro.

Os testes de colisão lateral raramente foram bons, com exceção, pela primeira vez, do Prime Baby Journey e do Cosco Moove. A Cosco Moove é a primeira cadeirinha 5 estrelas da América Latina, com ótimo desempenho nos testes de impacto frontal e lateral. 

Em 2013 foi avaliada a cadeirinha de 9 a 18 Kg Britax Roemer Duo Pluss TT com Isofix. Ela não consta na tabela porque não está presente no mercado brasileiro. Ela apresentou resultado superior às demais e foi testada para demonstrar a eficiência do sistema Isofix, que visa melhorar não só a performance dos testes de colisão frontal, como também nos de colisão lateral.

Todas as cadeirinhas avaliadas de 0-18Kg, 0-25Kg tiveram desempenho ruim nos testes de impacto frontal, inclusive a muito usada Burigotto Matrix Evolution, Safety 1st e Cosco. Segundo os testes, elas permitiram grande deslocamento da cabeçada criança.

Modelos Importados

O órgão americano responsável por testar as cadeirinhas é o NHTSA (National Highway Traffic Administration). Veja no site da NHTSA a lista de modelos avaliados e considerados seguros para uso. Todos os listados foram considerados seguros (as estrelinhas da tabela se referem à facilidade do uso).

Vale lembrar que as cadeirinhas americanas usam o sistema Latch e foram testadas com essa fixação no carro, em testes de colisão frontal e lateral. No entanto a tabela pode servir como guia para quem for fixar a cadeirinha com o cinto do carro.

A cadeirinha para carro mais procurada pelos americanos é a NextFit Zip, da Chicco, para crianças de 2 a 30 kg.

Seguem alguns modelos frequentemente usados:

Para os maiores (15-36Kg), há vários modelos de booster como o Graco LX Comfort, que não foi avaliado pelo Proteste mas encontrei sendo vendido no Brasil. São modelos com guia intuitivo para posicionar corretamente o cinto e reforço para proteger de colisão lateral.

cadeira-para-auto-logico-lx-comfort-lion-graco-4875214
Graco LX Comfort Lion

Modelos preferidos pelos europeus podem ser vistos em: Made For Mums (0-9Kg), Made For Mums (>9Kg), Independent. Mas nem todos possuem sistema de fixação Isofix.

Alguns modelos vêm com um “pé” para apoio no chão do carro e pode ser usado com a cadeirinha fica voltada pra frente ou para trás. Como por exemplo o modelo abaixo.

maxi-cosi-2way-pearl
Maxi Cosi 2Way Pearl – Vídeo: Youtube

Para quem quiser usar o Isofix

No Brasil ainda não são fabricados modelos com Isofix. Algumas concessionárias estão anunciando cadeirinhas de marca própria com preços que não valem nem a pena comentar (algo como 5-6 mil reais). Esperamos que isso mude em breve…

Pesquisando na Amazon americana encontrei quase nenhuma cadeirinha e com preços muito elevados. Como dito acima, o sistema usado por eles é o Latch.

Pesquisando na Amazon.uk, encontrei preços mais baixos e variedade maior. Alguns vendedores entregam nos EUA, o que pode ser interessante pra quem for viajar e quiser comprar. No site de compras britânico Kiddicare encontrei preços que varia de 35 a 550 libras.

As marcas mais comuns que usam o sistema Isofix são a Britax e Max-Cosi. Chicco, Peg Perego, Graco e outros não vendem ou têm poucos modelos com esse tipo de fixação.

Links

Leia aqui sobre o Booster Mifold Grab-and-Go, o booster compacto para usar em viagens no exterior em crianças a partir de 4 anos.

Sabonetes, óleos e hidratantes para a pele da criança maior

criancas

Em sequência ao post anterior sobre produtos para pele de bebês, adapto a acrescento algumas informações para o dia-a-dia dos nossos filhos maiores.

O banho, além de ser uma prática necessária para manter a higiene, é um momento de relaxamento e também diversão para as crianças.

Resíduos de alimentos, fezes, saliva, pomadas, restos celulares e poeira atmosférica devem ser retirados através do banho. Como a maior parte desses resíduos possui componentes gordurosos em sua composição, a limpeza somente com água não é suficiente. A água é capaz de remover, segundo alguns estudos, somente 65% da sujeira da pele.

Funções da pele

A pele é o maior órgão do corpo humano e suas principais funções são: barreira, proteção física e imunológica, regulação da temperatura corporal, percepção (calor, frio, dor e tato), secreção de substâncias e de precursores de vitamina D. O principal motivo pelo qual devemos cuidar bem da nossa pele é justamente a necessidade de mantê-la íntegra para que ela possa exercer plenamente suas funções.

Barreira: é a função mais importante, exercida pela camada mais externa da pele, a camada córnea. São funções de barreira: prevenir a desidratação, impedir a penetração de agentes tóxicos e corrosivos, minimizar a invasão de microorganismos.

Manutenção da temperatura corporal: função realizada pela camada de gordura da pele e pelo suor produzido pelas glândulas sudoríparas.

Evitar a perda de água: função realizada pelo sebo produzido pelas glândulas sebáceas. Ele irá fazer parte do filme lipídico da pele e evitar a perda de água.

Proteção: função realizada pelo pH ácido da pele. O pH da pele saudável da criança e do adulto varia de 4 a 7 (maioria 4,2 – 5,6). Essa acidez protege contra a penetração de microorganismos.

Sabonete ideal

O pH é a característica mais importante de um sabonete. Sabonetes com pH 7,0 têm a capacidade de aumentar o pH da pele em 1,0 e essa alteração persiste por 60 minutos.

Em crianças com predisposição atópica (alérgica), estas variações de pH são mais acentuadas e danosas. Foi demonstrado que a simples elevação do pH é capaz de romper a barreira cutânea, sendo que a recuperação é mais lenta nos atópicos.

Sabonetes líquidos são sempre preferíveis aos em barra vários motivos:

  • Mais higiênicos: a barra fica contaminada com microorganismos da pele, ainda mais quando compartilhados
  • Maior poder hidratante e emoliente: permite inclusão de substâncias na composição que a barra não permite
  • pH ácido: o melhor que se consegue de um sabonete em barra é o pH neutro
  • Menos abrasivos: esfregar uma barra pode irritar a pele sensível

Entre os efeitos negativos dos sabonetes sobre a pele, podemos incluir:

  • Alcalinização do pH: provocando variação nas espécies e aumento no número de bactérias e alterando a atividade das enzimas epidérmicas.
  • Interação com proteínas: fragmentando queratina e desidratando as membranas celulares e o colágeno.
  • Interação com os lipídeos: tornando os lipídeos mais solúveis e danificando a camada córnea.
  • Citotoxicidade: alterando a permeabilidade e levando à lesão celular.

Entre as manifestações clínicas decorrentes dessas alterações sobre a pele estão: pele seca, descamação, vermelhidão, coceira, aspereza na pele. As manifestações serão mais intensas quanto maior o tempo de exposição ao sabonete e quanto maior a frequência do uso.

Sabonetes Infantis

São os únicos recomendados para crianças até 1 ano de idade. Após 1 ano, seu uso é opcional.

As tabelas abaixo comparam o pH dos sabonetes infantis (extraídas do artigo científico “Avaliação crítica do pH dos sabonetes infantis“). Observe que mesmo alguns que contém expressões como “pH neutro”, “pH balanceado” ou “dermatologicamente testado” apresentam pH acima da faixa esperada. O ideal seria usar sabonetes com pH inferior a 7,0 (ácidos). Mas como é possível notar abaixo, apenas o sabonetes líquidos atingem esse nível.

sabonetes-infantis

Praticamente qualquer sabonete líquido descrito acima será melhor para uso infantil que o em barra. A grande maioria dos sabonetes infantis em barra tem pH 8-11.

Entre os sabonetes em barra aquele que se destaca pelo menor pH com bom custo-benefício é o Dove baby. O Galderma Proderm tem um pH ainda menor, mas custa 20X mais. A maior desvantagem da marca Dove é realizar testes em animais, bem como todas as grandes marcas do mercado (Johnson’s, Avon, Huggies, todas testam).  Granado e Natura são exemplos de empresas que não fazem testes nem utilizam substâncias de origem animal.

baby
Melhor custo-benefício de sabonete infantil em barra

Sabonetes para uso adulto

A partir de 1 ano de idade a criança pode passar a usar o mesmo sabonete dos pais. Esses sabonetes não têm as mesmas propriedades que os próprios para uso infantil, de forma que deve-se preferir os hipoalergênicos, sem corantes e fragrância forte.

Em avaliação do Proteste o Dove foi o único sabonete em barra com pH adequado para uso, inclusive para os adultos. O Proteste avaliou outros quesitos, mas do ponto de vista dermatológico poucos sabonetes foram considerados adequados.

dove
Melhor custo-benefício de sabonete adulto em barra

Ainda segundo a avaliação do Proteste, ao avaliar os sabonetes que ficam em segunda linha (pelo menos não variam tanto o pH da pele nem a deixam desidratada), restariam as opções abaixo:

segunda-linha-de-sabonetes

Vale reforçar que a maioria das grandes marcas, como a Dove, faz testes em animais, no entanto Granado e Phebo não fazem nem utilizam substâncias de origem animal em sua formulação. Fonte: SAC das marcas – disponibilizado no site Guia Vegano.

Enquanto os sabonetes em barra ficam em sua maioria com pH acima de 8-11, os sabonetes líquidos são mais adequados ao pH ácido da pele, conforme pode ser visto na tabela abaixo (extraída do artigo “Variações do pH dos sabonetes e indicações para sua utilização na pele normal e na pele doente“, Anais Brasileiros de Dermatologia). Quaisquer deles seria mais adequado que os em barra. E, ao contrário do que parece, apesar do custo mais alto, as versões líquidas geram bem menos desperdício que as em barra, compensando do ponto de vista financeiro.sabonetes-liqs-adultos

Syndets

Existem sabonetes chamados Syndets que são fabricados a partir de componentes sintéticos e não de sabão. Esses detergentes sintéticos têm pH neutro ou ligeiramente ácido e provocam menos irritação na pele. O inconveniente dos Syndets é o custo elevado para uso diário. São frequentemente indicados para crianças e adultos com dermatite atópica (alergia na pele).

Entre aqueles que foram estudados no artigo citado acima está o Cetaphil, que atualmente tem uma versão infantil (Dermopediatrics).
syndets
sabonetes-syndets

syndets-barra

Sabonetes antibacterianos

Sabonetes antibacterianos não devem ser usados regularmente!!!!

Os sabonetes antibacterianos em barra apresentaram os maiores valores de pH de todos os avaliados (pH 10-11), sendo que os líquidos apresentaram pH um pouco mais aceitável. Isso demonstra que esses produtos podem ser agressivos para a pele da criança e que não deveriam ser usados de maneira rotineira. Devem ficar reservados para situações específicas, por curtos períodos e em localizações restritas (como nas mãos), conforme orientação do pediatra ou dermatologista.

Em análise do Proteste a maioria dos sabonetes bactericidas tiveram um desempenho muito ruim. Os sabonetes da marca Protex barra e líquido e Lifebuoy líquido não eliminaram nenhum micro-organismo. Dos cinco sabonetes que anunciavam proteger a pele contra o Staphylococcus aureus (causador de infecções na pele), somente o Dettol em barra confirmou a ação. Soapelle e Soapex não foram testados.

Banho

Banhos longos e quentes removem a camada lipídica, deixando a pele mais ressecada e com sua barreira de proteção danificada. O ideal é que a temperatura da água seja próxima à corporal, em torno de 37°C.

Banho diário é recomendado. No entanto, caso seja necessário um segundo banho no dia, ele deverá ser preferencialmente sem sabonete, a fim de minimizar seus efeitos negativos.

Hidratantes

Nosso hábito de banhos diários danifica o manto lipídico da pele e sua barreira de proteção. No inverno o banho fica mais quente, aumentando o risco de desidratação da pele. No verão, o sol, os ambientes secos pelo ar condicionado, a água da piscina e da praia também ressecam a pele. A hidratação estaria, assim, sempre indicada.

Crianças com a pele seca são mais propensas a desenvolver dermatite atópica, um dos problemas mais comuns entre os pequenos. São manchas avermelhadas que descamam e surgem pelo corpo, podendo produzir coceira; ou pior, se a criança coçar e arranhar, pode ser uma porta de entrada para bactérias. Em crianças com dermatite atópica a hidratação é ainda mais importante.

Podem ser aplicados 1-2 vezes ao dia. O melhor momento para aplicação do hidratante seria após o banho, justamente para reparar o dano da barreira que ele provoca.

O pH dos hidratantes varia entre 3 e 8, sendo mais adequados aqueles entre 4,5 e 7,0.

Mesmo um excelente hidratante não precisa ser de uso exclusivo infantil. A maior parte dos hidratantes ditos “infantis” não são adequados. Os produtos que permitem uso na infância não devem possuir componentes alergênicos. Eles podem ser um gatilho para o sistema imunológico, provocando alergias respiratórias ou da pele.

Entre aqueles recomendados pelos dermatologistas, que estão liberados, segundo os fabricantes, para para uso em crianças estão: Mustela Hydra Bébé, Cetaphil Dermopediatrics e Restoraderm (versão para portadores de dermatite atópica), Umiditá infantil, Lipikar Syndet, Neutrogena Hidratante Norwegian, Fisiogel e Eucerin pH5. Todos liberados para crianças a partir de 6 meses de idade – veja aqui quais podem ser usado em bebês recém nascidos.

hidratante-maiores-6m

 

Óleos

São substâncias que fazem um filme de proteção na pele, diminuindo a perda de água. Diferem dos hidratantes (umectantes), que agregam molécula de água e penetram na pele, deixando-a mais hidratada. Em resumo, diferente do que a maioria das pessoas acredita, os óleos (emolientes, lubrificantes) impedem a desidratação da pele, mas não hidratam.

Os óleos podem ser usados de diversas formas:

  • Em uma massagem
  • Sobre os hidratantes (aumentando a duração do efeito hidratante)
  • Na pele antes do banho (evita a perda do conteúdo lipídico da pele durante o banho)
  • Podem ser também usadas algumas gotas de óleo na água da banheira (também minimiza a perda durante o banho)

Preferir os óleos sem fragrância porque têm menor potencial alergênico, como o exemplo abaixo.

oleo_johnson

 

Com participação do marido e dermatologista, Dr Daniel Fernandes Melo.

Sabonetes infantis, óleos e hidratantes para a pele do bebê

bebes

Um estudo mostrou que em média oito produtos diferentes são em geral aplicados na pele do bebê no primeiro mês de vida – entre eles os sabonetes, óleos e hidratantes. Muitos produtos aplicados na pele de recém-nascidos não foram desenvolvidos para esta faixa etária. Alguns desses produtos podem aumentar os riscos de alergias e infecções. Há casos relatados, inclusive, de infecções generalizadas decorrentes de cremes sem conservantes adequados.

Funções da pele

A pele é o maior órgão do corpo humano e suas principais funções são: barreira, proteção física e imunológica, regulação da temperatura corporal, percepção de calor/frio/dor/tato, secreção de substâncias e de precursores de vitamina D. O principal motivo pelo qual devemos cuidar bem da nossa pele é justamente a necessidade de mantê-la íntegra para que ela possa exercer plenamente suas funções.

Barreira: é a função mais importante, exercida pela camada mais externa da pele, a camada córnea. São funções de barreira: prevenir a desidratação, impedir a penetração de agentes tóxicos e corrosivos, minimizar a invasão de microorganismos.

Manutenção da temperatura corporal: função realizada pela camada de gordura da pele e pelo suor produzido pelas glândulas sudoríparas.

As glândulas sudoríparas vão amadurecendo aos poucos após o nascimento, primeiramente na face, depois no tórax, axilas e por último extremidades. Quando está quente, baixamos a temperatura corporal perdendo calor pela evaporação do suor. Recém-nascidos têm menor capacidade desse tipo de regulação, estando sob risco de hipertermia (aumento da temperatura corporal) em ambientes muito quentes e quando estão com muitas camadas de roupa.

Já a gordura da pele funciona como um isolante e serve para impedir grandes perdas de calor, o que ocorre quando estamos em ambientes frios.

Evitar a perda de água: função realizada pelo sebo produzido pelas glândulas sebáceas. Ele irá fazer parte do filme lipídico da pele e evitar a perda de água.

Proteção: função realizada pelo pH ácido da pele. O pH da pele saudável da criança e do adulto varia de 4 a 7 (maioria 4,2 – 5,6). Essa acidez protege contra a penetração de microorganismos. Logo após o nascimento, o pH é mais alcalino e vai se acidificando do 3° para o 4° dia de vida. A estabilização definitiva do pH ocorre a partir do 1° mês de vida.

Pele do prematuro

Prematuros nascem com a pele mais fina. Ela vai amadurecendo após o nascimento em contato com o ambiente gasoso (e não líquido como no útero) e com a abrasão constante (pelas roupas, por exemplo). Na 2a ou 3a semana de vida já se torna equivalente à do bebê nascido a termo. São algumas diferenças da pele do prematuro:

  • Espessura da pele mais fina (camada córnea mais fina e permeável): maior perda de água pela pele, maior risco de infecções e penetração de agentes tóxicos causadores de irritações a alergias
  • Glândulas sebáceas ainda em desenvolvimento: maior perda de água pela pele
  • Menor camada gordurosa: menor controle de temperatura, maior propensão ao trauma superficial

Sabonetes

A água não remove todas as impurezas depositadas sobre a superfície da pele. Resíduos de alimentos, fezes e saliva possuem componentes gordurosos em sua composição, sendo removidos apenas com sabonete. Segundo alguns estudos a água remove somente 65% do total da sujeira.

Os sabonetes recomendados para banho são aqueles com pH próximo ao da pele (ácido, entre 4 e 7, maioria 4,2 – 5,6) e com o mínimo de conservantes. É contraindicado o uso de sabonetes alcalinos e com perfumes ou corantes alergênicos.

Curiosamente, sabonetes neutros têm a capacidade de aumentar o pH da pele em 1,0 e essa alteração persiste por 60 minutos. Em recém-nascidos essa alteração pode persistir por mais de 24 horas, provocando modificações na barreira natural que protege e pele.

Sabonetes líquidos são preferíveis aos em barra vários motivos:

  • Mais higiênicos: as barras ficam contaminadas com microorganismos da pele
  • Maior poder hidratante e emoliente: permitem inclusão de substâncias na composição que as barras não permitem
  • Menos abrasivos: esfregar uma barra pode irritar a pele sensível
  • pH ácido: o melhor que se consegue de um sabonete em barra é o pH neutro

Sabonetes Turma da Mônica e Johnson’s em barra, por exemplo, têm pH 10 (muito alcalinos). Líquidos têm pH 5,6-5,8 (ácidos como a pele saudável).

Extraí de um artigo científico essa tabela que compara o pH dos sabonetes infantis. Observe que mesmo alguns que contém expressões como “pH neutro”, “pH balanceado” ou “dermatologicamente testado” apresentam pH acima da faixa esperada. Aqueles com pH acima de 7,0 são contra-indicados.

sabonetes-liquidos

Entre aqueles mais recomendados pelos dermatologistas estão o Mustela Dermo-Nettoyant e o Cetaphil Dermopediatrics. Esse último é na verdade um Syndet (“synthetic detergent”), sabonete fabricado a partir de componentes sintéticos e não sabão. Syndets costumam ter pH ligeiramente ácido e provocar menos irritação na pele. O inconveniente deles está no custo elevado, sendo no entanto preferível para crianças com dermatite atópica.

sabonetes

Banho: recomendações

Em resumo, o banho deve ser de no máximo 5-10 minutos, evitando o uso de substâncias que removam a camada lipídica da pele e que alterem substancialmente o pH. A temperatura da água deve ser próxima à corporal, em torno de 37°C. E o sabonete deve ser aplicado suavemente com a mão, diretamente sobre a pele, e depois removido com água sem muita fricção.

Hidratantes

Pode parecer estranho que se recomende hidratar a pele do bebê tão macia… No entanto, acredita-se que a barreira cutânea só esteja completamente funcionante a partir de um ano de idade. Apesar de não estar provado que os hidratantes previnam as infeções no recém-nascido, eles protegem o extrato córneo e parecem ter o potencial de ajudar no amadurecimento e reparo das agressões à barreira cutânea. Nosso hábito de banhos diários, danificando a barreira, apenas reforça essa indicação.

No inverno o banho fica mais quente, aumentando o risco de desidratação da pele. No verão, o sol, os ambientes secos pelo ar condicionado, a água da piscina e da praia também ressecam a pele. A hidratação estaria, assim, sempre indicada.

Bebês com a pele seca são mais propensos a desenvolver dermatite atópica, um dos problemas mais comuns entre os pequenos. São lesões avermelhadas, que descamam e surgem pelo corpo, podendo produzir coceira (ou pior: se a criança coçar e arranhar, pode ser uma porta de entrada para bactérias).

Os produtos hidratantes não devem conter perfumes ou corantes alergênicos. Nos primeiros meses de vida, isso pode ser um gatilho para o sistema imunológico, provocando alergias respiratórias ou da pele.

O melhor momento para aplicação do hidratante seria após o banho, justamente para reparar o dano da barreira que ele provoca.

Entre aqueles recomendados pelos dermatologistas que estão liberados para uso, segundo os fabricantes, para bebês recém-nascidos estão: Mustela Hydra Bébé, Cetaphil Dermopediatrics, Umiditá infantil, Lipikar Syndet. A partir de 3 meses pode ser usado o Cetaphil Restoraderm (versão para portadores de dermatite atópica). E entre aqueles liberados para uso a partir dos 6 meses de idade estão: Neutrogena Hidratante Norwegian, Fisiogel e Eucerin pH5.

hidratante-0-6-meses
Hidratantes para bebês de 0 a 6 meses
hidratante-maiores-6m
Hidratantes para bebês acima de 6 meses

 

Óleos

São substâncias que fazem um filme de proteção na pele, diminuindo a perda de água. Diferem dos hidratantes (umectantes), que agregam molécula de água e penetram na pele, deixando-a mais hidratada. Em resumo, diferente do que a maioria das pessoas acredita, os óleos (emolientes, lubrificantes) impedem a desidratação da pele, mas não hidratam.

Os óleos podem ser usados de diversas formas:

  • Em uma massagem
  • Sobre os hidratantes (aumentando a duração do efeito hidratante)
  • Na pele antes do banho (evita a perda do conteúdo lipídico da pele durante o banho)
  • Podem ser também usadas algumas gotas de óleo na água da banheira (também minimiza a perda durante o banho)

Quando usados em grande quantidade os óleos podem obstruir o ducto de saída das glândulas sudoríparas e provocar miliária – a brotoeja. Os produtos para bebê não devem conter perfumes ou corantes alergênicos, como o óleo de massagem Mustela e o Johnson’s para recém-nascido.

oleos

Observação: Post com participação especial do Dr Daniel Fernandes Melo, marido e dermatologista.

Uso de filtro solar na infância

bebes criancas

filtrosPassamos cada vez menos tempo ao ar livre. Com o aumento da incidência da deficiência de vitamina D, que pode chegar a 75% da população em algumas áreas, o uso excessivo de filtro solar tem sido motivo frequente de discussão.

A principal fonte de vitamina D é a produção endógena (interna) estimulada pelos raios solares. E o uso do filtro solar bloqueia a absorção de raios ultravioletas essenciais para a produção da vitamina. Na infância, a deficiência de vitamina D leva a uma doença óssea chamada raquitismo e nos adultos pode levar a osteoporose e outras doenças.

Mas então por que usar filtro?

  • A perspectiva é que até 2029 o câncer supere as doenças cerebrovasculares como principal causa de morte no Brasil
  • O câncer de pele é o câncer mais frequente no Brasil (30%) (Fonte: INCA)
  • Mais de 90% dos casos são provocados pelos raios ultravioleta
  • O histórico de queimaduras durante a infância é particularmente especial: ele aumenta significativamente o risco de melanoma na vida adulta
  • Mais de 75% da radiação solar que recebemos na vida se dá até os 20 anos de idade (Fonte: Detrmatologia.net)
  • A exposição aguda aos raios UV aumenta o risco de melanoma e carcinoma basocelular, enquanto a exposição crônica aumenta o risco de carcinoma espinocelular

Esse assunto é muito polêmico, inclusive no meio médico.

Dermatologistas recomendam o uso do filtro solar, diariamente, pelo menos duas vezes ao dia, com reaplicações a cada 2 horas nas exposições agudas (praia, piscina, etc). Também pedem para evitarmos o sol entre 10-16h.

Endocrinologistas pedem para mantermos no mínimo 15-20 minutos diários de exposição aos raios solares para produzirmos a quantidade necessária de vitamina D, sem filtro e sem vidro na frente (raios UV não atravessam vidro) e preferencialmente 10-16h.

Pois é…

Há que se usar o bom senso e encontrar um meio termo. Precisamos nos proteger do raquitismo e da osteoporose e precisamos nos proteger do câncer de pele.

Sobre os filtros solares

Os filtros devem ser capazes de bloquear raios UVA, UVB, infra vermelho e luz visível. Atualmente fala-se também na capacidade de proteção contra luz azul, responsável pela geração do melasma (manchas que, entre outros fatores, podem surgir na face na gravidez).

  • Radiação UVB: com penetração mais superficial na pele, provoca inflamação e vasodilatação (vermelhidão) e induz perda da regulação anti-oncogênica, aumentando o risco de câncer. Mede-se pelo FPS (dose eritematosa mínima, ou seja, quanto tempo leva pra ficar vermelho). FPS 15, por exemplo, significa que a pele leva 15 vezes mais tempo para ficar vermelha do que sem filtro. A curva de proteção faz um platô no FPS 30: proteção 95% de proteção. Qualquer proteção abaixo de 30 não é atualmente indicada. Acima de 30 o ganho diminui, de forma que o FPS 60 não protege o dobro de 30 e o 90 não protege o triplo. Curiosidade: a cosmética do filtro com FPS alto é em geral pior porque as substâncias do filtro só se estabilizam em meio lipídico, de forma que quanto maior é o FPS, mais gorduroso costuma ser o protetor.
  • Radiação UVA: penetra mais profundamente, causando degeneração de colágeno e fibras elásticas. Confere proteção contra o envelhecimento cutâneo. Mede-se por PPD, que já está começando a ser colocado nos frascos. Valor bom é no mínimo 1/3 do UVB. Curiosidade: apesar do UVB ser o principal, a radiação UVA também causa dano superficial, aumentando o risco de câncer.
  • Infravermelho e luz visível: podem provocar manchas na pele e envelhecimento.

Os produtos podem conter filtros físicos e químicos.

  • Filtros físicos são aqueles que contém substâncias que conferem mecanismo de barreira: oxido de ferro (marrom, deixa com tonalidade cor de pele e não são usados na infância), oxido de zinco e dioxido de titâneo. A cosmética deles fica mais pesada, normalmente são mais espessos e deixam a pele bem branca.
  • Filtros químicos são aqueles que contém partículas reflectantes da luz solar, que absorvem e refletem energia luminosa. A cosmética desses filtros, em geral, é mais leve. Por penetrarem na pele têm maior potencial de causar alergia nas crianças.

Adultos devem usar filtros conjugados, com componentes físicos e químicos, um pro rosto e outro pro corpo. Crianças menores de 2 anos devem usar filtro com a maior porcentagem possível de componentes físicos. Veja abaixo as recomendações por idade.

Recomendações por idade

As medidas de fotoproteção na infância diferem do adulto e têm particularidades de acordo com a faixa etária.

Bebês abaixo de 6 meses:

  • Recomendado banho de sol por curtos períodos (vide post Banho de sol): 5 a 10 minutos/dia usando apenas de fralda ou 30 minutos/dia usando roupa (expondo apenas braços e pernas), de preferência entre 7 e 10h da manhã, evitando entre 10 e 15h (16h no horário de verão)
  • Não usar filtro solar
  • Usar roupas e chapéus quando expostos ao sol por períodos mais prolongados

Acima de 6 meses:

  • Evitar exposição entre 10-15h (16h no horário de verão)
  • Preferir fotoprofetores com FPS superior a 30 e autorizados para uso infantil

(A) 6 meses a 2 anos:

  • Preferir produtos compostos em sua maior parte por filtros inorgânicos, com barreira mais física (que deixa a pele branca) do que química
  • São os filtros que em geral se intitulam “baby” ou “mineral”
  • Exemplo de filtros 100% físicos: Photoplus baby 30+ da Dermatus e Mustela Creme Minérale

OBS: Pode ser necessário usar óleo para retirar depois o filtro da pele.

bebe

(B) Acima de 2 anos:

  • Preferir produtos com resistência à água, de fácil aplicação e espalhabilidade, como loções cremosas ou aerossóis
  • São os filtros “kids”, infantil”, ou “criança”
  • Exemplos: Avene spray enfant (infantil) 50+, Anthelios Dermo Pediatrics 60, Episol infantil, Sun Max Sensitive family 30 ou 50, Mustela 50+ (todos contém filtros químicos, mas podem ser usados em menores de 2 anos também)

criancas

 

Outras marcas de filtros mais baratas e comuns nas prateleiras das farmácias foram testadas pelo Proteste quanto à proteção, espalhabilidade e alergenicidade. As marcas mais recomendadas pela entidade foram Nivea Sun infantil (para as crianças) e Solar Expertise (para os adultos). Veja pesquisa aqui.

economicos

Como usar o filtro solar

  • Recomendado para todas as raças
  • Primeiro testar em uma pequena área  e observar se aparecem sinais de alergia (vermelhidão, coceira, descamação, manchas, bolinhas, etc)
  • Aplicar na pele vestindo a menor quantidade de roupas possível
  • 15-30 min antes da exposição
  • Reaplicar 2/2h na exposição aguda (ida à praia, piscina, clube, por exemplo) – por melhor que seja o filtro, ele não dura mais do que 4h na pele
  • Reaplicar após sair da água
  • Quantidade generosa (2g/cm2, o equivalente a 1 colher de chá) – deixar a pele muito, muito branca!
  • Lembrar de aplicar nas orelhas, pés e dobras
  • Cuidado redobrado quando estiver em locais que refletem os raios, como areia, concreto, gelo e água (a neve/gelo tem alta reflexão, queimando mais a pele do que o sol do dia-a-dia)
  • Em regiões serranas e de altitudes elevadas ficamos mais expostos à radiação também
  • O filtro deve ser o último a ser aplicado, ficando sobre outros produtos como hidratante
  • Usar mesmo em dias nublados, porque os 80% dos raios UV passam pelas nuvens

Além do protetor

  • Roupas UV: com FPS 50, dispensam aplicação do filtro na área que protegem, sendo bem prático e com efeito duradouro (não saem na água nem demandam reaplicação)
  • Chapéu: protege cabeça e cabelos (há aqueles com proteção UV FPS 50)
  • Óculos escuros: protegem os olhos, quando são de boa qualidade
  • Guarda-sol:

Os tecidos possuem uma medida chamada Fator de Proteção Ultravioleta (FPU). O algodão e o nylon apresentam uma capacidade de fotoproteção bem menor do que as fibras sintéticas, como o poliéster e a poliamida. A cor mais intensa absorve mais a radiação, servindo como um filtro. A cor escura por isso protege mais, mas como ela aquece mais também, em geral, a cor intermediária seria mais recomendada.

Existem guarda-sóis de lona que bloqueiam em torno de 50% da radiação. A loja UV line vende guarda-sóis que bloqueiam 98% da radiação UVA e UVB. Na Decathlon vende o PARUV da Tribord com praticamente a mesma proteção e bem mais em conta.

guarda-sol-paruv-azul-azul_64001807_40215

Inmetro realizou um estudo avaliando o FPU das marcas comuns do mercado. A classificação máxima foi 50+. As marcas com proteção 50+ foram: Belfis, BlueMan, Botafogo, Kim, Mor Casa e Lazer. Náutica = 5!!! Carrefour=0!!!

Nivea Doll

São bonecos desenvolvidos pela Nivea que ficam queimados ao serem expostos ao sol. São bonitinhos e servem para demonstrar para as crianças a capacidade de proteção do filtro. Veja vídeo promocional no Youtube. Encontrados em farmácias e no Mercado Livre.

nivea

Pulseiras UV (UV Wristband)

Medidoras de radiação UV, elas mudam de cor indicando a hora de reaplicar o filtro. Encontrei alguns modelos na Amazon e Ebay. A maioria dos modelos é descartável e à prova d’água. Cada vez que aplicar o filtro na criança, basta aplicar também sobre a pulseira. Há também modelos de silicone que podem ser reutilizados.

 

71ahio0w1l-_sx522_

315iaqqkxyl-_sx425_

 

Participação especial do marido e dermatologista, Daniel Fernandes Melo.

Atividades infantis – sugestões para a primavera

criancas

A primavera chegou.

Procurando atividades pra fazer com as crianças em casa, especialmente hoje, um dia de chuva, encontrei várias idéias legais no Pinterest. Tudo aproveitando a chegada da primavera…

atividades-primavera

Quadros

Para os bebês, encontrei um quadro sensorial feito com vários objetos de texturas diferentes. Podem ser usados tecidos, tampinhas, esponja, papel laminado… Coloridos, colados em uma tela para o bebê poder tocar a vontade.fullsizerender-7

Botões coloridos se transformam em uma linda árvore quando colados em um papel ou tela… Materiais como miçangas e paetês são alternativas… Ou mesmo papel seda amassado em bolinhas.

fullsizerender-6

Caixa Sensorial

Para crianças um pouquinho maiores,  pode ser feita uma caixa sensorial montessoriana (como descrito no post 40 Atividades montessorianas) com vasinho, flores de plástico e areia. Pode ser usada também areia de aquário, de gato, ou quaisquer grãos.fullsizerender-13

Tinta

Sujando um pouquinho mais a casa, pode ser feito um dia de pintura com as mãos. Tenho um livro chamado “Desenhando com os Dedos” com várias idéias de figuras… Só a capa já é uma graça.

tinta

desenhando-com-os-dedos
Livro

Os maiores vão gostar de brincar de contar as bolinhas da centopéia, as pétalas das flores e as pintas da joaninha. Faça download para imprimir as folhas aqui. fullsizerenderr

Quebra-cabeça

Outra idéia é confeccionar quebra-cabeças com palitos pintados com figuras simples. Podem ser frutas, animais e flores.

fullsizerender

Colagem

Com papel, palitos, forminhas de doces, ou mesmo flores naturais, areia, sementes…

colagem

Colares

Podem ser feitos com flores de papel e macarrão. Esse de centopéia ficou uma graça. Pode se transformar também em uma coroa de flores…

fullsizerender-10

Rolos de papel higiênico

Podem ter mil utilidades:

rolo

 

Plantas

Plantar sementes de alpiste, girassol ou feijão, bem à moda antiga, tem tudo a ver com a primavera.

img_4345

Os maiores vão gostar de deixar flores brancas em tonalidades coloridas deixando-as absorver água com anilina. Qualquer flor pode ser usada, mas as melhores são as margaridas, rosas e crisântemos. A anilina pode ser a comum, em pó, dissolvida em água.

flor

 

Error: Access Token is not valid or has expired. Feed will not update.
This error message is only visible to WordPress admins

There's an issue with the Instagram Access Token that you are using. Please obtain a new Access Token on the plugin's Settings page.
If you continue to have an issue with your Access Token then please see this FAQ for more information.